Melanoma: o que o médico não especialista deve saber | Colunistas

O melanoma é o tipo de câncer de pele mais fatal que existe, apesar de não ser o mais comum, estando bem atrás do carcinoma basocelular e do espinocelular. Tendo em vista que os exames de triagem oncológica objetivam o diagnóstico precoce de uma doença e consequentemente a melhora sobrevida do paciente, vale a pena considerar o melanoma como um dos tumores que devem ser checados rotineiramente. Entretanto, a chance de ter melanoma é maior em pacientes sabidamente de risco e é por isso que devemos orientar todos os profissionais de saúde sobre as principais particularidades desse tumor. A incidência do melanoma ainda é baixa, mas está aumentando a cada década. No Brasil, em 2016, foram estimados aproximadamente 5.700 casos novos e o número é crescente. Quando pensamos em exames de rastreio, temos que ter em mente quais os danos que esses exames podem causar e se os benefícios realmente superam os riscos e realmente trazem um aumento da sobrevida do paciente. O risco maior é a detecção de achados falso positivos, o que vai levar o paciente a um número desnecessário de intervenções, biópsias e o risco inerente ao procedimento cirúrgico. Para uma prática consciente e benéfica em relação ao custo, o ideal é avaliar primeiramente o risco do paciente e aí, sim, sugerir ou não um exame de rotina com um dermatologista. O diagnóstico do melanoma só pode ser firmado pela análise histológica após uma biópsia de pele, de preferência excisional e com margens mínimas de 2mm. A confirmação da origem celular do tumor é feita por imuno-histoquímica com marcadores de melanócitos, como o HMB45 e o melan A. O maior objetivo da biópsia é, detectando o melanoma, permitir a análise do Breslow, que

Amália Pires

5 min6 days ago

ANEMIA POR DEFICIÊNCIA DE FERRO | Colunistas

Fonte da imagem: https://www.pinterest.ca/pin/545217098643424041/ É de conhecimento que o ferro é um mineral necessário em quantidades mínimas diárias para a manutenção regular do metabolismo e para o funcionamento adequado das células. Geralmente, a deficiência de ferro é uma das principais causas de anemia, sendo essa, portanto, definida por um número reduzido de hemácias circulantes. Esse número torna-se insuficiente para atender as necessidades fisiológicas do corpo, isso porque o referido mineral atua como um elemento estrutural do grupo heme da hemoglobina, que é responsável pelo transporte de oxigênio e gás carbônico no sangue. Registra-se, ainda, que a baixa disponibilidade de ferro tem efeitos severos para a saúde, principalmente para mulheres grávidas e crianças, bem como se configura como um problema que gera consequências sociais e econômicas.             Além de atuar como elemento estrutural da hemoglobina, o ferro tem papel importante na transferência de elétrons para algumas enzimas, por exemplo, naquelas que atuam como neutralizantes de radicais de oxigênio. Ainda, deve-se ressaltar sua importância em processos metabólicos como na síntese de colágeno e de neurotransmissores.             Esse mineral é encontrado em diversos alimentos consumidos no dia a dia. Desse modo, uma alimentação balanceada é fundamental para que a suplementação de ferro seja adequada. Podem-se destacar como suas fontes: as carnes vermelhas, além das carnes de aves, suínos, peixes e mariscos; vísceras, como fígado e miúdos; hortaliças folhosas verde-escuras, como couve e espinafre; leguminosas, como feijão e lentilha. Ademais, é usual a recomendação de ingestão de alimentos ricos em ferro acompanhados, por exemplo, de laranja, que é uma fruta cítrica, já que o ferro, na presença de ácido ascórbico, glicose e alguns outros aminoácidos, é mais bem absorvido, na medida em que é reduzido para o estado ferroso. Isso pode ser empregado, inclusive,

Ana Zinato

4 min6 days ago

Critérios de Killip | Colunistas

Proposta em 1967, a classificação começou como uma ferramenta para a estratificação do risco de morte em pacientes com provável infarto agudo do miocárdio (IAM). Elaborada por Thomas Killip III e John T. Kimball, a escala baseava-se no exame-físico do paciente à beira do leito e tinha como objetivo determinar quais indivíduos poderiam se beneficiar do atendimento em unidades coronárias (UCO). A estratificação de risco pós-infarto agudo do miocárdio (IAM) visa prever os eventos adversos e estabelecer o prognóstico de forma sistematizada. A pontuação tem como base as informações obtidas durante a anamnese e o exame físico, observando-se possíveis sinais de insuficiência cardíaca e riscos de instabilidade hemodinâmica. Sua finalidade é compor o quadro do paciente com maior risco de morrer dentro dos primeiros 30 dias após o evento isquêmico. Resumidamente, é um índice de gravidade de insuficiência cardíaca em pacientes após episódio de infarto agudo do miocárdio. Junto de outras escalas de avaliação, configura como um importante instrumento na hora de monitorar o paciente. 1.     Estudo Original O estudo clássico contou com 250 casos suspeitos de infarto agudo do miocárdio. Os pacientes foram admitidos na Unidade Coronariana (UCO) de um hospital universitário dos Estados Unidos. Os casos foram estratificados da seguinte maneira: Killip I: 81 pacientes (33%) sem sinais de descompensação cardíaca;Killip II: 96 pacientes (38%) com estertores crepitantes pulmonares, terceira bulha e pressão venosa jugular elevada;Killip III: 26 pacientes (10%) com edema pulmonar agudo (EAP);Killip IV: 47 pacientes (19%) com choque cardiogênico ou hipotensão arterial (medida como PAS < 90mmHg) e evidência de vasoconstrição periférica (oligúria, cianose ou diaforese). Índice de mortalidade de 6%; 17%; 38% e 81%, respectivamente. Esta escala

Illana Machado Braga

3 min6 days ago

As principais complicações pós-operatórias e como manejá-las | Colunistas

Mesmo sendo empregados uma técnica adequada e um procedimento cirúrgico correto, as complicações decorrentes dos procedimentos cirúrgicos ainda preocupam muitos cirurgiões e dependem de diversos fatores. Essas complicações podem estar relacionadas a problemas de termorregulação, gastrointestinais, pulmonares e cardiovasculares. Febre é uma das complicações pós-cirúrgicas mais comuns, exigindo que os atendentes sejam capazes de distinguir uma resposta fisiológica normal à cirurgia de uma patológica, que pode ser infecciosa ou não infecciosa. É encontrada em cerca de 25% dos pacientes submetidos a procedimentos de médio porte. Qualquer tipo de cirurgia causa significativa lesão tecidual e inflamação. Essa resposta inflamatória natural é ocasionada por uma cascata de citocinas, liberadas por macrófagos e por células endoteliais, que, uma vez na corrente sanguínea, agem no hipotálamo, elevando a produção de prostaglandina, que aumenta a temperatura média de termorregulação. O tipo de cirurgia, a presença de infecção sintomática ou subclínica, o uso de drogas, de hemoderivados, de dispositivos invasivos, evidências de síndromes inflamatórias ou infecciosas são características que podem auxiliar na diferenciação de um evento febril fisiológico de uma condição patológica. Além disso, o tempo de seu aparecimento, direciona o diagnóstico, pois a provável etiologia está relacionada ao número de dias decorridos desde a operação. A principal causa de febre nas primeiras 72 horas é a atelectasia pulmonar, estando relacionada com anestesia geral e com cirurgias abdominais altas. Atualmente, avalia-se a atelectasia como um evento que ocorre concomitantemente à febre, e não a sua causa direta. Após 72 horas e, principalmente, do 5º ao 8º dia de pós-operatório, alerta-se para possibilidade de eventos mais graves, geralmente de origem infecciosa. (MADAY et al., 2016)             As complicações da ferida operatória estão entre as mais

Antônio Freitas

4 min6 days ago

Suplementação em crianças: quando é necessária? | Colunistas

Devido ao rápido crescimento e desenvolvimento infantil, as crianças representam um grupo de vulnerabilidade para deficiências de macro e micronutrientes e, apesar da grande carga de conhecimento que temos atualmente, este é um tema amplamente discutido sem verdade absoluta. O crescimento cerebral, que tem seu pico a partir do terceiro trimestre de gestação até os dois anos de vida, é resultado de intensa neurogênese, acompanhada de mielinização e sinaptogênese. Uma falha na oferta nutritiva nesta fase de neurodesenvolvimento pode causar consequências a longo prazo, como a ocorrência de doenças crônico-degenerativas. Uma criança “saudável” (e com isso quero dizer sem causas aparentes de desnutrição ou doença) teoricamente não necessitaria de suplementação, mas existem outros fatores que influenciam suas indicações, como: tipo de dieta, local onde vive e atividades diárias. O leite materno contém baixas concentrações de vitamina K, vitamina D e ferro, sendo motivo para o Departamento de Nutrologia da SBP fazer recomendações referentes a esses nutrientes. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) prioriza a suplementação das vitaminas A e D e dos minerais iodo, zinco e ferro, os quais estão associados à maior deficiência devido ao alto impacto social destes em todo o mundo. Recomendações 2.1.  Vitamina D             A deficiência de vitamina D é muito frequente em todo o mundo e muito comum em lactentes, crianças e adolescentes no Brasil. Apresenta papel crucial na saúde óssea, e, além disso, estudos apontam que a hipovitaminose D pode estar associada a várias comorbidades, como: diabetes melito tipo 1, asma, dermatite atópica, alergia alimentar, doença inflamatória intestinal, artrite reumatoide, doença cardiovascular, esquizofrenia, depressão e variadas neoplasias (mama, próstata, pâncreas, cólon). A Sociedade Brasileira de

Stephanie Seif

5 min16 days ago

Escore CURB-65: quando internar o paciente com pneumonia? | Colunistas

As pneumonias são processos infecciosos causados por vírus, bactérias ou fungos que acometem os bronquíolos e alvéolos. A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é definida como um processo infeccioso pulmonar adquirido fora do ambiente hospitalar ou que surja em até 48 horas de uma internação e responde pela grande parte dos casos de pneumonia. Trata-se de uma das doenças mais frequentes na rotina médica e pode necessitar de internação hospitalar para tratamento e recuperação. É importante lembrar que pacientes que desenvolvem quadros de pneumonia relacionados à hospitalização prévia (por mais de 2 dias, nos 90 dias anteriores); provenientes de asilos ou casas de saúde; que receberam, nos últimos 30 dias, antibiótico por via endovenosa, quimioterapia, tratamento de escaras; ou que fazem diálise ambulatorial são, atualmente, definidos como pneumonia associada aos cuidados de saúde e apresentam diferenças quanto à etiologia e ao tratamento. A incidência varia de 5 a 12 casos por 1000 indivíduos por ano. É um condição com alto potencial de morbimortalidade, sendo a principal causa infecciosa que leva ao óbito. Atualmente, percebe-se que a os casos graves estão em ascensão devido ao envelhecimento da população. A internação de pacientes com PAC pode chegar até 50% dos casos. Entretanto, sabemos que uma parte significativa desses pacientes não necessita realmente de internação e, assim, poderiam ser evitadas, diminuindo os custos para o sistema de saúde e os riscos de infecção intra-hospitalar para o paciente internado. Por outro lado, tratar pacientes graves sem a devida cautela pode ser fatal. O diagnóstico da pneumonia é feito pela presença de tosse e combinada com outros sintomas: expectoração, dispneia, dor torácica, sintomas gerais, sudorese, calafrios, febre ou mialgias. Além disso, a evidência de opacidade pulmonar em algum

Welberth Fernandes

3 min16 days ago
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