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Como vencer a obesidade infantil? | Colunistas

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Welberth Fernandes

6 min há 369 dias

A obesidade infantil se tornou um problema recorrente da sociedade contemporânea. Durante a infância e juventude, a abordagem médica dessa doença enfrenta obstáculos difíceis de transpor como a mudança dos hábitos dos pais e da família e a falta de compreensão por parte das crianças e adolescentes que sofrem com essa condição.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a prevalência de obesidade infantil cresceu em torno de 10 a 40% nos países europeus nos últimos 10 anos. Nos Estados Unidos, a situação é ainda pior: um aumento de 300% na prevalência de obesidade infantil nos últimos 40 anos. No caso das crianças e adolescentes brasileiros, estima-se que por volta de 14% possuem sobrepeso entre os 6 e 18 anos. A doença ocorre principalmente no primeiro ano de vida, entre 5 e 6 anos e na adolescência (mais comum em meninas nessa fase).

Existe uma correlação positiva entre o IMC (índice de massa corpórea) alto da infância com a obesidade na fase adulta, ainda que a magreza na infância não seja um fator protetor. Isto é, uma criança obesa ou com sobrepeso possui maior risco de se tornar um adulto obeso, mas uma criança magra não está protegida de desenvolver obesidade no futuro, devendo, assim, manter hábitos saudáveis sempre que possível.

Hoje, sabemos que crianças menos favorecidas também possuem maior risco de desenvolver sobrepeso e obesidade. Isso ocorre devido ao maior despreparo dos pais na gestão da família, falta de orientação nutricional adequada e maior consumo de alimentos mais baratos, na maior parte industrializados e mais calóricos, além da dificuldade de acesso a produtos naturais, verduras e legumes variados.

O consumo de refrigerantes atualmente está aumentando no Brasil. A explicação para isso está na queda do preço da bebida e na ampla variedade de produtos, deixando-a cada vez mais acessível à população carente. Tal situação é preocupante, uma vez que os adolescentes possuem uma tendência ao consumo rotineiro de refrigerantes junto aos alimentos industrializados ou fast food.

Ademais, o problema é uma realidade das famílias brasileiras, onde a bebida é acompanhamento de muitas refeições e reuniões sociais como festas, aniversários e encontros.

O aumento da obesidade infantil é preocupante, pois a obesidade precoce é um fator de risco importante para perpetuar a condição durante a idade adulta além de propiciar o surgimento de outras doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer.

Além dessas condições, pacientes obesos possuem claramente maiores índices de depressão, compulsão, isolamento social, negativação do corpo e baixa auto-estima. É importante lembrar que durante a própria infância, pacientes obesos também podem sofrer mais com diversas doenças como asma, alergias, infecções, micoses, dermatites e dificuldades para dormir ou respirar.

Durante a adolescência, a busca por aceitação em determinados grupos sociais, como os de colegas de escola e amigos, se torna um obstáculo à manutenção de hábitos saudáveis.

Os adolescentes são frequentemente influenciados a ingerir refrigerantes, consumir sorvetes, hambúrguer, cachorro-quente, pizza etc, tomados como próprios dessa faixa etária e se afastando da alimentação com frutas, legumes, cereais e sucos naturais. Entretanto, tais hábitos não ficam apenas nessa fase e comumente se perpetuam por toda a vida adulta, tornando-se um grave problema para a saúde desses indivíduos no futuro.

Não restam dúvidas de que a prevenção é a melhor estratégia para combater a epidemia mundial da obesidade. As medidas são mais eficazes quando iniciadas nos primeiros 10 anos, incluindo desde o início o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida.

Para o combate dessa doença, o ambiente familiar favorável e a participação dos pais são fundamentais. A escolha dos alimentos, a adoção de dietas balanceadas e a redução do consumo de alimentos industrializados, doces e gordurosos são atitudes que dependem da interação de toda a família.

Os pais podem estimular seus filhos através da mudança nos alimentos preparados em casa e com menores quantidades de sal, açúcar e gordura, dando preferência às refeições com mais vegetais, legumes, carnes magras e cereais. Além disso, a adoção de hábitos considerados mais saudáveis como realizar as refeições com a família, evitar comer assistindo televisão ou usando o celular, diminuir sobremesas e aumentar ingestão frutas após as refeições, bem como abolir os refrigerantes.


As escolas podem encorajar a adoção de dietas saudáveis (merenda escolar balanceada, por exemplo) e estimular a atividade física. Além disso, o currículo escolar pode abordar o estudo de nutrição e hábitos de vida saudável que diminuem não apenas a obesidade, mas também doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.

As estratégias que combinam nutrição e atividade física conseguem reduzir a ingestão de gordura, aumentam o consumo de frutas e vegetais frescos, diminuem o tempo assistindo à televisão e estimulam o exercício físico.


O Instituto brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) é contrário às propagandas de alimentos dirigidas ao público infantil e reforça que tais práticas devem ser proibidas por legislação própria, pois as crianças não possuem discernimento para analisar criticamente essa estratégia de vendas. No entanto, ainda que a publicidade dirigida ao público infantil possa ser considerada ilegal, ainda não existem leis aprovadas específicas sobre o assunto,

Os alimentos saudáveis devem ser isentos dos tributos para facilitar o acesso de todos e a comunidade deve procurar vendedores mais próximos e alimentos próprios da estação, clima e região.
A construção de um estilo saudável de vida não é fácil. Trata-se de um processo complexo que envolve o desejo de mudança e a determinação para seguir as metas estabelecidas.

Tudo isso exige um esforço físico, emocional e intelectual complexo. Para isso, é fundamental a participação das famílias, principalmente dos pais e responsáveis, além dos profissionais de saúde como enfermeiros, nutricionistas, médicos e agentes de saúde, da escola e professores e dos governos municipal, estadual e federal.

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