Existe “leite fraco” ou “pouco leite” quando falamos em amamentação? | Colunistas

Provavelmente você já ouviu aquela avó ou aquela tia falando que a fulaninha estava com “pouco leite” ou que ela tinha um “leite fraco” para o bebê. Em geral, as mulheres têm condições biológicas suficientes para uma produção de leite maior do que a demanda do bebê, porém, é muito comum a percepção errada das mães sobre isso. Muitas vezes, por conta de insegurança, desconhecimento comportamental de um bebê, que mama muito, e até mesmo por comentários negativos, as mães acreditam que seu leite não é o ideal e acabam complementando a alimentação do filho, chegando até a abandonar a amamentação.Algo que é bom para a indústria de fórmulas de leite, mas interfere na produção de leite materno devido a menor sucção das mamas. Como a lactação acontece? No início, a lactogênese… Quando a mulher está grávida, ocorre um processo de preparo da glândula mamária para lactação, denominado lactogênese. Nesse momento há uma imensa produção hormonal, sobretudo de estrógenos, a qual estimula o crescimento dos ductos e aumenta a síntese de receptores para prolactina. A progesterona também estimula o crescimento alveolar, porém inibe a síntese de leite. Dessa maneira, as mamas são muito estimuladas, mas a produção do leite necessita de outros fatores. Após o parto, com a retirada da placenta, esses hormônios param de ser produzidos, então outros hormônios passam a atuar nas mamas e colaborar para a lactação: prolactina, glicocorticoides, GH, GF e insulina. A prolactina é um hormônio produzido pela adeno-hipófise e é importantíssima no processo de lactação, visto que estimula a síntese de caseína, a principal proteína do leite, e de lactalbumina, importante para a síntese de lactose. Outro hormônio importante para a síntese de caseína e lactalbumina é o cortisol.

Beatriz Joia

7 minhá 83 dias

Profilaxia pré-exposição (PrEP) como prevenção ao HIV | Colunistas

A profilaxia pré-exposição (PrEP) surgiu como nova ferramenta de prevenção à infecção pelo vírus HIV, sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, responsável por gerar AIDS. O HIV infecta e ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. Depois de se multiplicar, o vírus rompe os linfócitos e se dissemina. Apesar de incurável e dos incessantes estudos na área, o HIV tem tratamento eficaz através da terapia antirretroviral (TARV), conseguindo manter níveis indetectáveis do vírus no organismo. Para cessar a cadeia de transmissão do vírus, o uso de preservativo é extremamente eficaz. Além dele, estudos recentes vêm mostrando eficácia através da PrEP, método que utiliza uma via farmacológica para impedir que o vírus invada as células e inicie seu processo de infecção. Nesta publicação, o leitor poderá ter acesso às mais importantes informações sobre esse tema tão atual e importante.  O que é a PrEP? A profilaxia pré-exposição (PrEP) como prevenção ao HIV consiste em um recente e seguro método de prevenção à infecção pelo HIV. Consiste no uso preventivo de medicamentos antirretrovirais antes da exposição sexual ao vírus, para reduzir a probabilidade de infecção pelo HIV caso ocorra o contato. Desse modo, impede que o vírus causador da AIDS infecte o organismo, criando mecanismos de defesa. Além da prevenção, contribui para a promoção de uma vida sexual mais saudável e segura. Como a PrEP atua no organismo? A PrEP resulta da combinação de dois medicamentos (tenofovir + entricitabina) em um único comprimido. O princípio ativo desses medicamentos bloqueia algumas importantes vias de acesso celular que HIV usa para infectar as células. Desse modo, o vírus não encontra

Adriano Gutemberg

7 minhá 117 dias

Derrame pleural: critérios de Light | Colunistas

O que é derrame pleural? O derrame pleural pode ser definido como o acúmulo excessivo de líquido no espaço pleural, meio localizado entre os dois folhetos pleurais pulmonares: a pleura visceral e a pleura parietal. Fisiologicamente, este espaço virtual deve estar preenchido por uma fina camada de líquido que serve como camada de acoplamento entre pulmão e parede torácica e, quando a taxa de produção deste líquido é maior do que sua drenagem, o derrame pleural se desenvolve. Esse processo é caracterizado por quadros de dispneia progressiva, dor pleurítica e tosse. A análise diagnóstica dessa condição deve ser realizada por meio da clínica, da imagem e de exames laboratoriais. O exame laboratorial do líquido pleural pode incluir a análise de elementos não proteicos (como a coloração, pH e glicose) e proteicos (como LDH, proteínas, amilase, adenosina deaminase, PCR e interferon-gama). Derrame pleural transudativo x derrame pleural exsudativo O derrame pleural possui múltiplas etiologias e, assim sendo, após ser diagnosticado, é importante determinar sua causa e classificá-lo em transudativo ou exsudativo. Derrame transudativo: é formado em situações onde os fatores sistêmicos que determinam a absorção e produção do líquido pleural estão alterados. O transudato é um líquido pobre em proteínas, sendo sua causa pelo aumento da pressão hidrostática ou redução das proteínas plasmáticas. Logo, ocorre em derrames pleurais cujas causas podem ser: insuficiência cardíaca congestiva, cirrose, embolia pulmonar, síndrome nefrótica, diálise peritoneal, obstrução de veia cava superior, mixedema e urinotórax.Derrame exsudativo: forma-se em quadros nos quais os fatores locais que determinam a absorção e produção do líquido pleural estão alterados. Esse líquido é rico em proteínas, debris celular e leucócitos, sendo produzido como reação a danos nos tecidos

Thalita Cely Barbosa

4 minhá 119 dias

Deficiência de Folato: entendendo os conceitos básicos | Colunistas

Sendo um tipo de vitamina B (B9), a deficiência do ácido fólico possui consequências semelhantes aos da vitamina B12, como a anemia megaloblástica, que é a mais comum, todavia com ausência de sinais neurológicos. Em geral, é causada pela desnutrição, alcoolismo crônico, síndrome da má absorção, uso de antagonistas de folato, além de erros inatos do metabolismo deste. Apesar de ter tido uma queda devido à diminuição de carência nutricional, ainda se vê na clínica, especialmente em gestantes de classes mais pobres. Na fase inicial, tanto a hemoglobina quanto o volume corpuscular são normais; já na fase grave, indivíduos apresentam anemia sintomática e pancitopenia (diminuição de todas as três linhagens de células sanguíneas). FONTE: https://www.shutterstock.com/ru/image-vector/effect-anemia-on-skin-blood-flow-734614765 Fisiopatologia Ácido fólico ou pteroilglutâmico é amarelo, termoestável e fotossensível. A absorção é feita nos enterócitos do intestino delgado, além de alcançar, pela veia porta, o fígado, porém na forma 5-metiltetraidropteroilglutamato devido a oxidação, sendo este seu maior reservatório, mas seu estoque é curto. Seus sinais podem vir a surgir após 5 meses do começo da perda. Participa na biossíntese das purinas, timina, serina e histadina. A anemia megaloblástica se desenvolve mais rapidamente quando comparada à deficiência de B12. Na fase aguda, a língua se torna mais avermelhada e dolorida; já na crônica, temos a hipotrofia das papilas. Na gestação se explica devido ao folato ser essencial para a síntese de DNA na embriogênese, causando, assim, problemas com o fechamento do tubo neural. Onde o folato está presente? O folato está presente em alimentos como vegetais de folhas verde-escuras, frutas e legumes, além de estar presente na sua forma sintética em produtos de

Milena Abra

4 minhá 119 dias

Hasselbach e os triângulos do reparo das hérnias inguinais | Colunistas

Famoso nas provas de residência, o triângulo de Hasselbach representa um conjunto de estruturas da região inguinal fundamental para a compreensão da fisiopatologia e tratamento das hérnias inguinais. Apesar dos holofotes repousarem em Hasselbach, em suma, é possível identificar cinco “triângulos” na região inguinal, bem como outros marcos anatômicos, que irão contribuir na condução e reparo desse agravo. Anatomia da Região Inguinal A região inguinal compreende-se entre a borda externa (lateral) do músculo reto abdominal, o ligamento inguinal e a linha imaginária que une as espinhas ilíacas ântero superiores, sendo assim, a própria região resulta em um triângulo (Figura 1). FIGURA 1. Região Inguinal. (Imagem modificada e retirada do Gray’s.) Se direcionarmos o estudo anatômico de forma ampla para a identificação de zonas susceptíveis à hérnias na parede abdominal inferior, é possível delimitar uma região ainda maior – o orifício miopectíneo. Tendo sido descrito em 1956 por Fruchaud, o orifício miopectíneo abarca a margem superior do púbis (no ligamento pectíneo), a margem lateral do músculo reto, o músculo psoas e o arco transversal. O ligamento inguinal divide o orifício em duas regiões: suprainguinal, na qual emergem as estruturas do canal inguinal, sendo o sítio das hérnias diretas e indiretas; e infrainguinal, por onde passam o canal femoral e suas estruturas vasculonervosas, logo, representando também a região de ocorrência das hérnias femorais (Figura 2). FIGURA 2. Orifício Miopectíneo. (Imagem traduzida pela autora e retirada do artigo de YANG, X. F. e  LIU, J. L., 2016) A importância de conhecer esta divisão de Fruchaud está na possibilidade de tratamento simultâneo de três tipos de hérnia diferentes, a partir, por exemplo, da instalação de uma

Marcella Araújo Pires

9 minhá 119 dias

Desenvolvimento neuropsicomotor na atenção primária: uma abordagem prática | Colunistas

O acompanhamento do desenvolvimento neuropsicomotor de crianças na atenção primária é fundamental para o diagnóstico precoce de condições que poderão ser tratadas precocemente e até mesmo revertidas. Além disso, no âmbito de saúde pública, estudos demonstram que a atuação precoce em alterações no desenvolvimento neuropsicomotor pode melhorar o prognóstico dessas crianças e economizar com os tratamentos necessários, caso o diagnóstico fosse tardio. Aqui, discutiremos uma abordagem prática a respeito do uso do Teste de Triagem de Desenvolvimento Denver II como teste de screening na atenção primária.  O atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, na literatura internacional, é tratado sob diversos termos, sendo os mais prevalentes global developmental delay e developmental delay. No Brasil, o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor vem sendo citado desde a década de 80. Dentre os principais fatores que predizem aumento do risco de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor estão: Prematuridade, principalmente grandes prematuros (≤1500g);Infecções intrauterinas (TORCHZ, HIV, parvovírus);Abuso de drogas, álcool e tabaco durante a gestação;Infecções peri e pós-natais (HIV, sepsis, meningite);Pequenos para idade gestacional (PIG), principalmente em menos de 34 semanas;Desnutrição (principalmente por carboidratos e proteínas);Pouca estimulação (uso abusivo de telas);Desajustes familiares (ex. pais com transtornos psiquiátricos). Diversos estudos colocam a interação entre fatores genéticos, biológicos e ambientais como influenciadores no desenvolvimento infantil. Fatores biológicos, por interferirem na maturação durante o período gestacional, podem interferir no desenvolvimento a curto e longo prazo. Já os fatores ambientais vêm sendo cada vez mais entendidos como influenciadores do desenvolvimento infantil e passíveis de intervenção, se diagnosticados precocemente; dentre tais fatores, destacam-se os fatores socioeconômicos. Um estudo realizado com crianças de Canoas/RS, que verificou a prevalência de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e possíveis associações com fatores ambientais e biológicos e fatores maternos em crianças de até

Weslei Douglas Leite

3 minhá 124 dias
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