Assistência à paciente vítima de violência sexual | Colunistas

A violência sexual pode ser definida como qualquer evento sexual realizado por uma pessoa sobre a outra, sem o seu consentimento. De acordo com a Convenção de Belém do Pará, a violência sexual também pode ser entendida como qualquer ação violenta baseada no gênero que resulta ou tenha potencial para resultar em dano sexual, físico ou mental para a mulher, não sendo excluído ameaças, coerção ou privação arbitrária de liberdade, ocorrida em público ou na vida particular. A violência contra a mulher é um problema de saúde pública, além da violação aos direitos humanos, pois acarreta consequências físicas, psíquicas e emocionais. Embasando-se na Lei nº 12.015, de 7 de agosto de 2009, Título VI (dos crimes contra a dignidade sexual), Capítulo I (dos crimes contra a liberdade sexual), artigo 123: O estupro é definido como o ato de “constranger alguém mediante violência ou grave ameaça, a ter conjugação carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”, tendo pena de reclusão por 6 a 10 anos. A notificação dos casos de violência contra mulher é obrigatório. Se o paciente for menor de idade, deve-se notificar o Conselho Tutelar ou a Vara da Infância e da Juventude. Além disso, no Brasil, é lei que durante o atendimento sejam observados os princípios do “respeito à dignidade da pessoa, da não discriminação, do sigilo e da privacidade” e para que o atendimento à saúde seja feito, dispensa a apresentação de boletim de ocorrência policial. A violência contra mulher abrange repercussões físicas e mentais. Dentre as físicas, tem-se: risco de contaminação por infecções sexualmente transmissíveis, risco de gravidez indesejada, frequentemente ferimentos e até mesmo outros tipos de agressão como violência doméstica. No âmbito do dano mental,

Ana Cantarino

4 min3 days ago

Distúrbios respiratórios do recém-nascido, como diferenciar? | Ligas

Desenvolvimento do sistema respiratório: A origem do sistema respiratório é dos arcos braquiais, que por volta da 4ª semana formam o sulco laringotraqueal. Os movimentos respiratórios fetais se iniciam por volta da 11ª semana, e gradativamente ocorre a mudança anatomopatológica dos pulmões, que envolve quatro fases: embrionária, pseudoglandular, canalicular e saco terminal. A fase do saco terminal se inicia na 23ª semana e ocorre até o término da gestação, sendo responsável pela diferenciação dos pneumócitos tipo I e tipo II. Os pneumócitos I são macrófagos alveolares, enquanto os pneumócitos II reduzem a tensão superficial. Nos pulmões do feto próximo ao termo, ocorre a transição do epitélio pulmonar, que passa a absorver sódio, promovendo um “drive” de líquido de dentro dos alvéolos em direção ao interstício pulmonar, de onde será absorvido pelos vasos sanguíneos. O parto natural também é importante para o desenvolvimento do sistema, uma vez que as compressões exercidas sobre a caixa torácica durante a passagem pelo canal de parto auxiliam na remoção do líquido de dentro do pulmão. Ademais, os hormônios (catecolaminas, glicocorticoides, vasopressina e prolactina) produzidos pelo feto estimulam a modificação do epitélio secretor para absortivo. Doenças respiratórias neonatais mais prevalentes: O avanço da tecnologia médica permitiu que os recém-nascidos prematuros tenham mais chances de sobreviver as consequências da imaturidade, porém como consequência houve um aumento nas patologias relacionadas ao desenvolvimento imaturo do sistema respiratório. A doença da membrana hialina ocorre por conta da deficiência do surfactante pulmonar, enquanto na síndrome da aspiração meconial há um sofrimento fetal intra-útero, e consequentemente liberação de mecônio (que apresenta alterações obstrutivas e inflamatórias). Já a taquipneia transitória do recém-nascido tem sua fisiopatologia discutida, porém três fatores estão associados: deficiência leve de surfactante, pequeno grau de imaturidade pulmonar

Síndrome da compressão medular (scm): uma emergência oncológica | Ligas

A Síndrome da Compressão Medular (SCM) é uma emergência oncológica que ocorre por invasão direta da medula e ou seus nervos por neoplasia primária localmente avançada ou por metástases (figura 1.0). 1,2 A gravidade do caso se dá, entre outros fatores, pela velocidade da invasão que influencia a sua expressão clínica. Figura 1.0 – Invasão vertebral por metástase hematogênica. Romero, P. et al., Compressão da coluna vertebral, 2004. O local da medula mais envolvido é a coluna torácica em 70% dos casos, havendo compressão em mais de um nível, seguido por lombossacral – 20% dos casos – que se dá principalmente na cauda equina e compromete os nervos periféricos; e, depois, coluna cervical em 10% dos casos com risco eminente de morte caso atinja acima de C3, pois interrompe o controle da respiração,devido a presença do nervo frênico nessa região.3 Na compressão do cone medular, a disfunção autonômica pode ocorrer precocemente. Quando se trata de metástase, a via de disseminação sanguínea é a mais comum, todavia alguns tipos podem ter sua disseminação mais frequentemente pelos plexos nervosos8. 1. Vamos entender um pouco mais sobre a etiologia: A compressão medular ocorre mais comumente quando há neoplasia maligna avançada e é a segunda complicação neurológica mais comum depois da metástase cerebral.1,4 Ademais, também pode apresentar-se como primeiro sintoma do câncer1. Em 90% dos casos se dá pelo envolvimento dos corpos vertebrais e em 15% dos casos em câncer paravertebral.5.   Fique atento, pois a maior incidência da SCM está nos cânceres de mama, dos brônquios e da próstata responsáveis por mais de 60% dos casos,1,6 seguidos por linfomas de Hodgkin, mieloma múltiplo e a neoplasia renal (cada um com aproximadamente 10% dos casos)

Desafio: Coagulopatias | LIGAS

Área de conhecimento: Coagulopatias Mãe de paciente, sexo masculino, 18 meses de vida, dá entrada na emergência pediátrica, relatando que o joelho direito do bebê apresenta uma mancha violácea no contorno do membro, e que não desaparecia. Conta que havia começado a ensaiar seus primeiros passos há algumas semanas quando apareceu a lesão. Procurou a emergência após perceber a lesão tornando-se mais edemaciada. Foi requisitado coagulograma do paciente, com o seguinte resultado. Coagulograma Tempo de sangramento 4 minutos Tempo de coagulação 14 minutos Tempo de protrombina 10 segundos Tempo de tromboplastina parcial ativada 55 segundos Plaquetas 156.000/mm³ Qual deve ser o próximo exame diagnóstico para esse caso? Quais os resultados desse exame e as possíveis classificações quanto a sua gravidade?   Quais os possíveis tratamentos para esse paciente? Gabarito: A próxima avaliação a ser feita deve ser dos fatores de coagulação como F VIII e F IX, para verificar a possibilidade de uma coagulopatia. No contexto clínico, o aparecimento de possíveis hemartroses nos primeiros meses de vida após as primeiras quedas cursam com a manifestação de uma hemofilia, um distúrbio de hemostasia secundária. Laboratorialmente, o tempo de sangramento dentro do padrão de 3-7 minutos e o número de plaquetas acima de 150.000/mm³ excluem as provas de distúrbios de hemostasia primária. Quando verificamos o tempo de tromboplastina parcial ativada está superior ao padrão de 25-35 s, indicando uma disfunção da via intrínseca, alertando para o possível diagnóstico de Hemofilia A a ser confirmado pela avaliação do fator VIII. Verifica-se que os níveis séricos de fator VIII se encontra menor que 1%, indicando um dos quadros mais graves de hemofilia A e cursando com a manifestação precoce de hemorragia nas articulações, além de

Tuberculose latente: Quais consequências e como investigar | Colunistas

Você sabia que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1/3 da população mundial está infectada com o bacilo da tuberculose (TB) ou bacilo de Koch (BK) e não apresenta nenhuma sintomatologia? Sim, mas quais as consequências disso? Indivíduos infectados são reservatórios deste patógeno e liberam 3,5 milhões de bacilos por dia. As partículas contaminadas são invisíveis e flutuam no meio ambiente por até 8 horas, podendo contaminar as pessoas que as inalarem. A partir disso o que pode ocorrer será: (1) a resposta imune do hospedeiro elimina completamente o agente; (2) o sistema imune não consegue controlar a replicação dos bacilos, causando a tuberculose primária; ou (3) o sistema imune consegue conter as bactérias em granulomas de forma latente, sendo que 15% destes indivíduos poderão desenvolver a doença sintomática durante a sua vida. Como acontece a eliminação do patógeno e a cura? Os bacilos são transmitidos através da rota respiratória, reconhecidos por macrófagos alveolares nas vias aéreas através de receptores transmembrânicos, que ativam vias de internalização deste patógeno (fagocitose). Paralelamente a isso, estas células estimulam o desencadeamento da resposta inflamatória através da  produção de várias citocinas como: fator de necrose tumoral alfa (TNF alfa), interleucina 12 (IL-12), interleucina 1 (IL-1), interleucina 6 (IL-6), dentre outros. O TNF alfa regula a expressão de moléculas de adesão do endotélio vascular e produção de quimiocinas, garantindo o recrutamento de leucócitos, como neutrófilos e monócitos. Estas e outras células do sangue migram de dentro dos vasos sanguíneos para o local de penetração do patógeno (diapedese). Também estimula a produção de radicais livres (bactericidas) pelos fagócitos mononucleares e aumenta a produção de interferon gama (INF gama) pelas células matadoras naturais (NK). Posteriormente

Maristela Adamovski

8 min48 days ago

Tudo sobre a osteoartrite | Ligas

Por que devemos conhecer a Osteoartrite? Você já deve ter ouvido falar sobre artrose, osteoartrose ou osteoartrite e ter pensado que se refere a doenças diferentes. Na verdade, todos esses termos são usados para denominar uma doença degenerativa e progressiva da cartilagem articular, o que nada mais é do que um desgaste da cartilagem que existe entre os ossos e por alterações ósseas, como os osteófitos, que conhecemos como “bico de papagaio”. Sua importância se dá por representar uma das cinco principais causas de incapacitação de adultos não hospitalizados e é bem mais frequente do que muitos imaginam, pois muitos sentem dores nas mãos, nos punhos, nos joelhos e até na coluna, mas sempre vão suportando a dor até se tornar incapacitante e insuportável. Como essa doença acontece e quais os principais fatores de risco? Uma articulação pode sofrer um trauma agudo e imediatamente apresentar os sintomas ou pode sofrer um trauma crônico, que corresponde a uma atividade repetitiva que excede a capacidade que a articulação tem de absorver os impactos. Por isso, é muito comum o dano articular em trabalhadores da indústria têxtil, que desenvolvem artrose nas mãos e desenvolvem nódulos nas pontas dos dedos, denominados nódulo de Heberden, nos agricultores que têm com frequência artrose da articulação (entre a coxa e a bacia) e nos trabalhadores de minas que fazem artrose de joelhos e coluna. Além do trauma, outro fator de risco importante é o envelhecimento, pois é fisiológico a diminuição da capacidade das células da cartilagem e a perda da sensibilidade própria aos ossos, aos músculos, tendões e ligamentos, o que aumenta a instabilidade articular. A obesidade também pode ser considerada um fator de risco extremamente relevante, pois mais

Delirium: uma emergência que você deve saber manejar | Ligas

Definição de delirium É um transtorno neurocognitivo muito frequentee que causa confusão mental aguda ou subaguda de curso flutuante e potencialmente reversível¹. Por definição, deve existir perturbação da atenção ou da consciência, juntamente com alteração da cognição basal que não pode ser melhor explicada por nenhum outro transtorno². Epidemiologia A população mais acometida são os idosos em pós operatório ou doenças agudas ou em abstinência de certos fármacos. O transtorno chega a acometer cerca de 50% dos idosos hospitalizados e é ainda importante causa de emergência geriátrica por ser causa de altas taxas de mortalidade e de institucionalização nessa população4. Cerca de 80% dos pacientes terminais podem apresentar delirium antes de falecer¹. Dessa forma, é imprescindível que todo médico generalista saiba identificar e manejar esse quadro rapidamente. Fatores de Risco O delirium tem causa multifatorial – genética, iatrogênica, ambiental e fisiológicas -, mas pode ser desencadeada por fatores isolados². Além disso, os efeitos dos diversos fatores de risco parecem ser cumulativos, mas geralmente resolução de um desses fatores é suficiente para o controle do quadro³. O que você não pode esquecer é que o delirium tem relação direta com: Idade avançada – maior fator de risco;Tempo de internamento – intimamente ligado à imobilidade do paciente;Déficit cognitivo prévio, como demência;Desidratação;Gravidade da doença;Comorbidades, como perda visual e auditiva, infecção e fratura.   Sinais e sintomas O delírio envolve diversas funções cognitivas, como descritas abaixo¹: Estado mental: tipicamente se modifica em horas ou dias apresentando curso flutuante, fazendo importante diagnóstico diferencial com demências, mas nessa última a modificação é progressiva ao longo de meses. Portanto, saber o nível cognitivo prévio

Resumo: Atendimento pré-hospitalar | Ligas

Acidentes não têm dia e nem hora para acontecerem. Por isso, estar preparado para realizar um bom atendimento pré-hospitalar em um paciente politraumatizado é a melhor maneira de garantir maiores chances de sobrevida a ele. Com isso, manter-se atualizado nas diretrizes do atendimento pré-hospitalar permite que você esteja por dentro das novidades a cerca do assunto. Dessa forma, vamos esclarecer todos os pontos principais do atendimento pré-hospitalar. O atendimento pré-hospitalar essencialmente diz respeito a procedimentos que devem ser realizados na cena do acidente ou a caminho do hospital. Porém, muitos esquecem que o atendimento pré-hospitalar também inclui: a segurança de cena, a cinemática do trauma, o acionamento do serviço de emergência e, por fim, o XABCDE. O primeiro passo para um bom atendimento pré-hospitalar é garantir a segurança de cena. Tal ação é importante, para estabelecer um ambiente seguro para você, para sua equipe e também para seu paciente. Primeiramente, é necessário atentar-se a elementos externos à cena do trauma, como tráfego de veículos, fios elétricos soltos e desencapados, andaimes, máquinas funcionando e vazamento de gás. Além de todas essas situações, é valido ressaltar a importância de afastar curiosos e pessoas que estejam física e psicologicamente abalados com a cena, uma vez que eles podem distrair os socorristas e, com isso, prejudicar o atendimento do paciente.  O segundo passo para o atendimento consiste em avaliar a cinemática do trauma. Essa etapa é importante, já que permite o entendimento de como ocorreu o acidente e, a partir disso, raciocinar sobre os principais achados que poderão ser encontrados naquele paciente. Por exemplo, no caso de um acidente automobilístico envolvendo dois carros, o socorrista deve questionar as testemunhas do acidente sobre como

TNM-8: Um novo olhar sobre o estadiamento do câncer de mama | Colunistas

1.1 Epidemiologia do câncer O câncer é um grande desafio para a sociedade, devido a sua incidência mundial e a sua heterogeneidade de apresentação, fato que dificulta o tratamento e a cura. Segundo o panorama da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), em 2018, eram estimados cerca de 18 milhões de novos casos. Para entender essa complexa patologia, é preciso ter em mente que ela é resultado do acúmulo de mutações, que em certo momento, conseguem escapar ao controle do sistema imunológico do indivíduo originando o tumor, o qual apresenta a capacidade de manter a proliferação celular, além de inibir os supressores de crescimento, resistir à morte celular programada, aumentar a angiogênese local, bem como é capaz de realizar metástase, características que formam os “hallmarks” do câncer demonstrados na figura 1. FIGURA 1 Figura 1 – Hallmarks of cancer. (Hanahan e Weinberg, 2011) https://www.cell.com/fulltext/S0092-8674(11)00127-9 Nesse contexto, o câncer de mama merece elevada atenção, visto que este se encontra em segundo lugar no ranking de causas de morte por neoplasia no mundo, com porcentagem equivalente a 11,6% do total. Somente no Brasil, são esperados cerca de 60 mil novos casos dessa doença para o biênio 2018-2019, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Além disso, são fatores de risco conhecidos para a mulher, a idade acima dos 35 anos, hábitos de vida como o tabagismo, sobrepeso, fatores hormonais e exposição à radiação ionizante. 1.2 TNM-8 De forma a auxiliar a terapêutica do câncer de mama, utiliza-se um sistema de estadiamento denominado Tumor-Nódulo-Metástase (TNM), pelo qual avalia-se o tamanho do tumor primário (T), presença ou não de linfonodos acometidos (N) e presença ou ausência de metástase (M). A

Letícia Madureira Pacholak

2 min74 days ago
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