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Cuidados com a fístula arteriovenosa em pacientes em hemodiálise | Colunistas

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Como funciona a hemodiálise?

A hemodiálise é uma modalidade terapêutica indicada para pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica graves. O tratamento é iniciado após acompanhamento médico com especialista investigando dosagens de ureia, creatinina, potássio, ácidos no sangue, filtração glomerular, taxa de reabsorção, avaliar o sistema renal de forma geral. 

Basicamente, o tratamento com hemodiálise não tem perspectiva curativa, uma vez que mesmo que o paciente seja submetido a um transplante renal, é necessário manter a programação de diálise, tendo impacto na frequência de dialises e no tempo destinado a terapia. A máquina recebe o sangue do paciente através do acesso vascular (via cateter – que implica em maior risco de infecção – ou via fístula arteriovenosa), segue pela bomba até chegar ao dialisador, que é uma espécie de filtro.

É no dialisador que o sangue fica exposto a diálise através da membrana semipermeável que faz a atividade renal, retira líquidos e toxinas que excedem o fisiológico e devolve esse sangue para o paciente através de uma estrutura da máquina que se chama capilares, fazendo com que o sangue retorno para o acesso vascular. Esse processo pode durar horas e ser repetido algumas vezes no decorrer da semana. Tudo será avaliado e definido levando em consideração a clínica e as dosagens de função renal do paciente.

O que são as fístulas arteriovenosas (FAV):

De forma simples e descomplicada, fístulas são as ligações diretas entre 2 vasos componentes do sistema circulatório, isso é, sistema arterial e sistema venoso. Como se sabe, as veias possuem uma velocidade de passagem do sangue reduzida devido as suas características próprias, enquanto as artérias têm um poder de captação de sangue em alta velocidade, mas anatomicamente são mais profundas que as veias e bem mais sensíveis a punções.

Fisiologicamente, o sistema arterial e o venoso não se comunicam diretamente, mas as atividades que desempenham têm total relação e dependência. É através do sistema arterial que o sangue oxigenado flui rapidamente com alta pressão e velocidade para ser distribuído em todo o corpo. O sistema venoso é responsável pelo trajeto de retorno desse sangue, que agora se apresenta com menor pressão e velocidade para o coração, onde será bombeado novamente para os órgãos e tecidos.

A FAV pode ser realizada com veia e artéria da própria pessoa ou ainda com materiais sintéticos e então teremos uma estrutura com boa velocidade de deslocamento do sangue, maior resistência à punções subsequentes e um menor risco de infecção, visto que não há um dispositivo, como um cateter, por exemplo, para ser utilizando nas hemodiálises. 

Figura 2: Esquema do sistema de hemodiálise. Fonte: Arquivo pessoal de Lara T. F. S. Honório @medcandoo

Como já foi dito, o cateter, que é uma via alternativa para pacientes que não têm fístula arteriovenosa carregam um alto risco de obstrução e infecção, por isso é considerada uma via temporária. As fístulas são realizadas por meio de um procedimento cirúrgico relativamente rápido e que podem ser feitas em regiões como:

  • Região do pescoço;
  • Tórax;
  • Virilha;
  • Antebraço.

Cuidados com a fístula arteriovenosa:

O maior e principal cuidado com a fístula arteriovenosa é para não traumatizar o sítio em que ela tenha sido realizada. Além disso, podemos citar as seguintes recomendações, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia:

  1. Cuidado com pressões ou pancadas que favoreçam o aparecimento de hematomas. Eles prejudicam a circulação e podem contribuir para o não funcionamento desse acesso.
  2. Manter o local de acesso venoso limpo, a fim de evitar infecções.
  3. Não é recomendado o uso do membro em que tem fístula arteriovenosa para a coleta de sangue ou ainda para aferição de pressão arterial.
  4. Recomenda-se não dormir sob o braço em que há fístula arteriovenosa.
  5. Realizar higienização adequada do membro.
  6. Manter o curativo após a sessão de hemodiálise pelo tempo que for orientado pela equipe de enfermagem.

É importante citar cuidados relacionados com a nutrição, mesmo que não estejam diretamente ligados a fístula. Isto porque, em caso de diabetes mellitus (DM), por exemplo, não é rara a perda de acesso por meio da fístula devido a descompensação das taxas de glicose. Isso é, a DM aparece como a doença crônica (DCNT) mais prevalente em pacientes com IR, seguido da hipertensão arterial sistêmica (HAS). Se houver um descontrole do quadro de DM ou até mesmo da HAS, há um comprometimento da perviedade dos vasos, inclusive de fístulas arteriovenosas, impactando diretamente na continuidade da terapêutica.

Nesses casos, o paciente é submetido a uma nova cirurgia para realizar outra fístula e a depender da possibilidade de acessos e do estado geral do paciente, a opção restante é a terapia com o cateter até que seja possível uma nova fístula. Outro fator agravante nesse comprometimento é que, em pacientes diabéticos, por exemplo, sabe-se do déficit relacionado ao processo de cicatrização e essa fístula incompetente pode se tornar uma ferida com a necessidade de cuidados exclusivos da enfermagem especializada em feridas, bem como do médico vascular com o intuito de fechar essa lesão. Uma terapia associada nesse processo de tratamento da ferida é a Hiperbárica, mas possui elevado custo.

Autor: Lara Honório

Instagram: @medcandoo


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Cuidados de enfermagem a clientes com fistula arteriovenosa: uma revisão integrativa da literatura. Gonçalves, Letícia Mattos; Cunha, Lidiane Passos; Silva, Frances Valéria Costa e; Pires, Ariane da Silva; Azevedo, Albert Lengruber de; Silva, Paulo Sérgio da. Rev. Pesqui. (Univ. Fed. Estado Rio J., Online) ; 12: 462-467,/ jan.-dez. 2020. Artigo em Inglês, Português | LILACS, BDENF – Enfermagem. Acesso em: 14/08/2021 Disponível em: http://seer.unirio.br/index.php/cuidadofundamental/article/viewFile/8515/pdf_1

Cuidado individual domiciliar de pacientes com fístula arteriovenosa / Individual home care for patients with arteriovenous fistula. Matias, Denise Melo de Meneses; Castro Júnior, André Ribeiro de; Machado, Eugênia Filizola Salmito; Melo, Renata Pereira de; Tavares, Terezinha de Jesus Lima; Vieira, Daniele Vasconcelos Fernandes. Rev. enferm. UFPE on line ; 14: [1-7], 2020. ilus, tab.Artigo em Português | BDENF – Enfermagem.  Acessado em: 14/08/2021 Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/244317/34997

Autocuidado com a fístula arteriovenosa da pessoa em programa regular de hemodiálise / Self-care with the arteriovenous fistula of the person on regular hemodialysis program. Pereira, Helena Dolores Ribeiro. Viana do Castelo; s.n; 20180000. Tese em Português | BDENF – Enfermagem. Acesso em: 15/08/2021 Disponível em: repositorio.ipvc.pt/bitstream/20.500.11960/2017/1/Helena_Pereira.pdf

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