Neuroanatomia dos nervos cranianos | Colunistas

Na faculdade de Medicina, dentre as diversas disciplinas ministradas, está a Neuroanatomia, que é um ramo da anatomia responsável pelo estudo do sistema nervoso. O simples fato de ver a palavra “neuroanatomia” te deixa nervoso? Assim como a maioria dos alunos, você sente calafrios e se desespera? Fonte: https://www.vittude.com/blog/desespero/ Então, já pode se acalmar! Nesse texto, com o auxílio de figuras e esquemas, você vai poder aprender um pouco sobre os nervos cranianos, desde a sua localização até suas funções no organismo. Divisão do Sistema Nervoso O sistema nervoso pode ser dividido com base em diversos critérios, por exemplo, critérios anatômicos, resultando no seguinte esquema: Fonte: https://www.anatomia-papel-e-caneta.com/sistema-nervoso/ O sistema nervoso central (SNC) corresponde à porção do sistema nervoso localizada dentro do crânio e do canal vertebral, ao passo que o sistema nervoso periférico (SNP) consiste na porção localizada fora dessas estruturas anatômicas. Por sua vez, o sistema nervoso periférico é subdividido em nervos, terminações nervosas e gânglios. Os nervos são responsáveis por integrar as informações entre o sistema nervoso central e os órgãos periféricos. Como observado no esquema acima, eles podem ser classificados como espinhais, quando tal conexão ocorre com a medula espinhal, ou cranianos, quando tal conexão ocorre com o encéfalo. Tipos de fibras nervosas No sistema nervoso periférico, o agrupamento de diversas fibras nervosas culmina na formação dos nervos. Tendo como base o aspecto funcional, tais fibras podem ser classificadas em aferentes ou sensitivas e eferentes ou motoras. Fibras aferentes ou sensitivas As fibras aferentes são responsáveis por levarem

Comunidade Sanarmed

8 min17 days ago

Fases da Cicatrização | Colunistas

Uma ferida é representada pela perda de integridade da pele e tecidos moles subjacentes, que pode ser aguda ou crônica, e causada por diversos mecanismos, desde trauma até lesões isquêmicas. A cicatrização é um processo complexo, que envolve mecanismos celulares, moleculares e bioquímicos, visando a restauração da função e estruturas normais dos tecidos. Envolve três etapas básicas: fase inflamatória, fase proliferativa e fase de maturação. 1.     Fase inflamatória A fase inicial do processo cicatricial, a inflamatória, inicia no exato momento da lesão e dura cerca de três dias. O dano tissular é o evento inicial que desencadeia todo o processo de restauração. Imediatamente, o corpo tenta fazer a hemostasia com a contração dos pequenos vasos próximos, agregação plaquetária, ativação da cascata de coagulação e formação de uma matriz de fibrina. Essa rede de fibrina age como barreira para tentar impedir a contaminação da ferida e também como base para o processo cicatricial, servindo de apoio para a migração celular e estímulo para os fatores de crescimento. Os sinais da inflamação – rubor, calor, edema, dor – são resultado da resposta celular e bioquímica no local, principalmente pelo recrutamento celular e aumento da permeabilidade vascular. Os neutrófilos e monócitos dão início ao processo com uma “limpeza” da ferida, que é o desbridamento, removendo os tecidos desvitalizados e fagocitando as partículas antagônicas e corpos estranhos. Os neutrófilos são os primeiros a chegar no local, atraídos por substâncias quimiotáticas liberadas pelas plaquetas na hemostasia. São quimioatraentes para outras células e liberam citadinas pró-inflamatórias. Há ação de diversas células de defesa do organismo, mas entender o papel do mastócito é fundamental para compreender essa fase. Os mastócitos degranulados liberam fatores de crescimento, quimiocinas, citocinas, histamina

João Pedro Franco

5 min19 days ago

O sistema renal e a sua importância na manutenção da homeostasia corporal | Colunistas

Os rins, assim como os demais órgãos, fazem parte de um complexo sistema que trabalha para manter a homeostasia do organismo e preservar o bem-estar do indivíduo. Localizados na região retroperitoneal, na cavidade abdominal, são responsáveis por filtrar o plasma sanguíneo, no intuito de eliminar metabólitos que possam ser nocivos ao corpo humano. Fazendo uma analogia com algo mais próximo ao nosso cotidiano, pode-se dizer que os rins são como estações de tratamento de esgoto, onde o nosso plasma é filtrado, sendo o que não serve eliminado, e o que se pode reaproveitar, reutilizado, posteriormente retornando para os sistemas, assim como acontece com a água que, depois de tratada, é utilizada novamente pela população. O néfron, a principal unidade funcional do rim, é onde ocorre a filtração do plasma, bem como a reabsorção e excreção de substâncias. Organizados em milhões, são divididos em cápsula de Bowman (local onde ocorre a filtração), túbulo proximal, alça de Henle (porção descendente e porção ascendente), túbulo distal, túbulo conector e ducto coletor, sendo esse último o local onde mais de um néfron desemboca, sendo o resultado final da excreção denominado de urina. Uma curiosidade: A partir dos 40 anos de idade, o indivíduo perde, a cada 10 anos, cerca de 10% dos seus néfrons, porém isso não vai resultar em uma diminuição das suas funções, como também não vai desequilibrar a homeostasia do corpo humano, tendo em vista que o organismo se readapta para manter os rins funcionando normalmente. O poder dos rins Conhecidos no senso comum como os órgãos cujos formatos lembram dois feijões, os rins são capazes de filtrar cerca de 180 litros de plasma por dia em um indivíduo adulto. Levando-se

Cristovão Pereira

3 min31 days ago

Você sabe passar casos? Conheça o SBAR | Colunistas

Uma grande preocupação tanto para os estudantes de medicina quanto para os médicos já formados, é a forma como se passa o caso. “Será que estou sendo claro(a)? O preceptor/colega está entendendo a história do paciente?” Se você se identificou com isso, esse artigo é para você. Conheça o SBAR, um mnemônico (sim, mais um para o seu caderninho) reconhecido até mesmo pela Organização Mundial da Saúde como uma ferramenta efetiva para transferência de informações com precisão sobre os pacientes. Apesar de ter sido desenvolvido pelos militares estadunidenses para comunicação em submarinos nucleares, o SBAR vem se demonstrando confiável para o ambiente hospitalar, tendo como consequência a redução de eventos adversos por suposições ou imprecisões na hora de se passar o caso, melhorando assim a segurança dos pacientes. Afinal, o que significa cada letra do SBAR?             SBAR é o mnemônico para Situation (situação), Background (histórico/contexto), Assessment (avaliação/análise) e Recommendation (recomendação). Aprofundando sobre o significado de cada uma delas: Situation (situação)             Como o nome já diz, nesta primeira parte do SBAR iremos situar quem está recebendo a informação do paciente, identificando quem somos e de onde falamos, assim como quem é nosso paciente, o motivo do contato e o que nos preocupa sobre a condição do enfermo no momento, incluindo sua localização, de forma detalhada. Background (histórico/contexto)             Agora é o momento de se fornecer ao interlocutor o motivo da admissão do paciente, explicando tudo o que for significativo em seu histórico médico. É importante mencionar o possível diagnóstico, a data de admissão ao serviço, quais os procedimentos prévios realizados, medicações usadas, presença de alergias e resultados de exames que sejam

Bárbara Galardino

2 min191 days ago

Aferição da pressão arterial: você domina as técnicas? | Colunistas

1.    INTRODUÇÃO    Aferir a pressão arterial de uma pessoa é medir os valores da pressão sistólica e da pressão diastólica tendo como finalidade identificar se estes níveis estão dentro dos parâmetros normais ou possuem alguma alteração, sendo utilizados como base para o diagnóstico de doenças como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), além de permitir condutas terapêuticas específicas, bem como acompanhar prevalências populacionais.    A aferição de pressão arterial está inserida no cotidiano de Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios, acadêmicos e profissionais da área da saúde, como enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos. No entanto, muitos deles não conhecem as diretrizes para uma correta aferição de pressão arterial e acabam fazendo-a de forma errada ou ineficiente, o que prejudica o atendimento ao paciente, assim como o seu tratamento. Segundo o Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo (CRM-SP), em 2018, 69% dos médicos recém-formados não sabiam aferir corretamente a pressão arterial, o que demonstra a importância de um estudo ou revisão desse tema.    Dessa maneira, é necessário que todos os acadêmicos e profissionais de saúde tenham conhecimento das técnicas adequadas, visando um melhor atendimento e conforto para o paciente. E você, sabe todas as técnicas? 2.    COMO AFERIR A PRESSÃO ARTERIAL?       Conforme as diretrizes da American Heart Association (AHA), para uma correta aferição de pressão alguns fatores devem ser levados em consideração, tais como: ingestão de cafeína, nicotina ou outro estimulante, atividade física há menos de 10 minutos, calibragem correta e recente dos aparelhos, bexiga do paciente cheia, pernas cruzadas e falar enquanto a aferição está sendo feita. A aferição manual, que é a mais utilizada, geralmente é feita com o estetoscópio e o esfigmomanômetro.

Alysson Alves

4 min192 days ago

Enxaqueca: o que eu devo saber? | Colunistas

“E, em certos casos, toda a cabeça dói e a dor é às vezes à direita, outras vezes à esquerda, na testa ou na fontanela; e esses acessos mudam de lugar no decorrer do mesmo dia. Isso é chamado heterocrania, uma doença nada clemente. Provoca sintomas inconvenientes e aflitivos […] náusea, vômito de material bilioso, colapso do paciente, ocorre grande torpor, peso na cabeça, ansiedade e a vida torna-se um fardo. Pois eles fogem da luz; a escuridão atenua seu mal; tampouco suportam prontamente ver ou ouvir qualquer coisa agradável. Os pacientes ficam cansados da vida e anseiam por morrer.” (Areteu da Capadócia, médico da Grécia Antiga, século II; primeira descrição história associada à enxaqueca). Quando falamos de enxaqueca, não nos referimos a uma simples “dor de cabeça”. Enxaqueca, ou migrânea, é uma doença neurológica de causa genética que se manifesta através de múltiplos sintomas. Cerca de 30 milhões de brasileiros (15% da população) são acometidos pela doença, sendo mais comum na região sudeste do país; pode ocorre em homens e mulheres de todas as idades, mas mulheres em período reprodutivo apresentam maior prevalência. A enxaqueca é uma doença multifatorial de tendência hereditária; ou seja, há genes que predispõem a ocorrência das crises de cefaleia associadas à enxaqueca. As crises de enxaqueca podem durar de 4 a 72 horas. Geralmente, caracterizam-se por cefaleia unilateral pulsátil de moderada a forte intensidade que piora aos esforços; os sintomas associados são fotofobia, fonofobia, osmofobia, tonturas, náuseas e vômitos, além de sintomas neurológicos, como a aura. Alguns pacientes queixam-se de aura típica, um distúrbio visual que cursa com a presença de pontos cintilantes, distorção ou perda temporária da visão, parcial ou total; outros indivíduos apresentam aura sensitiva, que se refere à hemiparesia.

Viviane de Caprio

3 min193 days ago
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