Como identificar e manejar Desconforto Respiratório no recém-nascido | Colunistas

Também conhecida como Doença da Membrana Hialina, a Síndrome do Desconforto Respiratório do recém-nascido (RN) pode ser definida segundo Miyoshi e Guinsburg (2009) como o conjunto de alterações fisiopatológicas causadas pela deficiência de surfactante alveolar, que acarreta uma imaturidade do parênquima pulmonar, especificamente dos alvéolos, pois há um colapso alveolar que gera um desconforto respiratório evidente já nas primeiras horas pós-parto no RN. Essa condição está relacionada a outras complicações na vida extraútero, causadas por uma má adaptação do feto e pela imaturidade correlacionada de outros órgãos. É umas das principais causas de morbidade nesses pacientes e é mais comum em neonatos com menos de 34 semanas, havendo relação direta do grau de pramaturidade com o grau de intensidade dos sintomas, de gestação e filhos de mães diabéticas (YADAV, GIRI. 2019). No atual contexto da pandemia de COVID-19, Rasmussenet al (2020) indicaram que, em gestantes contaminadas com o Sars-CoV-2, há maior chance de RNs prematuros desenvolverem SDR, podendo progredir para displasia broncopulmonar. Surfactante é uma substância produzida pelos pneumócitos tipo II, que forma uma bicamada lipídica sobre a superfície interna dos alvéolos. Essa camada reduz a atração entre moléculas na interface ar-líquido do alvéolo, reduzindo a tensão superficial e estabilizando o alvéolo ao final da expiração. Quando há deficiência dessa substância, há o aumento da tensão superficial, que resulta no colapso alveolar e, consequentemente, na diminuição da capacidade respiratória do pulmão (KING et al. 2020). A apresentação clínica normalmente se dá com taquipneia, com frequência respiratória superior a 60 incursões por minuto, podendo haver também grunhidos, cianose, batimento de asa de nariz, retração subcostal e intercostal. Percebe-se a inespecificidade dos achados, o que torna a condição de difícil diagnóstico, devendo haver diferenciação de outras causas pulmonares, como taquipneia transitória do RN,

Antônio Freitas

3 minhá 66 dias

Divertículo de Meckel: tudo o que você precisa saber | Colunistas

1. Definição O divertículo de Meckel, também conhecido como divertículo ileal, é caracterizado como um divertículo verdadeiro, sendo uma anormalidade congênita, descrita como a mais comum do sistema gastrointestinal. Um divertículo, geralmente possui um formato parecido com um saco ou com uma bolsa que realiza uma evaginação para fora de uma estrutura tubular. Por sua vez, um divertículo verdadeiro é aquele que possui todas as camadas da estrutura a qual ele se projeta. Durante o desenvolvimento intraútero, ocorre o ligamento entre a parte média do intestino e o saco vitelino, conhecido como ducto onfalomesentérico. Se por volta da quinta ou sexta semana do desenvolvimento, esse ducto não regredir é originado o divertículo de Meckel, possuindo todas as camadas do intestino, a mucosa, submucosa e muscular. Ademais, em alguns casos, também pode ser encontrado vestígios de tecidos ectópicos, no qual os principais são tecidos gástricos e pancreáticos. Em sua constituição, o divertículo de Meckel é formado por um conduto aberto na parte referente ao intestino e fechado acima do conduto aberto, continuando até a cicatriz umbilical. A localização desse divertículo é relativamente variável, sendo encontrado na borda assimétrica do íleo, podendo variar de 40 a 180cm da válvula ileocecal. Contudo, na grande maioria dos casos, a distância é por volta de 90 a 100cm da válvula. 2. Epidemiologia  As malformações que envolvem o sistema gastrointestinal respondem por cerca de 6% do total de anormalidades congênitas. Como já foi relatado, o divertículo de Meckel é a anormalidade congênita gastrointestinal mais comum, podendo ser encontrada em 1% a 4% da população geral. A sua prevalência é maior em pessoas do sexo masculino do que em mulheres. É a causa

Allison Diego Bezerra

4 minhá 68 dias

Escore de Atlanta – Pancreatite Aguda | Colunistas

A anatomia e fisiologia das vias biliares e do pâncreas começaram a ser descritas por pesquisadores ao final do século XVI, e sua pesquisa se estendeu até início do século XX. Em 1989 comemorou-se o centenário dos estudos iniciais de Reginald H. Fitz, médico norte-americano que se dedicou a caracterizar, dentre outras patologias, a pancreatite aguda. Seu trabalho é responsável por parte dos conhecimentos que temos hoje sobre esta doença. Imagem 1: Reginald H. Fitz Fonte: Pannala R., Kidd M., Modlin I. M.. Acute Pancreatitis A Historical Perspective. Pancreas &Volume 38, Number 4, May 2009. Definição e Etiologia A pancreatite aguda se caracteriza por um processo inflamatório agudo do pâncreas, podendo envolver tanto áreas peripancreáticas quanto sistemas de órgãos mais remotos. Os principais fatores etiológicos são: • Colelitíase; • Etilismo; • Hipertriliceremia; • Após Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE); • .Uso de drogas; • Causas autoimunes; • Fatores hereditários; • Trauma; • Infecções; • Hipercalcemia; • Pós–operatório. Imagem 2: áreas peripancreáticas Fonte: https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/pancreas Patogenia A patogenia da Pancreatite aguda ainda não está bem definida. De acordo com a bibliografia, as taxas de hospitalização aumentam com a idade, com predomínio entre indivíduos do sexo masculino e afrodescendentes. O risco de pancreatite aguda também aumenta em cerca de quatro vezes na presença de cálculos de diâmetro inferior a 5mm. Patologicamente, a pancreatite varia desde pancreatite intersticial (perfusão preservada) até pancreatite necrosante (isquemia). A teoria atualmente aceita é

Illana Machado Braga

4 minhá 68 dias

Escorbuto – por que a carência de vitamina C afeta a síntese de colágeno?| Colunistas

HISTÓRICO O escorbuto não é uma doença dos dias de hoje: há relatos com descrição da moléstia entre os egípcios, com sua datação mais antiga em 1505 a.C. Embora tenha sido endêmico sobre essa população por um longo tempo, o escorbuto ganhou evidência no final da idade média, na época das grandes navegações. Observou-se, naquela época, que os marinheiros que permaneciam por longo tempo em alto mar voltavam com sintomas como fadiga, perda de apetite, sonolência, palidez, falta de energia nos membros e articulações, irritabilidade, deformidade dentárias, cicatrização lenta de pequenos ferimentos e presença de pequenas hemorragias. Bem mais tarde, em 1950, descobriu-se que tal moléstia era causada pela deficiência de vitamina C – conhecida também como ácido ascórbico – o que justificava a alta incidência nessa população, que tinha uma alimentação extremamente pobre em alimentos que continham em sua composição o ácido ascórbico, como as frutas e vegetais frescos. EPIDEMIOLOGIA Atualmente, a doença é rara. A partir do momento em que a causa da doença foi identificada, tornou-se possível o tratamento, que é barato e fácil. É mais comum em países em desenvolvimento, nos quais existe uma grande parcela da população em situação de extrema pobreza e deficiência nutricional. Estima-se que entre refugiados, a incidência pode chegar a até 45%. Alguns fatores de risco estão relacionados com o desenvolvimento do escorbuto, dentre eles podemos listar: Pacientes com perturbações mentais;Maus hábitos alimentares;Idosos que moram sozinhos e sem assistência;Alcoolismo – Devido ao aumento da excreção renal de vitamina C;Pacientes portadores de transtornos alimentares;Pacientes com má absorção intestinal;Pacientes dialíticos. FISIOPATOLOGIA Para entender a fisiopatologia da doença, primeiro você precisa entender o que é o ácido ascórbico

Polyana da Conceição

4 minhá 70 dias

Síndrome da Criança Espancada: papel do médico frente à violência infantil| Colunistas

Derivada de diversos fatores e manifestada de diferentes formas, a violência cometida contra crianças é um problema de expressiva importância, não só na sociedade atual, mas ao longo de toda a história. Uma de suas manifestações foi denominada Síndrome da Criança Espancada, definida como aquela em que a criança é vítima de deliberado trauma físico não acidental provocado por uma ou mais pessoas responsáveis por seu cuidado. As consequências para a vítima são, em geral, muito danosas. Convergem para sequelas físicas e psíquicas, que impactam em seu convívio social e em seus comportamentos, devido o período de desenvolvimento neuropsicomotor no qual essa faixa etária se encontra. Entenda a importância do médico no combate a esse problema e como você deve proceder diante da suspeita de maus tratos identificada no contato com os pacientes. Violência infantil ao longo da história Em determinados momentos, houve legitimação e até legalização dos maus tratos infantis. No século XIII a.C., na civilização hebraica, vigorou uma lei que castigava filhos considerados rebeldes, com penas que poderiam chegar ao apedrejamento, a depender da decisão do conselho, que intervia quando os pais não conseguiam cumprir os atos instruídos. Já no império greco-romano, o infanticídio era comum contra crianças portadoras de deficiências ou, simplesmente, indesejadas e indisciplinadas. Além de parte dos instrumentos jurídicos, muitas crenças também retratam crianças como seres inferiores e relatam casos de violência: no catolicismo, Abraão quase sacrificou seu filho, no Gênesis; na mitologia grega, Crono, pai de Zeus, matou seus cinco primeiros filhos; no México, os nativos ofereciam a vida de crianças aos deuses em troca de uma boa colheita. Por sua vez, o teólogo Santo Agostinho difundia a ideia de que elas eram um símbolo da força

Camila de Maria Ferreira

5 minhá 70 dias

Ultrassom morfológica: a importância dos exames de imagem | Colunistas

As futuras mamães passam por uma longa jornada no processo chamado gravidez, pois além de alterações fisiológicas, ocorrem modificações em sua rotina habitual: alterar hábitos alimentares e sociais, visitas à médicos estão entre possíveis novas atividades. Durante a gravidez, o ultrassom está entre os exames mais aguardados pelas gestantes e toda a família. Além de permitir um contato maior com seu filho e a construção de memórias durante a gestação, a ultrassonografia tem como principal objetivo avaliar a formação e o desenvolvimento do bebê. A ultrassonografia morfológica, permite, quando realizada no momento adequado, avaliar as estruturas fetais e assim possibilitar a descoberta precoce de malformações e síndromes fetais, além de indicar condições de saúde que possam exigir uma investigação mais profunda, por meio de outros exames mais específicos, e um acompanhamento mais rigoroso da gestação. Desse modo, é de imensa importância realizar esse exame, afim de obter informações para um acompanhamento da gestação, com o intuito de proporcionar uma maior segurança à mamãe e ao bebê. O que é ultrassom morfológica? Também chamado de ultrassonografia e ecografia, o ultrassom é um exame de imagem realizado por um transdutor, que o médico encosta na pele da pessoa e que emite e capta ondas sonoras por meio do contato com o corpo humano. Com base nessa avaliação, imagens são formadas e investigadas por um médico. Entretanto, o aparelho para realizar a USGm tem uma maior resolução se comparado, por exemplo, com a máquina de um ultrassom mais “convencional” (exemplo: USG transvaginal). Quando fazer? No primeiro trimestre, este exame é realizado entre 11 semanas e 3 dias e 13 semanas e 6 dias, mais precisamente quando o bebê estiver medindo entre 45mm e 84mm de comprimento da cabeça à nádega.

Isael Silva

3 minhá 70 dias
Filtrar conteúdos
Filtrar conteúdos
Materiais
Áreas
Ciclos da medicina
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.