Espiritualidade em saúde | Colunistas

O QUE É ESPIRITUALIDADE De conceituação incerta, o termo “espiritualidade” diverge entre sua significação científica e popular. No senso comum, a associação com o aspecto religioso é rotineira devido à sua recente exploração científica aliada à tímida difusão popular e, sobretudo, em virtude do seu prefixo, que torna mais frequente essa associação com a religião espírita e outras vertentes espiritualistas. Não obstante, para que se aplique à ciência médica, é mister que ascenda seu conceito enquanto característica inata do ser humano em detrimento de sua caracterização meramente religiosa. “Espiritualidade” deriva de “espírito”, do latim, spiritus/spirare – respiração, respirar, sopro, coragem, vigor – o que dista do caráter religioso e se aproxima de qualidade humana intrínseca, como considera a ciência. Dentre as definições acadêmicas, Christina Puchalski (2014) cita: “a espiritualidade é um aspecto dinâmico e intrínseco da experiência humana, por meio do qual se busca e expressa o significado, propósito e transcendência da existência. Tal estado perpassa a vivência da pessoa em suas relações consigo mesma, com a família, com os outros, a comunidade, a natureza e com aquilo que é significativo e sagrado”. Anandarajah (2001) define como: “porção complexa e multidimensional da experiência humana, que envolve aspectos comportamentais, vivenciais e cognitivos ou filosóficos. É a dimensão em que obtemos significado, conexão, conforto e paz. Pode ser buscada não apenas na religião, mas também na música, arte, natureza ou mesmo em valores pessoais ou científicos”. Em síntese, espiritualidade consiste na individualidade expressa por cada ser humano por meio do que lhe traz bem-estar e significado à vivência. A religiosidade, ou religião, pode ser englobada por esse processo; no entanto, se restringe

Isabela Simões

3 minhá 33 dias

Dor: definição, fisiologia, classificação e manejo do paciente | Colunistas

A dor é a razão mais comum para as pessoas procurarem serviços de saúde e, como queixa apresentada, é responsável por mais de 2/3 das visitas aos departamentos de emergência. Por ser um elemento de alerta, a dor capacita o indivíduo a detectar estímulos físicos, químicos e nocivos prestes a causar ou que já tenham causado lesões; isso possibilita o desencadeamento de reações de defesa ou de retirada, assim como a indução de atitudes ou de procedimentos. De acordo com a International Association for the Study of Pain (2019), “a dor é uma experiência sensorial e emocional aversiva tipicamente causada por ou semelhante a uma lesão tecidual real ou potencial” sendo, desse modo, um produto elaborado da variedade de sinais neurais processados pelo encéfalo. Fisiologia da dor Ao abordar a fisiologia da dor, é preciso compreender o percurso realizado desde o momento do estímulo até a percepção, a qual irá permitir que a dor seja efetivamente sentida e percebida na sua localização específica/região. Os mecanismos fisiológicos da dor envolvem conceitos de sensibilização periférica e neuroplasticidade na perpetuação da dor, com ação através de mediadores bioquímicos nas vias nociceptivas. Pode-se estabelecer correlações entre inflamação, dor e status psicológico. Desse modo, pode-se afirmar que a dor chega ao córtex cerebral através de cinco fases: I) Transdução; II) Condução; III) Transmissão; IV) Percepção; V) Modulação. Transdução No processo de transdução, a pele, as estruturas subcutâneas, as articulações e os músculos da periferia do corpo humano fazem um importante papel por possuírem nociceptores que, diferentemente dos receptores somatossensoriais, são simplesmente terminações nervosas livres de neurônios. Nessa transdução, o estímulo nocivo despolariza o terminal nervoso dos axônios aferentes, presentes nas estruturas citadas, que gerarão potenciais de ação

Joana Menezes

4 minhá 33 dias

Aprenda plexos de uma vez por todas: anatomia por método mnemônico e de agrupamento | Colunistas

Plexo cervical (C1 – C5) Para aprender os nervos desse plexo, o mnemônico é: Ócio, Auxiliar Cerebral Super Frequente, Sumiu. Assim, aprende-se os seis: N. occipital menor (C2, 3);N. auricular magno (C2, 3);N. cervical transverso (C2, 3);N. supraclavicular (C3, 4);N. frênico (C3-5);N. supraescapular (C5, 6). Plexo braquial (C5 – T1) Continuando com os nossos mnemônicos, temos aqui: Axila Muito Radioativa, Meu Ultimato. Essa devia estar bem cheirosa! Por isso, aprendemos os cinco: N. axilar;N. musculocutâneo;N. radial;N. mediano;N. ulnar. Plexo lombar (L1 – L4) O plexo mais temido também merece um mnemônico: Ilícito! Ilíada, Genitália Culta, Fez Observações da Treta. Por Ilíada, entender o poema de Homero; por treta, entender a Guerra de Troia. Por isso, vem os sete: N. ílio-hipogástrico (L1);N. ilioinguinal (L1);N. genitofemoral (L1, 2);N. cutâneo femoral lateral (L2, 3);N. femoral (L2-4);N. obturatório (L2-4);Tronco lombossacral (L4-5). Plexo sacral (L4 – S4) Por último, mas não menos importante, o mnemônico do sacral: Glúten, glúten! Islandês, cuidado no pudim… É, esse moço da Islândia provavelmente sofria com intolerância ao glúten. Finalizamos assim com os cinco: N. glúteo superior (L4-S1);N. glúteo inferior (L5-S2);N. isquiático* (N. fibular comum + N. tibial) (L4-S3);N. cutâneo femoral posterior (S1-3);N. pudendo (S2-4). *Vide ciatalgia, a dor do nervo isquiático. Nervos motores e sensitivos da região cervical lateral

Bianca de Araújo

6 minhá 35 dias

Os sons de Korotkoff: qual a sua importância para a medida da Pressão Arterial? | Colunistas

A medida da pressão arterial é elemento básico e fundamental em toda avaliação, seja ela ambulatorial ou na sala de emergência. O padrão-ouro para esta medida se dá por meio da cateterização de uma artéria, com a instalação de um transdutor capaz de aferir pressões de 0 a 500 mmHg de forma contínua, todavia esse método é invasivo e dispendioso, sendo adotado apenas em pacientes internados em situações selecionadas. Para a rotina do profissional de saúde, resta como alternativa o método auscultatório, pois, embora represente medida indireta, constitui procedimento simples, rápido, não-invasivo, de baixo custo e com um desvio-padrão dos valores obtidos inferior a 10% em relação ao cateterismo arterial. A medida indireta da pressão arterial requer apenas um esfigmomanômetro, um estetoscópio e um profissional treinado e representa um dos primeiros procedimentos ensinados na grade curricular dos cursos de saúde. O estudante que ausculta pela primeira vez o que ele leu nos livros de semiologia como os “sons de Korotkoff” não é capaz de mensurar o impacto desta descoberta há mais de 100 anos. Nikolai Korotkoff era cirurgião e seu foco de estudo estava na avaliação do fluxo sanguíneo dos membros na presença de aneurismas. Seu objetivo era encontrar um sinal capaz de avaliar a viabilidade do membro no caso da ligação da artéria aneurismática e isso o levou a auscultar frequentemente as artérias de seus pacientes. Com esse exercício, percebeu a produção de sons especiais na artéria braquial quando comprimida pela campânula do estetoscópio. Tais sons já haviam sido relatados por outros pesquisadores, mas Nikolai foi o primeiro a sugerir seu uso na medida da pressão arterial e, por isso, ganhou a sua paternidade, dando-lhes seu sobrenome: os sons de Korotkoff. Para a identificação desses sons, é necessário

Marcella Araújo Pires

5 minhá 47 dias

Sinal de Babinski: qual a importância desse reflexo ‘centenário’ na semiologia? | Colunistas

O médico Joseph François Félix Babinski anunciou seu famoso “reflexo cutâneo plantar em extensão” – que posteriormente ganhou o nome de “sinal de Babinski” – em uma publicação de fevereiro de 1896. O “fenômeno dos artelhos” já havia sido identificado por outros neurologistas, sendo inclusive retratado em pinturas, como a de Botticelli (Figura 1). Todavia, Babinski foi o primeiro a associar o reflexo à presença de uma afecção orgânica do sistema nervoso central, permitindo a sua diferenciação das “hemiplegias histéricas”, comuns à época. FONTE: https://semiobloguneb.wordpress.com/2017/05/07/babinski-na-arte/#:~:text=Sandro%20Botticelli%20(1445%2D1510),os%20Oito%20Anjos%20(1478).&text=O%20registro%20de%20batismo%20com,a%20um%20capricho%20do%20pai. No seu artigo de 1896, o médico descreve o sinal em diversos casos de paraplegia, hemiplegia e hemiparesia, recentes ou crônicas, resultantes de lesões orgânicas centrais. Com a excitação do lado afetado, ocorre a flexão da coxa sobre a bacia, da perna sobre a coxa e do pé sobre a perna; no entanto, os artelhos, que fisiologicamente devem se fletir, executam um movimento de extensão sobre o metatarso – caracterizando, assim, o sinal de Babinski. Em seu texto original, a técnica utilizada se restringia a uma “picada” na planta do pé, sem especificar seu local e o padrão do estímulo. Essa padronização foi ocorrer apenas em 1897, a partir do Congresso Internacional de Neurologia, Psiquiatria, Eletricidade Médica e Hipnologia em Bruxelas, cujas discussões também delimitaram a definição do sinal apenas à extensão do hálux. Embora essa extensão também possa ser identificada em estados pós-ictais, após ingestão de determinadas drogas, durante o sono e em crianças até o primeiro ano de vida, não sendo, portanto, um sinal patognomônico, o sinal de Babinski continua fazendo parte do exame físico neurológico. O seu valor semiológico se destaca em pacientes com membros plégicos em vigência da suspeita de uma lesão no 1º neurônio motor, ou seja, nas fibras nervosas que

Marcella Araújo Pires

4 minhá 49 dias

Gasto energético corporal e equação de Harris-Benedict | Colunistas

1.     Gasto energético do organismo Podemos imaginar o corpo humano como uma grande máquina, repleta de inúmeros mecanismos que trabalharão em conjunto para garantir a sua funcionalidade. Nesse sentido, inúmeras são as atividades desenvolvidas pelo organismo, e, assim como toda máquina, para que ela funcione perfeitamente, é necessária uma quantidade de energia que seja suficiente para seu funcionamento. Nosso corpo utiliza essa energia em todas as funções, sejam elas voluntárias ou não. Por exemplo, para que o coração bata de forma adequada, é importante que as células do órgão tenham energia para funcionarem, enquanto, para nos locomover, nosso sistema esquelético tem que estar energeticamente bem suprido, a fim de garantir uma boa eficiência dos músculos e dos ossos. Apesar desses exemplos serem mais práticos e mais fáceis de imaginar, praticamente toda função do nosso organismo é realizada mediante dispêndio de energia. No entanto, como é que se dá essa distribuição do gasto energético do corpo humano? Podemos entender a dinâmica de energia corporal da seguinte forma. O total de energia que nosso organismo precisa é o Gasto Energético Diário ou Total (GED ou GET) e ele compreende o Gasto Energético Basal (GEB) + Gasto Energético da Atividade Física (GEAF) + Efeito Térmico dos Alimentos (ETA). O GEB corresponde àquela energia necessária para as funções vitais do organismo e geralmente corresponde a cerca de 60% a 70% do nosso gasto diário. Já o GEAF é o gasto oriundo das atividades físicas, que vão desde seu grau de atividade no trabalho até a prática esportiva em diferentes níveis de intensidade; enquanto o ETA é todo o gasto energético relacionado com a metabolização e absorção de alimentos e corresponde a apenas uma pequena parte do

Lucas Diniz

6 minhá 59 dias
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