Hasselbach e os triângulos do reparo das hérnias inguinais | Colunistas

Famoso nas provas de residência, o triângulo de Hasselbach representa um conjunto de estruturas da região inguinal fundamental para a compreensão da fisiopatologia e tratamento das hérnias inguinais. Apesar dos holofotes repousarem em Hasselbach, em suma, é possível identificar cinco “triângulos” na região inguinal, bem como outros marcos anatômicos, que irão contribuir na condução e reparo desse agravo. Anatomia da Região Inguinal A região inguinal compreende-se entre a borda externa (lateral) do músculo reto abdominal, o ligamento inguinal e a linha imaginária que une as espinhas ilíacas ântero superiores, sendo assim, a própria região resulta em um triângulo (Figura 1). FIGURA 1. Região Inguinal. (Imagem modificada e retirada do Gray’s.) Se direcionarmos o estudo anatômico de forma ampla para a identificação de zonas susceptíveis à hérnias na parede abdominal inferior, é possível delimitar uma região ainda maior – o orifício miopectíneo. Tendo sido descrito em 1956 por Fruchaud, o orifício miopectíneo abarca a margem superior do púbis (no ligamento pectíneo), a margem lateral do músculo reto, o músculo psoas e o arco transversal. O ligamento inguinal divide o orifício em duas regiões: suprainguinal, na qual emergem as estruturas do canal inguinal, sendo o sítio das hérnias diretas e indiretas; e infrainguinal, por onde passam o canal femoral e suas estruturas vasculonervosas, logo, representando também a região de ocorrência das hérnias femorais (Figura 2). FIGURA 2. Orifício Miopectíneo. (Imagem traduzida pela autora e retirada do artigo de YANG, X. F. e  LIU, J. L., 2016) A importância de conhecer esta divisão de Fruchaud está na possibilidade de tratamento simultâneo de três tipos de hérnia diferentes, a partir, por exemplo, da instalação de uma

Marcella Araújo Pires

9 minhá 35 dias

Desenvolvimento neuropsicomotor na atenção primária: uma abordagem prática | Colunistas

O acompanhamento do desenvolvimento neuropsicomotor de crianças na atenção primária é fundamental para o diagnóstico precoce de condições que poderão ser tratadas precocemente e até mesmo revertidas. Além disso, no âmbito de saúde pública, estudos demonstram que a atuação precoce em alterações no desenvolvimento neuropsicomotor pode melhorar o prognóstico dessas crianças e economizar com os tratamentos necessários, caso o diagnóstico fosse tardio. Aqui, discutiremos uma abordagem prática a respeito do uso do Teste de Triagem de Desenvolvimento Denver II como teste de screening na atenção primária.  O atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, na literatura internacional, é tratado sob diversos termos, sendo os mais prevalentes global developmental delay e developmental delay. No Brasil, o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor vem sendo citado desde a década de 80. Dentre os principais fatores que predizem aumento do risco de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor estão: Prematuridade, principalmente grandes prematuros (≤1500g);Infecções intrauterinas (TORCHZ, HIV, parvovírus);Abuso de drogas, álcool e tabaco durante a gestação;Infecções peri e pós-natais (HIV, sepsis, meningite);Pequenos para idade gestacional (PIG), principalmente em menos de 34 semanas;Desnutrição (principalmente por carboidratos e proteínas);Pouca estimulação (uso abusivo de telas);Desajustes familiares (ex. pais com transtornos psiquiátricos). Diversos estudos colocam a interação entre fatores genéticos, biológicos e ambientais como influenciadores no desenvolvimento infantil. Fatores biológicos, por interferirem na maturação durante o período gestacional, podem interferir no desenvolvimento a curto e longo prazo. Já os fatores ambientais vêm sendo cada vez mais entendidos como influenciadores do desenvolvimento infantil e passíveis de intervenção, se diagnosticados precocemente; dentre tais fatores, destacam-se os fatores socioeconômicos. Um estudo realizado com crianças de Canoas/RS, que verificou a prevalência de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e possíveis associações com fatores ambientais e biológicos e fatores maternos em crianças de até

Weslei Douglas Leite

3 minhá 39 dias

Classificação de Ann Arbor para o estadiamento dos linfomas de Hodgkin e não Hodgkin | Colunistas

Se você já estudou sobre linfomas, com certeza já deve ter ouvido falar na classificação de Ann Arbor, mas não deve ter se aprofundado mais do que a divisão e características dos estágios. Bom, o sistema de classificação de Ann Arbor é o sistema de estadiamento do linfoma de Hodgkin e do linfoma não Hodgkin. Ele fornece informações que auxiliam na determinação de um prognóstico preciso, o que o torna essencial para as decisões terapêuticas dos pacientes diagnosticados com esses linfomas. História Falando um pouco da origem dessa classificação, sabe-se que o nome Ann Arbor derivou da cidade de Ann Arbor, no estado americano de Michigan, que foi o local onde o Comitê de Classificação de Estadiamento da Doença de Hodgkin se reuniu, em 1971, para desenvolver esse sistema de classificação. De início, esse sistema foi desenvolvido para o estadiamento apenas do linfoma de Hodgkin, mas depois passou também a ser utilizado para o linfoma não Hodgkin. O reconhecimento de que o sistema de classificação de Ann Arbor não subdivide alguns dos linfomas não Hodgkin de modo clinicamente útil, e o reconhecimento de que outros fatores também são importantes para a previsão dos resultados do tratamento, fez com que, em 1993, fosse desenvolvido o Índice de Prognóstico Internacional (IPI), criado justamente para auxiliar na previsão prognóstica de pacientes com linfoma não Hodgkin agressivo. Assim, atualmente recomenda-se a utilização desses dois sistemas para a avaliação prognóstica dos pacientes com diagnóstico de linfoma não Hodgkin. Sabendo-se que o sistema de estadiamento de Ann Arbor foi criado inicialmente para o linfoma de Hodgkin, alguns defeitos podem ser identificados para o estadiamento do linfoma não Hodgkin. Isso porque, em comparação com o linfoma de Hodgkin, em que o acometimento

Mariana Mendonça de Sá

4 minhá 56 dias

Atraso no desenvolvimento infantil | Colunistas

É cada vez mais comum a preocupação de mães com o desenvolvimento dos seus filhos. O excesso de bebês e crianças “prodígios” visto hoje, em especial nas redes sociais, parece trazer à tona angústias que antes não eram tão evidentes. De fato, seja porque o bebê da vizinha é mais novo e já come sozinho, seja porque a avó afirma que a criança já devia estar andando sem apoio, quase todos os dias os pediatras recebem a seguinte pergunta no consultório:  “Doutor, será que meu filho é normal?”. Em verdade, essas preocupações são extremamente válidas, e é imprescindível ao médico sempre acolher a angústia da mãe e avaliar corretamente a criança para notar possíveis alterações o mais precoce possível. Mas como definir se o desenvolvimento infantil está dentro da margem considerada normal ou se realmente há um atraso? 1.  Definição: Primeiramente, é preciso entender que desenvolvimento, de acordo com Marcondes et al., significa o aumento da capacidade do indivíduo em realizar funções cada vez mais complexas. Esse desenvolvimento neuropsicomotor é, em geral, dividido entre os campos motor, cognitivo, social e linguístico. Para a avaliação desses quesitos, existem os chamados marcos da infância, que demonstram a faixa etária esperada para que a criança apresente evoluções, como sentar sem apoio, balbuciar as primeiras palavras ou andar sozinha. Ressalta-se que esses marcos não são escalas rígidas, e sim apenas parâmetros de comparação nos quais, eventualmente, podem ser vistas leves alterações em algumas crianças. Entretanto, em casos de múltiplas variações e/ou de variações mais exageradas, deve-se reconhecer um atraso no desenvolvimento e investigar a sua causa. O chamado atraso de desenvolvimento pode ser de caráter transitório ou duradouro e pode ocorrer devido a fatores genéticos, pré-natais,

Beatriz Fonteles

5 minhá 56 dias

Quando devo pedir o PSA? | Colunistas

Damos início a mais um novembro azul e novamente aquela dúvida aparece: quando devemos pedir a dosagem de PSA (antígeno prostático específico)? Temos uma idade mínima para esses homens? E idade máxima? Alguns fatores de riscos são determinantes para esse pedido? Uma boa indicação desse exame pode salvar vidas, e neste texto vou te trazer todas as respostas. O que é o PSA? O antígeno específico da próstata (PSA) é o teste que revolucionou a detecção de câncer de próstata e tem sido usado desde 1994. Esse exame consiste em análise de uma amostra de sangue, submetida a uma técnica de radioimunoensaio. Com o diagnóstico facilitado, houve um grande aumento da descoberta dos casos ainda em estágio inicial, fazendo com que, consequentemente, aumentasse também as chances de cura. Atualmente, o PSA é o marcador mais utilizado para diagnóstico de câncer de próstata, porém tem baixa especificidade e, portanto, não determina o diagnóstico. É um marcador sensível a reações inflamatórias na região prostática e seu resultado positivo pode indicar outras doenças na próstata como a prostatite. Dessa forma, é considerado um exame inespecífico. A discussão de quando fazer o exame PSA ou não veio pelo aumento excessivo de diagnósticos de câncer de próstata. Esse aumento exacerbado fez com que aumentasse também o número de pacientes realizando tratamento de forma desnecessária em cânceres indolentes (não agressivos). Nesses casos, o homem submetido ao tratamento acaba sendo exposto a um risco de vida maior do que os benefícios com a terapêutica. E agora você deve estar se perguntando: então, o que devo fazer? Segundo a American Urological Association (AUA) e a American Cancer Society (ACS), o médico deve

Gabrielle Petranhski Caldas

3 minhá 56 dias

COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS | Colunistas

As complicações pós-operatórias estão relacionadas a diversos fatores, como estágio avançado da doença, erros técnicos no pré ou pós-operatório, natureza das patologias, dentre outros. No entanto elas podem ser prevenidas e minimizadas a partir do reconhecimento correto e de algumas condutas no período pré, peri ou pós-operatório. Nesse texto, abordarei as relevâncias de reconhecimento e conduta com feridas, infecções do sítio cirúrgico, complicações respiratórias e térmicas no pós-operatório.  Feridas cirúrgicas As feridas cirúrgicas possuem diversas etiologias. Entretanto o importante para o seu cuidado é reconhecer a forma de prevenção, evitando o acometimento do paciente, além do quadro clínico e tratamento, para que, caso as feridas ocorram, o manejo seja rápido e eficiente. Veja a seguir uma tabela sumarizando esses achados: FONTE: autoria própria Complicações respiratórias Quase todos os pacientes apresentam diminuição da capacidade residual funcional no pós-operatório. Isso pode ocorrer por conta de diversos fatores, tais como: distensão abdominal, incisão dolorosa no tórax, efeitos anestésicos, dentre outros. No entanto é necessário frisar alguns acometimentos importantes que urgem intervenção médica.  Pneumonia Conceito: infecção de parênquima pulmonar. Quadro clínico: paciente cursa com febre alta, confusão mental, secreção espessa com tose, leucocitose e radiografia de tórax com infiltrados. Tratamento: iniciar fisioterapia respiratória, enviar escarro para cultura e administrar antibioticoterapia de amplo espectro. Quando os resultados da cultura estiverem disponíveis, deve-se iniciar terapia específica. Atelectasia Conceito: colabamento alveolar. Quadro clínico: febre baixa e murmúrios vesiculares diminuídos ou abolidos na porção inferior do pulmão. Tratamento: fisioterapia respiratória. Tromboembolismo Pulmonar Conceito: presença de um trombo

João Lima

3 minhá 56 dias
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