Neurologia

Demência: Resumo com mapa mental | Ligas

Demência: Resumo com mapa mental | Ligas

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Definição

A demência é definida como um transtorno cognitivo maior, caracterizado pelo declínio das funções cognitivas que trazem prejuízo ao desempenho das atividades cotidianas. Ocorre uma deterioração adquirida, normalmente de forma insidiosa e progressiva, porém, existem formas raras de instalação aguda ou subaguda. É de grande importante a identificação de quadros reversíveis que estejam causando uma síndrome demencial, como é o caso do delirium, do hipotireoidismo e da depressão.

Epidemiologia

No Brasil, atualmente, há em torno de 1,2 milhão de pessoas acometidas pela demência. As projeções indicam que em 2050, a nível mundial, haverá cerca de 131 milhões de pessoas afetadas pela doença.

A demência apresenta uma baixa prevalência no grupo de indivíduos abaixo de 50 anos. Estima-se que em países em desenvolvimento, como o Brasil, a prevalência dobre a cada 5 anos de aumento de idade, variando de 3% aos 70 anos para 20-35% aos 85 anos.

Fisiopatologia

Existem diversos tipos de demência, como a causada pela doença de Parkinson, a demência vascular e a demência por Corpos de Lewy, e a fisiopatologia vai depender do tipo de demência abordada. Tais tipos possuem causa multifatorial, mas a idade avançada é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença, e a baixa escolaridade interfere diretamente nesse processo. Predisposições genéticas também atuam como fator de risco, mas o mecanismo ainda não é bem descrito.

Quadro Clínico

A demência apresenta um quadro clínico irreversível, em que ocorre comprometimento de ao menos 2 dos seguintes domínios cognitivos: memória, função executiva, habilidades visuais-espaciais, linguagem e comportamento. Na maioria dos casos, a família ou seus cuidadores percebem e relatam mudanças nos hábitos do paciente, como agitação e agressividade, maior dependência para realizar atividades antes feitas de forma independente (como se alimentar e se vestir) e esquecimento de eventos recentes. Essas mudanças levam a uma perda gradual da autonomia do indivíduo, que passa a depender cada vez mais de outros para realizar atividades diárias de vida.

O tempo de evolução da doença pode variar de 3 a 20 anos. A progressão do quadro leva à piora das funções cognitivas, por isso, é fundamental desenvolver uma boa história clínica do paciente, com atenção especial para os relatos da família.

  • Fase Inicial

Inicialmente, a perda da memória episódica é o sintoma mais comum. O indivíduo não é capaz de lembrar-se de eventos específicos no tempo ou espaço. A anomia (esquecimento de nomes) e a agnosia (capacidade de identificar objetos) também são frequentes.

  • Fase Moderada

Tarefas mais complexas começam a ser afetadas, como planejamento e organização de atividades. Por exemplo: paciente esquece uma receita que faz com frequência, se esquece de pagar as contas, erra os botões da camisa ao se vestir (apraxia), entre outras manifestações.

  • Fase Avançada

Nessa fase, o paciente apresenta dificuldade na compreensão e a maioria dos domínios cognitivos está prejudicada.

Diagnóstico

É preciso avaliar o paciente objetivamente no seu funcionamento cognitivo e no desempenho funcional nas atividades diárias, além da realização da anamnese para conhecimento do histórico. Com o objetivo de obter uma resposta diagnóstica, utiliza-se testes de rastreio e testes que avaliem os diferentes componentes do funcionamento cognitivo, como o mini exame do estado mental, questionário das AVD de Pfeffer, e o MOCA (Montreal Cognitive Assessment). Exames laboratoriais também fazem parte do diagnóstico, incluindo hemograma, eletrólitos, glicose, ureia, creatinina, função hepática, hormônios tireoidianos, vitamina B12, ácido fólico e sorologia (sífilis e HIV).

Exames de neuroimagem, TC de crânio sem contraste e RM, são utilizados para relevar hemorragia subdural ou hidrocefalia de pressão normal e avaliar atrofia do lobo temporal, respectivamente. Os pacientes, em especial os que se encontram em estágio inicial, também devem ser submetidos a uma avaliação neuropsicológica detalhada. Esse tipo de avaliação oferece dados referentes ao perfil das alterações cognitivas, que são úteis para o diagnóstico diferencial de algumas formas de demência.

Autores, revisores e orientadores

Autor(a): Mariana Arêas Pinto

Co-autor(a): Carolina de Araujo Lopes

Revisor: Lucas Lopes Penido de Mendonça

Orientador: Maurício Pinto de Mattos

Co-orientadora: Amanda Aparecida da Silva Machado

Liga Acadêmica: Liga Acadêmica de Clínica Médica da UNESA, campus Città – instagram: https://instagram.com/lacmedunesa?igshid=1l5peyvlq17g6

Referências Bibliográficas

Caramelli, P.; Barbosa, M.T. Como diagnosticar as quatro causas mais frequentes de demência? Brazilian Journal of Psychiatry, v.24, p.7-10, 2002.

Peres, B.; Alvim, I.; Ferreira, I.; Sena, J.; Antunes, A.; Santos, S. Qualidade de Vida na Demência: um estudo exploratório que avalia a perspetiva da pessoa e do seu cuidador. Journal of Aging and Innovation, v.8, p.97-116, 2019.

Santos, A.R.C.; Almeida, L.L.; NascimentO, L. S.; Silva, P.D.; Assis, T.C.; de Lima, E. S., Cruz, A.P. Produção científica sobre o idoso com demência na atenção primária à saúde. Research, Society and Development, v.9, e9919109370-e9919109370, 2020.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

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