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Covid-19 e o uso racional dos exames de imagem | Colunistas

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Existe
uma máxima na medicina de que “a clínica
é soberana”
e, de fato, uma análise semiológica realizada de maneira
adequada é perfeitamente suficiente em grande parte dos atendimentos médicos.
Mesmo assim, não se pode menosprezar a importância dos métodos auxiliares, como
os exames de imagem, por exemplo, que são complementares e indispensáveis na
construção diagnóstica, bem como na classificação e/ou estadificação de uma
possível lesão.

A
maioria dos métodos de imagem utiliza radiação ionizante, cuja natureza oferece
ao indivíduo exposto o risco de efeitos biológicos e, mesmo que alguns aleguem o
emprego de baixos níveis energéticos, os efeitos
estocásticos
não podem ser ignorados, pois são aqueles que não possuem um
limiar de dose para que se manifestem. Olhando por esse lado, vale destacar o
princípio básico de JUSTIFICAÇÃO da portaria
453
de 1998 da Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA), que regula o uso
dos raios-x diagnósticos no Brasil, na qual estabelece que nenhuma prática ou
fonte adscrita à uma prática deve ser autorizada, a menos que “produza suficiente benefício para o
indivíduo exposto ou para a sociedade, de modo a compensar o detrimento que
possa ser causado”.
¹

No
caso do Covid-19, o Ministério da Saúde (MS) estabelece por meio do Protocolo de Manejo Clínico para o Novo
Coronavírus 2019-nCoV
que o diagnóstico depende da investigação
clínico-epidemiológica e do exame físico, confirmado mediante exame de
laboratório para identificação do vírus por meio das técnicas de RT-PCR em
tempo real e sequenciamento parcial ou total do genoma viral². Entretanto o
agente etiológico em questão faz parte de uma família de vírus altamente
patogênicos, sobretudo com acometimento do trato respiratório superior e
eventualmente inferior, tendo um espectro clínico muito amplo, podendo variar
desde um simples resfriado até uma pneumonia severa, sendo a Síndrome
Respiratória Aguda Grave – SRAG a complicação mais comum em
17-29% dos casos. E é aí que entra a importância dos exames de imagem,
principalmente a radiografia e a tomografia computadorizada (TC), que cumprem
importante papel na detecção da extensão da lesão a nível pulmonar dos
pacientes enfermos. Os principais achados na imagem são inespecíficos,
semelhantes a outras infecções virais que afetam o sistema respiratório,
apresentando-se como:

  • Radiografia
    simples de tórax:
    opacidades de espaço
    aéreo multifocais de modo similar a outras infecções por coronavírus, sendo
    seus achados tardios em comparação com a TC;
  • Tomografia
    computadorizada de tórax:
    opacidades
    com atenuação em vidro-fosco periféricas, focais ou multifocais, e bilaterais
    em 50-75% dos casos. Entre 9 e 13 dias a doença progride e aparecem lesões com
    padrão de pavimentação em mosaico e consolidações. O desaparecimento das lesões
    é lento com duração de 1 mês ou mais. Em pacientes pediátricos o achado de
    consolidação circundada por atenuação em vidro fosco (sinal do halo) parece ser
    mais comum do que em adultos.

O Colégio Brasileiro de Radiologia e
Diagnóstico por imagem (CBR), em sua cartilha de recomendações de uso dos métodos de imagem para
pacientes suspeitos de infecção pelo Covid-19
,
segue a mesma linha de entendimento do ministério da saúde, destacando que a TC,
por exemplo, NÃO deve ser usada como rastreio ou para o diagnóstico inicial por
imagem nos casos de Covid-19, cujo uso deve ser reservado aos pacientes
hospitalizados, sintomáticos e em situações clínicas específicas³. Apontam
ainda que por se tratar de uma doença altamente contagiosa, após a realização
do estudo a sala de exames deverá passar por um processo adequado de
desinfecção, o que levaria algo em torno de 30 minutos, restringindo a
capacidade de realização dos exames, tendo, portanto, a necessidade de que haja
uma indicação bem definida na solicitação dos exames de imagem nos casos de
Covid-19. Por esse motivo recomenda-se que, quando indicado a radiografia de
tórax, em casos suspeitos/confirmados, de pacientes internados, devemos
privilegiar o uso de radiografia portátil, pois as superfícies dessas máquinas
podem ser mais facilmente higienizadas e, ainda, evita-se a necessidade de levar
os pacientes para o setor de imagem.

Em resumo, os exames de imagem representam uma importante ferramenta nos casos de Covid-19, pois mesmo não sendo considerado parâmetro para diagnóstico e seus achados serem inespecíficos, semelhante a outras infecções virais, sua realização confere ao médico a possibilidade de avaliar de maneira mais precisa o acometimento das vias respiratórias, bem como a real condição do paciente. Por outro lado, devem ser solicitados de maneira criteriosa a pacientes hospitalizados, sintomáticos e em situações clínicas específicas, pois estes devem ser mantidos em condição de isolamento e sua ida ao setor de imagem favorece a transmissão do vírus, além de restringir o uso da sala de exames durante o processo de desinfecção da mesma.

Confira o vídeo:

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