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Derrame Pleural: resumo completo | Colunistas

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Barbara Andrade

5 min há 539 dias

Derrame pleural é definido como acúmulo de líquido no espaço pleural. Normalmente, esse espaço está preenchido por uma fina camada de líquido que permite a facilitação dos movimentos dos pulmões. Porém, algumas situações podem levar a um desbalanço entre a produção e absorção de líquido, causando o derrame pleural.

Epidemiologia

Estima-se que ocorram por volta de 1.500.000 de casos de derrame pleural nos EUA por ano. No Brasil, estudos indicam que 20% a 30% dos pacientes internados por Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) cursam com derrame pleural parapneumônico. Além disso, o derrame pleural neoplásico é uma complicação frequente em pacientes oncológicos.

Fisiopatologia

Como citado anteriormente, o líquido pleural se acumula quando ocorre um desbalanço na sua produção e absorção. Normalmente, o aumento da pressão hidrostática faz com que o líquido saia de dentro do vaso para o espaço pleural.

Já a pressão coloidosmótica faz com que o líquido volte para dentro do vaso. Na prática, essas duas forças se anulam na pleura visceral, porém, na pleura parietal há saída de líquido para o espaço pleural, gerando aproximadamente 20ml em situação fisiológica.

Etiologia

A produção excessiva de líquido pode ser proveniente dos espaços intersticiais do pulmão, da pleura parietal ou da cavidade peritoneal. O sistema linfático é responsável por absorver até 20 vezes mais líquido do que é produzido, ou seja, problemas nesse sistema podem gerar absorção deficiente e com isso levar ao derrame pleural.

As principais causas de derrame pleural são:

  • insuficiência cardíaca;
  • pneumonia;
  • neoplasias (principalmente em idosos);
  • tuberculose (geralmente é unilateral e em indivíduo jovem).

Quadro clínico de derrame pleural

O quadro clínico do paciente geralmente consiste em dor pleurítica, dispneia e tosse.

Exame Físico

Ao exame físico, a inspeção pode nos mostrar abaulamentos, desvio contralateral do mediastino e alargamento dos espaços intercostais. À palpação percebe-se uma redução do frêmito torácico-vocal. Há macicez à percussão e o murmúrio vesicular se encontra reduzido à ausculta. Pode haver sopro pleurítico.

Tabela para diagnóstico de derrame pleural - Sanar Medicina

Diagnóstico de derrame pleural

O diagnóstico é baseado em exames de imagem, a fim de caracterizar a extensão do derrame pleural, e também na determinação da causa que pode ser feita através da toracocentese.

Na radiografia de tórax, é possível observar uma opacidade do hemitórax acometido e o sinal do menisco. Pode-se utilizar também ultrassom (point-of-care) na avaliação de suspeita de derrame pleural e como guia da toracocentese.  A tomografia computadorizada é uma técnica que fornece mais dados e por isso pode ser útil em alguns casos.

Para a determinação da causa do derrame pleural, é fundamental verificar se trata-se de um exsudato ou transudato. Para isso, é necessário fazer uma toracocentese diagnóstica e correlacionar os achados com os Critérios de Light.

Os Critérios de Light são os seguintes:

  1. Relação entre as proteínas no líquido pleural/soro > 0,5.
  2. Relação entre LDH no líquido pleural/soro > 0,6.
  3. LDH no líquido pleural mais de dois terços do limite superior normal do soro.

Atenção: se um ou mais desses critérios forem preenchidos, o Derrame Pleural é caracterizado como exsudativo.

As principais causas de derrame transudativo são a insuficiência cardíaca congestiva, cirrose e síndrome nefrótica. Já os derrames pleurais exsudativos geralmente ocorrem por conta de doenças neoplásicas, infecciosas, embolia pulmonar, doença gastrointestinal e doenças vasculares do colágeno.  

Tratamento do derrame pleural

O tratamento vai depender da causa base e a retirada de líquido alivia os sintomas do paciente. A drenagem deverá ser feita em casos de Hemotórax e Derrame Pleural Parapneumônico complicado.

O exame de escolha para retirada do líquido é a Toracocentese de alívio (lembre-se que ela também pode ser diagnóstica). Para que a toracocentese diagnóstica seja segura, deve haver pelo menos 300 ml de líquido na cavidade pleural (lâmina de líquido > 1 cm no RX de tórax em incidência lateral, também conhecida como incidência Laurell). Por outro lado, a retirada de grandes volumes também deve ser cautelosa (somente até 1500mL).

Toraconcentese de Alívio
Toraconcentese de Alívio

Autora: Barbara Andrade; Instagram: @barbaranamed

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