Ciclo Clínico

Classificação de Ann Arbor para o estadiamento dos linfomas de Hodgkin e não Hodgkin | Colunistas

Classificação de Ann Arbor para o estadiamento dos linfomas de Hodgkin e não Hodgkin | Colunistas

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Mariana Mendonça de Sá

6 minhá 5 dias

Se você já estudou sobre linfomas, com certeza já deve ter ouvido falar na classificação de Ann Arbor, mas não deve ter se aprofundado mais do que a divisão e características dos estágios. Bom, o sistema de classificação de Ann Arbor é o sistema de estadiamento do linfoma de Hodgkin e do linfoma não Hodgkin. Ele fornece informações que auxiliam na determinação de um prognóstico preciso, o que o torna essencial para as decisões terapêuticas dos pacientes diagnosticados com esses linfomas.

História

Falando um pouco da origem dessa classificação, sabe-se que o nome Ann Arbor derivou da cidade de Ann Arbor, no estado americano de Michigan, que foi o local onde o Comitê de Classificação de Estadiamento da Doença de Hodgkin se reuniu, em 1971, para desenvolver esse sistema de classificação.

De início, esse sistema foi desenvolvido para o estadiamento apenas do linfoma de Hodgkin, mas depois passou também a ser utilizado para o linfoma não Hodgkin. O reconhecimento de que o sistema de classificação de Ann Arbor não subdivide alguns dos linfomas não Hodgkin de modo clinicamente útil, e o reconhecimento de que outros fatores também são importantes para a previsão dos resultados do tratamento, fez com que, em 1993, fosse desenvolvido o Índice de Prognóstico Internacional (IPI), criado justamente para auxiliar na previsão prognóstica de pacientes com linfoma não Hodgkin agressivo. Assim, atualmente recomenda-se a utilização desses dois sistemas para a avaliação prognóstica dos pacientes com diagnóstico de linfoma não Hodgkin.

Sabendo-se que o sistema de estadiamento de Ann Arbor foi criado inicialmente para o linfoma de Hodgkin, alguns defeitos podem ser identificados para o estadiamento do linfoma não Hodgkin. Isso porque, em comparação com o linfoma de Hodgkin, em que o acometimento extranodal primário é raro, no linfoma não Hodgkin o acometimento de um sítio extranodal primário é frequentemente visto. Além disso, alguns tipos de linfoma não Hodgkin, como o linfoma linfocítico de pequenas células e o linfoma de células do manto, apresentam envolvimento da medula óssea na maioria dos pacientes, colocando um número desproporcionalmente alto de pacientes no estágio mais avançado. No entanto, apesar dessas deficiências, a classificação de estadiamento de Ann Arbor continua sendo o melhor método disponível para o estadiamento anatômico dos linfomas não Hodgkin, tendo sido adotada de modo universal para essa finalidade.

Estadiamento

Adentrando mais às características desse sistema de classificação, sabe-se que o estadiamento do linfoma de Hodgkin e de não Hodgkin, realizado de acordo com a classificação de Ann Arbor, como já foi dito, divide os pacientes em quatro estágios, com base na localização anatômica da doença, sendo classificada em doença localizada (I), doença presente em vários locais em apenas um lado do diafragma (II), doença linfática em ambos os lados do diafragma (III) e doença extranodal disseminada (IV). Assim, para resumir, os estágios de I a III indicam o grau de envolvimento linfonodal, enquanto o estágio IV é indicativo de envolvimento disseminado de órgãos, que pode ser encontrado em 20% dos casos.

Além disso, esta classificação também subdivide os pacientes de acordo com a presença ou ausência de sintomas sistêmicos, colocando o sufixo A, caso haja ausência de sintomas, ou B, caso haja presença dos seguintes sintomas: febre > 38°, sudorese noturna ou perda de peso (perda de > 10% do peso corporal nos últimos 6 meses).

Já quando há o acometimento de apenas um sítio extranodal, contíguo ou proximal a um sítio nodal conhecido, acrescenta-se o sufixo E nos estágios de I a III e, caso haja um envolvimento extranodal adicional (distante do sítio nodal conhecido), considera-se como estágio IV. Para facilitar o entendimento, seguem exemplos com seus respectivos estadiamentos: um envolvimento linfático em uma área de drenagem de um linfoma extranodal primário deve ser designado como IIE, um exemplo disso seria no caso de um linfoma da tireoide com envolvimento de linfonodo cervical (ou seja, áreas próximas, com um sítio extranodal, de apenas um lado do diafragma). Além disso, é importante entender também que um linfoma que se estende além da cápsula do linfoma, envolvendo órgãos adjacentes, também deve receber o sufixo E e não deve ser chamado de estágio IV, um exemplo seria no caso de um linfoma em linfonodos mediastinais crescendo diretamente para o pulmão adjacente (visto que são áreas próximas e, portanto, não se pode considerar como sendo uma doença extranodal disseminada). Deve-se sempre considerar como estágio IV quando há qualquer envolvimento do fígado, da medula óssea, da pleura e do líquido cefalorraquidiano.

Por fim, é importante pontuar que o estadiamento deve ser feito com base no exame clínico, nos exames laboratoriais e nos exames de imagem, sendo a tomografia por emissão de pósitrons (PET) amplamente usada tanto para o estadiamento quanto para a monitoração da resposta ao tratamento dos pacientes.

Fontes: Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Linfoma de Hodgkin; Fundamentos em Hematologia de Hoffbrand.

Conclusão

Pode-se falar que, apesar das várias deficiências já citadas no sistema de classificação de Ann Arbor para o estadiamento dos linfomas de Hodgkin e não Hodgkin, essa classificação continua sendo o melhor método para o estadiamento anatômico desses tipos de linfoma, juntamente com o Índice de Prognóstico Internacional.

Vale lembrar que o estadiamento se baseia na localização anatômica da doença, que deve ser vista por meio de exames de imagem, e, em seguida, deve-se identificar a ausência ou presença de sintomas, especificamente febre, sudorese noturna ou perda de > 10% do peso corporal em um período de 6 meses.

Assim, saber estadiar os pacientes diagnosticados com linfoma de Hodgkin e não Hodgkin é essencial para que o médico obtenha informações quanto ao prognóstico do paciente e, com isso, poder orientá-lo quanto à melhor decisão terapêutica.

Autor: Mariana Mendonça de Sá

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