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Classificação POP-Q de prolapso de órgãos pélvicos|Colunistas

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Prolapso de órgãos pélvicos (POP) é termo utilizado para designar a herniação de órgãos pélvicos através da vagina. É uma condição frequente de baixa morbimortalidade, mas que compromete o funcionamento normal desses órgãos e redução da qualidade de vida por prejudicar as atividades diárias, a função sexual e o exercício.

A classificação, descrição e estadiamento do Prolapso de Órgãos Pélvicos (POP) se dá através de um teste objetivo chamado POP-Q. Essa classificação propõe medidas e pontos pré-definidos em relação à estática pélvica feminina. A posição de cada estrutura é avaliada de acordo com a sua distância do hímen, que serve como parâmetro, por ser fixo e de fácil identificação. A partir dele, as posições são positivas, quando abaixo do hímen; e negativas, quando acima do hímen. Caso a localização seja ao nível do hímen, denomina-se como zero.

No total são nove locais a serem observados, destes, seis são pontos que têm como referência o hímen. Dois deles estão na parede anterior da vagina, dois na parte vaginal superior e dois na parede vaginal posterior. O demais são segmentos: o hiato vaginal (a distância do ponto médio do meato uretral até o ponto posterior da fúrcula vaginal), o corpo perineal (medida da margem posterior do hiato genital até a metade da abertura anal). E, por fim, o comprimento total da vagina (distância que vai do hímen até o ponto mais profundo da vagina, no fundo do saco posterior, quando há colo do útero, ou na cicatriz da cúpula vaginal, quando em paciente histerectomizada).

Referências anatômicas usadas para quantificação de prolapso de órgão pélvico. Fonte: Williams, 2014.

Ponto Aa: Localizado três centímetros para dentro do hímen, na linha média da parede vaginal anterior.

Ponto Ba: Ponto de maior prolapso na parede anterior. Se há prolapso total, ele equivale ao comprimento vaginal total.

Ponto C: Ponto mais distal do colo uterino ou da cúpula vaginal pós-histerectomia. Ponto D: Localizado no fórnice vaginal posterior, no nível de inserção dos ligamentos útero-sacrais. Na ausência do útero, este ponto é ignorado.

Ponto Ap: Localizado na linha média da parede vaginal posterior, correspondente do ponto Aa na parede posterior.

Ponto Bp: Representa o ponto de maior prolapso da parede vaginal posterior, correspondente do ponto Ba na parede posterior.

Gh: Hiato genital.

Pb: Medida do corpo perineal.

TVL: Comprimento total da vagina (em repouso).

Deve-se identificar o ponto de maior distopia, através da manobra de Valsalva, podendo-se utilizar de artifícios como a tração ou solicitar que a paciente fique de pé. Tendo como referência o hímen, com o auxílio de uma régua graduada em centímetros, o prolapso é quantificado com números positivos (+1 +2, + 3 centímetros) quando exteriorizado e números negativos (-1, – 2 , -3 centímetros) quando internos com relação ao ponto fixo.

O examinador deve observar qual o ponto de maior prolapso, através de manobra de valsalva ou leve tração. Determinados os pontos, os prolapsos são classificados em:

ESTÁGIO GRAU DE PROLAPSO
0 Ausência de prolapso.
I Prolapso > 1 cm acima do hímen.
II Prolapso entre 1 cm acima e 1 centímetros abaixo do hímen.
III Prolapso < 1 cm abaixo do hímen.
IV Prolapso total.
Prolapso da parede vaginal: A, grau 2; B, grau 3; e C, grau 4. Fonte: Williams, 2014

Veja um exemplo!

Paciente foi encaminhada a ginecologia apresentando o seguinte POP-Q:  Aa -3; Ba -3; Ap +3; Bp +5; C -6; D -2. Interprete-o.

Resposta:

Aa e Ba que representam a parede anterior, estão em -3, ou seja, 3 cm acima do hímen. Logo, normais. Não há prolapso de parede anterior. Já Ap, e Bp que representam a parede posterior,estão positivas,  +3 e +5 respectivamente, o que indica um prolapso de parede posterior. Por fim, o colo uterino apresenta-se 6cm acima do hímen, D-6, local ideal, e o fundo de saco apresenta-se levemente descido por apresentar D -2, mas ainda assim está a 2 cm acima do hímen. Conclui-se, portanto, que como os achados de Ap e Bp positivados, há nitidamente um prolapso de parede posterior.

Referências

  1. Hoffman, Schorge, Schaffer, Halvorson, Bradshaw, e Cunningham. Ginecologia de Williams. 2ª edição. New York: Copyright, 2014.
  2. HORST, Wagner; SILVA, Jean Carl. Prolapsos de órgãos pélvicos: revisando a literatura. Arquivos Catarinenses de Medicina, v. 45, n. 2, p. 91-101, 2016.
  3. Tola B Fashokun, Rebecca G Rogers. Prolapso de órgãos pélvicos em mulheres: avaliação diagnóstica. Publicado no UpToDate em Dezembro, 2019.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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