Você sabe passar casos? Conheça o SBAR | Colunistas

Uma grande preocupação tanto para os estudantes de medicina quanto para os médicos já formados, é a forma como se passa o caso. “Será que estou sendo claro(a)? O preceptor/colega está entendendo a história do paciente?” Se você se identificou com isso, esse artigo é para você. Conheça o SBAR, um mnemônico (sim, mais um para o seu caderninho) reconhecido até mesmo pela Organização Mundial da Saúde como uma ferramenta efetiva para transferência de informações com precisão sobre os pacientes. Apesar de ter sido desenvolvido pelos militares estadunidenses para comunicação em submarinos nucleares, o SBAR vem se demonstrando confiável para o ambiente hospitalar, tendo como consequência a redução de eventos adversos por suposições ou imprecisões na hora de se passar o caso, melhorando assim a segurança dos pacientes. Afinal, o que significa cada letra do SBAR?             SBAR é o mnemônico para Situation (situação), Background (histórico/contexto), Assessment (avaliação/análise) e Recommendation (recomendação). Aprofundando sobre o significado de cada uma delas: Situation (situação)             Como o nome já diz, nesta primeira parte do SBAR iremos situar quem está recebendo a informação do paciente, identificando quem somos e de onde falamos, assim como quem é nosso paciente, o motivo do contato e o que nos preocupa sobre a condição do enfermo no momento, incluindo sua localização, de forma detalhada. Background (histórico/contexto)             Agora é o momento de se fornecer ao interlocutor o motivo da admissão do paciente, explicando tudo o que for significativo em seu histórico médico. É importante mencionar o possível diagnóstico, a data de admissão ao serviço, quais os procedimentos prévios realizados, medicações usadas, presença de alergias e resultados de exames que sejam

Bárbara Galardino

2 min108 days ago

Aferição da pressão arterial: você domina as técnicas? | Colunistas

1.    INTRODUÇÃO    Aferir a pressão arterial de uma pessoa é medir os valores da pressão sistólica e da pressão diastólica tendo como finalidade identificar se estes níveis estão dentro dos parâmetros normais ou possuem alguma alteração, sendo utilizados como base para o diagnóstico de doenças como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), além de permitir condutas terapêuticas específicas, bem como acompanhar prevalências populacionais.    A aferição de pressão arterial está inserida no cotidiano de Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios, acadêmicos e profissionais da área da saúde, como enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos. No entanto, muitos deles não conhecem as diretrizes para uma correta aferição de pressão arterial e acabam fazendo-a de forma errada ou ineficiente, o que prejudica o atendimento ao paciente, assim como o seu tratamento. Segundo o Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo (CRM-SP), em 2018, 69% dos médicos recém-formados não sabiam aferir corretamente a pressão arterial, o que demonstra a importância de um estudo ou revisão desse tema.    Dessa maneira, é necessário que todos os acadêmicos e profissionais de saúde tenham conhecimento das técnicas adequadas, visando um melhor atendimento e conforto para o paciente. E você, sabe todas as técnicas? 2.    COMO AFERIR A PRESSÃO ARTERIAL?       Conforme as diretrizes da American Heart Association (AHA), para uma correta aferição de pressão alguns fatores devem ser levados em consideração, tais como: ingestão de cafeína, nicotina ou outro estimulante, atividade física há menos de 10 minutos, calibragem correta e recente dos aparelhos, bexiga do paciente cheia, pernas cruzadas e falar enquanto a aferição está sendo feita. A aferição manual, que é a mais utilizada, geralmente é feita com o estetoscópio e o esfigmomanômetro.

Alysson Alves

4 min109 days ago

Enxaqueca: o que eu devo saber? | Colunistas

“E, em certos casos, toda a cabeça dói e a dor é às vezes à direita, outras vezes à esquerda, na testa ou na fontanela; e esses acessos mudam de lugar no decorrer do mesmo dia. Isso é chamado heterocrania, uma doença nada clemente. Provoca sintomas inconvenientes e aflitivos […] náusea, vômito de material bilioso, colapso do paciente, ocorre grande torpor, peso na cabeça, ansiedade e a vida torna-se um fardo. Pois eles fogem da luz; a escuridão atenua seu mal; tampouco suportam prontamente ver ou ouvir qualquer coisa agradável. Os pacientes ficam cansados da vida e anseiam por morrer.” (Areteu da Capadócia, médico da Grécia Antiga, século II; primeira descrição história associada à enxaqueca). Quando falamos de enxaqueca, não nos referimos a uma simples “dor de cabeça”. Enxaqueca, ou migrânea, é uma doença neurológica de causa genética que se manifesta através de múltiplos sintomas. Cerca de 30 milhões de brasileiros (15% da população) são acometidos pela doença, sendo mais comum na região sudeste do país; pode ocorre em homens e mulheres de todas as idades, mas mulheres em período reprodutivo apresentam maior prevalência. A enxaqueca é uma doença multifatorial de tendência hereditária; ou seja, há genes que predispõem a ocorrência das crises de cefaleia associadas à enxaqueca. As crises de enxaqueca podem durar de 4 a 72 horas. Geralmente, caracterizam-se por cefaleia unilateral pulsátil de moderada a forte intensidade que piora aos esforços; os sintomas associados são fotofobia, fonofobia, osmofobia, tonturas, náuseas e vômitos, além de sintomas neurológicos, como a aura. Alguns pacientes queixam-se de aura típica, um distúrbio visual que cursa com a presença de pontos cintilantes, distorção ou perda temporária da visão, parcial ou total; outros indivíduos apresentam aura sensitiva, que se refere à hemiparesia.

Viviane de Caprio

3 min110 days ago

Aferição da pressão arterial: Você está fazendo isso certo? | Colunistas

Um padrão universal primário nas abordagens assistenciais nos estabelecimentos de saúde é a verificação dos sinais vitais, sendo a pressão arterial (PA) um parâmetro de grande relevância. É definida como a força exercida pelo sangue na parede dos vasos e serve como indicador bastante importante caso esteja aumentado ou diminuído em comparação aos valores considerados normais e/ou aceitáveis. Por exemplo, uma elevação brusca poderia indicar um quadro de crise hipertensiva, uma hipotensão poderia representar um choque hipovolêmico dentre diversos outros cenários possíveis. Ou seja, a obtenção correta dos valores da pressão arterial é de extrema importância. Durante a formação do médico, geralmente no início da graduação, os futuros profissionais aprendem a obter o valor da pressão arterial e, aparentemente o que seria um procedimento relativamente simples, acaba sendo, de certa forma, menosprezado. Isso foi confirmado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) em sua avaliação no ano de 2018 aos médicos recém-formados, que apontou que surpreendentes 69% de um total de 3174 participantes, não sabiam as diretrizes para uma correta aferição da pressão arterial1. Não obstante, um ano antes, em 2017, a American Medical Association (AMA) havia publicado um estudo que corroborava a constatação do CREMESP, no qual reuniu 159 estudantes de medicina onde apenas 1 deles executou corretamente todos os elementos em um teste de verificação da pressão arterial². LEIA: Apenas 1 em cada 159 estudantes de medicina sabe aferir a pressão corretamente Na sétima Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), encontramos as recomendações para que se realize uma correta aferição da pressão arterial. Podemos distingui-la em dois momentos, sendo o primeiro de preparo do paciente e o segundo de realização da medição, tendo em cada

Rafael Vidal

4 min116 days ago

Como passar Casos Clínicos e estudar com eles! | SanarFlix

Como passar o Caso Clínico para o professor? Na prática diária entre os residentes e internos é preciso saber passar bem casos clínicos para seu professor ou preceptor. Na faculdade, raramente é ensinado como se deve ser feito, e normalmente é algo que se pega com o tempo. O professor apenas pede para você contar a história e BAM! Por isso resolvemos dar uma ajuda! Por onde começar? Citar tudo que o paciente negou? Esqueci um dado, o que fazer? Estamos aqui para ajudar você para já chegar no internato preparado e tirar onda no ciclo clínico explicando direitinho e o que importa para o professor.Importante ressaltar que a forma de passar o caso pode mudar entre os professores. Alguns preferem iniciar pela lista de problemas. Isso se dá mais em enfermarias, quando o professor já conhece o caso. O mais comum, entretanto, é contar a história do paciente e depois discutir os possíveis diagnósticos. Vale lembrar que dados da identificação podem ou não estar presentes. Por exemplo, você normalmente não precisa dizer a religião do paciente, mas isso pode ser relevante no caso de ele precisar de transfusão sanguínea sendo testemunha de Jeová. Confiança é essencial! A palavra da vez é: CONFIANÇA! Ninguém gosta da pessoa que passa o caso falando baixo e sem ter certeza do que está falando. Fale alto, claro, pausadamente, de forma organizada, cronológica e passe certeza no que diz. Você não precisa saber tudo sobre a doença do seu paciente se você acabou de colher a história, mas você precisa saber tudo sobre o seu paciente.

SanarFlix

7 min164 days ago

Médicos pelo Brasil: Você no futuro da Atenção Primária e MFC | Colunistas

Desambiguação: Atenção Primária x Mais Médicos x Médicos pelo Brasil Atenção Primária à Saúde é o conjunto inicial de medidas para proteger a saúde do indivíduo em seu ambiente rotineiro, com abordagem multiprofissional e idealmente sem ter que deslocá-lo para receber cuidados especializados. No âmbito coletivo, as metas estão relacionadas à prevenção do adoecimento e a impedir progressão de doenças em estágio inicial. Você deve ter estudado em alguma disciplina dos anos iniciais da Faculdade sobre a icônica Lei N° 8.080 de 1990 e sobre como nosso sistema atual encontra fortes raízes no Primary Care do National Health Service (NHS) do Reino Unido. No passado recente, Atenção Primária foi divulgada como sinônimo do Mais Médicos, que surgiu através da Lei Nº 12.871 de 2013 envolvendo diversos argumentos econômicos e humanitários, mas foi traçado principalmente pela escassez até inexistência desse profissional em localidades remotas e difícil permanência daqueles que ocupam posições nessas localidades. Entre seus maiores méritos, houve oferta de vagas de forma a cobrir 73% dos municípios brasileiros, as cidades que aderiram tiveram aumento de cerca de um terço no total mensal de consultas oferecidas e construção ou ampliação de milhares de UBS ao redor do país. Porém, houve problemas de gestão, a distribuição de médicos permaneceu proporcionalmente maior em capitais e regiões metropolitanas e a abertura desses postos de trabalho por vezes ocorreu sem condições técnicas ou insumos. Conforme relatório denominado Fiscalizações de unidades da atenção básica 2014 do Conselho Federal de Medicina, entre 952 unidades vistoriadas, 331 possuíam mais de 50 itens em desconformidade com normas sanitárias e significativa porção não possuía equipamentos essenciais, por exemplo 40% delas sem otoscópio. Também existiu a

Guilherme Socoowski

6 min165 days ago

Caso clínico Dismenorreia | Ligas

Área: Ginecologia Autores: Camila Osterne Muniz, Jéssica Moreno Soledade de Andrade e Lara Manuela Menezes Guimarães Revisor(a): Isabela Salzedas Vilela Orientador(a): Lídia Lima Aragão Sampaio Liga: Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia – LAGOB Apresentação do caso clínico Paciente do sexo feminino, 16 anos, branca, estudante, procedente e residente de Salvador, Bahia. Procura o ambulatório de ginecologia com queixa de dor na região pélvica que vai e volta há 8 meses. Relata que essa dor esta associada ao seu período menstrual se iniciando algumas horas antes de ocorrer o fluxo sanguíneo com intensidade variante. Afirma náuseas, vômitos e fadiga durante esse período. Afirma ter também tontura e cefaleia intensa que está sempre antecedendo o quadro de dor já citada. Relata menarca aos 14 anos e sexarca aos 16 anos, tem vida sexual ativa com um parceiro fixo – seu namorado há 4 meses- porem não faz uso de anticoncepcional oral pois sua mãe não permite, usando o preservativo masculino como  o único método contraceptivo. Ao exame físico a paciente se encontrou em bom estado geral, lucida e orientada no tempo e no espaço, eupnéica (22 ipm), normotensa (120×80 mmHg), eucardica (80 bpm), acianótica, anictérica, hidratada, afebril ( 36,7ºC). Sem alterações nos sistemas cardiovascular, respiratório, e digestório. Na inspeção das mamas ausência de erupções, descamações, assimetria, proeminências venosas, massas visíveis ou depressões. Mamilos protusos, sem secreção mamilar. Na palpação das mamas não foram encontrados achados clínicos relevantes. Já no exame ginecológico foi verificado forma adequada do períneo, da distribuição dos pelos, e a conformação externa da vulva. Introito vaginal palpado e sem alterações ou dor a palpação. Manobra de Valsalva realizada e sem achados para incontinência

6 grandes avanços da Medicina nos anos 2010

Milhões de vidas foram salvas na década passada com a descoberta de novas maneiras de atacar o problema da saúde no mundo. Certos avanços da medicina nos anos 2010 tiveram impactos verdadeiramente globais e listamos alguns deles abaixo: Uma droga põe o fim da AIDS em perspectiva “Se você me perguntar qual o maior avanço no tratamento da HIV/AIDS nos últimos 10 anos, é o dolutegravir”, diz o Dr. Max Essex, professor emérito da Escola de Saúde Pública de Harvard. A droga pode ajudar a reduzir a quantidade de vírus no sangue a níveis tão baixos que são indetectáveis. Quando a HIV não pode ser detectada no sangue do paciente, ela não pode ser transmitida para um parceiro sexual, um conceito provado nos anos 2010. O dolutegravir é o tratamento de primeira linha nos EUA e na Europa para pacientes com HIV desde 2014. É tomado apenas uma vez por dia e, ao contrário de outros medicamentos contra a AIDS, se os pacientes esquecerem uma dose, ocasionalmente, o medicamento não para de funcionar. “É o primeiro medicamento contra a AIDS em que a resistência aos medicamentos não era um problema”, diz Essex. “O Botsuana começou a usar o dolutegravir em 2016 e, com o tempo, provavelmente todo mundo o usará.” Os países pobres podem levar mais tempo para adotar o novo medicamento devido à infra-estrutura de saúde inadequada, os governos que não respondem às epidemias ou restrições econômicas. Os mesmos medicamentos contra a Aids que impedem a transmissão entre parceiros sexuais também protegem os bebês contra o HIV através do leite materno, diz Essex, e agora as mulheres infectadas pelo HIV nos países pobres podem amamentar com segurança seus

SanarFlix

5 min181 days ago

10 Problemas de saúde comuns na Síndrome de Down | Colunistas

A síndrome de Down (SD) é uma das principais causas de deficiência intelectual, sendo a incidência influenciada pela idade materna e distribuída em uma proporção de 1:319 a 1:1000 nascidos vivos. A SD tem alta complexidade genética e variabilidade fenotípica, sendo a causa mais comum a presença de uma cópia extra do cromossomo 21 (cariótipo: 47, XX ou XY, + 21). Outras causas incluem translocação Robertsoniana (2-4% dos casos, cariótipo: 46, XX ou XY, -14, +t(14,21)) e mosaicismo (1-2% dos casos). Fetos trissômicos possuem risco elevado de abortamento e pessoas com SD têm maior incidência de desenvolver uma miríade de desordens médicas. Os recentes avanços na medicina e suporte social aumentaram a expectativa de vida dessa população, sendo a idade média de 55 anos em um país desenvolvido. Os aspectos clínicos da doença serão abordados a seguir. 1.   Características dismórficas 1.1. Cabeça e Pescoço Fissura palpebral oblíqua, dobra epicântica e braquicefalia são características quase que universais na SD (figura 1). Outros aspectos estão presentes em 47 a 82% dos pacientes, como perfil facial e ponte do nariz achatados, orelhas displásicas, dobradas, e com baixa implantação, manchas de Brushfield, boca aberta, língua protruída e fissurada, pescoço curto, excesso de pele na nuca, palato estreito e  dentes anormais. Um importante aspecto devido à hiperflexibilidade articular é a instabilidade atlantoaxial com possível subluxação da espinha cervical. 1.2. Extremidades Mãos pequenas e amplas, quinto dedo levemente curvado com hipoplasia da falange média, prega palmar transversal única (figura 2), espaço aumentado entre primeiro e segundo dedos do pé (chamado a diferença da sandália) e hiperflexibilidade articular. 1.3. Características neonatais Abaixo a lista das 10 características mais comuns de

Marina Baeta

6 min181 days ago
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