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Diagnóstico da doença do refluxo gastroesofágico em crianças | Colunistas

doença falciforme - Sanar Medicina

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O refluxo gastroesofágico (RGE) é o trânsito retrógrado de conteúdo gástrico para o esôfago. Muitas vezes, é uma condição fisiológica, com apresentação assintomática ou com sintomas leves.

Em lactentes, por exemplo, a regurgitação é um fenômeno frequente, tendo alta incidência, sobretudo, entre o 4º e 5º mês de vida, contudo, na maioria das vezes, é fisiológico e autolimitado.

Em outros
casos, o refluxo é patológico; trata-se da doença do refluxo gastroesofágico
(DRGE), que tem como causa principal a incompetência do esfíncter esofágico
inferior (EEI) e cursa com manifestações clínicas significativas, podendo
prejudicar o crescimento e a qualidade de vida da criança.

É fundamental diferenciar o refluxo gastroesofágico fisiológico da DRGE. Esse diagnóstico é preponderantemente clínico, o quadro é inespecífico e variável.

Entre os sintomas mais comuns estão as regurgitações e os vômitos. Podem, ainda, existir sinais e sintomas relacionados a complicações como esofagite de refluxo, broncoaspiração, alterações neurocomportamentais e distúrbios de crescimento e desenvolvimento.

Além de
anamnese e exame físico adequados, alguns exames complementares podem ser bons
aliados no diagnóstico da DRGE e de suas complicações, bem como auxiliam no
direcionamento do manejo terapêutico.

Radiografia contrastada e esôfago,
estômago e duodeno (REED)

No REED, as imagens são obtidas com raios-X após ingestão de contraste radiopaco baritado. O exame detecta alterações morfológicas e funcionais do trato digestivo alto.

Não diagnostica DRGE, apresenta baixa sensibilidade, sobretudo quando há esofagite leve, mas pode auxiliar no diagnóstico diferencial com volvo, obstrução, estenose, membrana, e outras alterações anatômicas.

  • Quando pode ser útil? O REED não deve ser solicitado de rotina,
    mas, sim, em situações específicas, como casos de disfagia, odinofagia e
    vômitos biliosos, conforme suspeita clínica.

Cintilografia gastroesofágica

Na
cintilografia gastroesofágica, há administração oral de um radiofármaco
misturado, geralmente com leite, e obtenção de imagens sequenciais.

  • Quando pode ser útil? Utiliza-se para a avaliação do tempo de
    esvaziamento gástrico, pesquisa de aspiração pulmonar e detecção de refluxo
    gastroesofágico; nesse caso, é útil sobretudo em pacientes intolerantes à
    pHmetria.

Ultrassonografia esofagogástrica

A
ultrassonografia esofagogástrica é muito sensível, porém bastante inespecífica
para DRGE, não apresentando grandes vantagens para a diferenciação desta em
relação ao RGE fisiológico.

  • Quando pode ser útil? Esse exame contribui para a avaliação de
    aspectos anatômicos e funcionais, quando necessário, e auxilia no diagnóstico
    diferencial com estenose hipertrófica de piloro.

pHmetria esofágica

A pHmetria é feita com a introdução de uma sonda flexível no esôfago, por via nasal, e fixação de um eletrodo no tórax do paciente.

Desse modo, pode-se avaliar, durante 24 horas, os episódios de RGE ácido e correlacioná-los com sinais e sintomas.

Refluxos com baixa acidez não são detectados, o que pode reduzir a sensibilidade do exame, sobretudo para lactentes.

  • Quando pode ser útil? A pHmetria deve ser realizada apenas nos casos em que permite alteração no diagnóstico e manejo terapêutico. É indicada na investigação de sintomas atípicos ou extradigestivos, detecção de RGE oculto, observação da resposta terapêutica e avaliação pré e pós-operatória do paciente com DRGE.

Impedanciometria esofágica intraluminal

A impedanciometria também é realizada por meio de sonda esofágica e permite a detecção de episódios de RGE, independentemente do pH, com caracterização da composição do refluxo.

Costuma ser realizada junto com a pHmetria, denominando-se impedâncio-pHmetria.

  • Quando pode ser útil? A impedâncio-pHmetria é um auxílio para
    melhor correlação entre sintomatologia e episódios de RGE de diversas
    composições.

Manometria esofágica

A
manometria é feita pela inserção, por via nasal, de sonda passando pelo esôfago
até o estômago, avaliando, em alguns minutos, as pressões no esôfago e a sua
musculatura.

  • Quando pode ser útil? É indicada na ausência de resposta
    terapêutica e de achados endoscópicos, objetivando diagnóstico diferencial com
    distúrbios de peristaltismo e motilidade, como a acalasia, e, quando for
    necessária, avaliação de tônus do esfíncter esofagiano inferior.

Endoscopia digestiva alta (EDA) com
biópsia

A EDA com
biópsia permite uma análise macro e microscópica de alterações esofágicas.

  • Quando pode ser útil? O exame detecta complicações da DRGE, tais como esofagite, esôfago de Barrett e estenose péptica. Além disso, auxilia no diagnóstico diferencial com doenças como esofagite eosinofílica e fúngica, úlcera duodenal, gastrite por H. pylori, gastroenteropatia eosinofílica, malformações e neoplasias.

Teste terapêutico com supressão ácida

O
diagnóstico de DRGE pode ser inferido em caso de sucesso da terapia empírica
com inibidores da bomba de prótons. O teste pode ser realizado por 4 semanas,
podendo estender para 12 em caso de evolução clínica favorável.

  • Quando pode ser útil? Está indicado para crianças maiores e adolescentes com sintomas típicos e sem sinais de alerta.

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