Alergologia e imunologia

Dicas nutricionais para anemia ferropriva | Colunistas

Dicas nutricionais para anemia ferropriva | Colunistas

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Welberth Fernandes

6 minhá 45 dias

A carência de ferro é a deficiência nutricional mais comum do mundo e a principal causa de anemia. Sabemos que até 50% dos casos de anemia são consequências da deficiência de ferro. Algumas pessoas são sabidamente propensas a desenvolver anemia por carência de ferro, como as mulheres em idade fértil com sangramentos menstruais intensos, as grávidas e as crianças.

A maior parte do ferro do nosso organismo, cerca de dois terços, está circulando nos eritrócitos do sangue. O homem adulto precisa de cerca de 50 mg de ferro/kg e a mulher em idade fértil por volta de 40mg/kg. A anemia ferropriva surge quando as reservas nutricionais de ferro são esgotadas e essa necessidade não é suprida, causando um balanço negativo entre a ingestão e o consumo de ferro. 

É importante ressaltar que a anemia já estabelecida deve ser tratada com suplementação medicamentosa e, posteriormente, a avaliação da ingestão alimentar e orientação nutricional são importantes para contribuir com o tratamento e para mudar práticas alimentares, evitando, assim, a recorrência da deficiência de ferro.

As ações educativas que orientam sobre alimentação balanceada são eficazes para a prevenção de várias deficiências, incluindo a de ferro. Os pais têm um papel primordial na prevenção dessas deficiências nas crianças ao garantir o consumo de alimentos ricos em ferro e ao adotar estratégias que aumentam sua biodisponibilidade ou que diminuam a má absorção.

O ferro na dieta pode ser de dois tipos: o ferro heme e o ferro não heme. O ferro heme está presente nas carnes e nos seus subprodutos, sendo prontamente absorvido pelo organismo. Por outro lado, o ferro não heme é a forma mais consumida e é encontrado em todos os alimentos vegetais, mas sua absorção é dificultada por uma série de fatores que variam desde a acidez estomacal até quais alimentos foram consumidos na mesma refeição.  Podemos citar:

  • Fatores que aumentam a absorção: anemias, gravidez, hemocromatose, ácido ascórbico, ácido cítrico, ingestão de carnes bovinas e aves;
  • Fatores que diminuem a absorção: saturação de ferro, trânsito intestinal acelerado (diarreias), síndrome de má absorção, acloridria, anomalias na mucosa intestinal (doença celíaca), cálcio, fitatos, compostos alcalinos ou antiácidos, proteína do leite, albumina, gema de ovo e proteína da soja, café e chá, fibra e farelos de arroz e de trigo, ingestão concomitante de sais de ferro e zinco.

            A prevenção da carência de ferro deve começar desde a gravidez, identificando as mulheres que possuem carência nutricional e instituindo a suplementação adequada. Após o nascimento, é importante o não clampeamento precoce do cordão umbilical, permitindo a passagem de nutrientes por mais tempo e o incentivo ao aleitamento materno até os 2 anos ou, no mínimo, exclusivo até os 6 meses de vida. É importante conscientizar as mães que o leite humano possui quantidade suficientes e bem absorvidas de ferro até os 6 meses de vida e, após esse período, a dieta da família e o leite materno serão as principais fontes desse nutriente.

            Durante a adolescência, a menarca nas meninas e o aumento da hemoglobina nos meninos exige um aumento absorção de ferro. Além disso, o estirão do crescimento também é um evento que necessita de maior reserva de ferro. No entanto, a má alimentação nessa faixa etária pode contribuir para o surgimento de carência e posterior desenvolvimento de anemia ferropriva.

Alguns alimentos são reconhecidos por sua alta concentração de ferro e seu consumo deve ser incentivado para a melhoria da oferta desse mineral na dieta cotidiana. O fígado é a melhor fonte de ferro, seguido de mariscos, ostras, rim, coração, carnes magras, aves e peixes. Além desses, entre os vegetais, os feijões, os grãos integrais e as frutas secas são as melhores fontes, porém sua biodisponibilidade é menor do que nas carnes. O leite materno possui quantidade desse mineral suficiente para os seis primeiros meses de vida sendo essencial nesse período, enquanto o leite de vaca e seus derivados contêm baixos teores de ferro.

As carnes da refeição são uma importante fonte de ferro e estimulam a absorção do ferro não heme, constituindo um grupo alimentar duplamente protetor contra anemia ferropriva. Devido ao aumento do preço das carnes, fontes mais acessíveis de cada região devem ser estimuladas. Além disso, a vitamina C e os alimentos cítricos possuem o potencial de aumentar a absorção de ferro não heme e até anular os efeitos inibitórios da absorção. Dessa forma, o consumo de vegetais, frutas cítricas e sucos de laranja ou limão na mesma refeição deve ser incentivado.

Por sua vez, o consumo exagerado de café, chás e refrigerantes devem ser desestimulado sempre. Esses alimentos possuem alta concentração de polifenois, substâncias que inibem a absorção do ferro não heme, principalmente quando ingeridos após as refeições.

A alimentação adequada é fundamental na prevenção da deficiência de ferro, principalmente quando associada a outras medidas como a suplementação medicamentosa. Além disso, sempre devemos considerar que a anemia nunca é uma doença por si própria, mas uma consequência de algum processo patológico. Assim, diante de um paciente anêmico, sempre devemos investigar a causa de sua anemia.

Essas foram algumas dicas práticas que podem ser associadas à suplementação de ferro diante da anemia ferropriva. A melhor estratégia sempre é a prevenção através da alimentação balanceada de todos os nutrientes.

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Referências:

CLÍNICO, Protocolo; TERAPÊUTICAS, Diretrizes. ANEMIA POR DEFICIÊNCIA DE FERRO. PROTOCOLOS CLÍNICOS E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS, p. 27.

BORTOLINI, Gisele A.; FISBERG, Mauro. Orientação nutricional do paciente com deficiência de ferro. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, v. 32, p. 105-113, 2010.

SILVA, SMCS da; MURA, JDP. Tratado de nutrição, alimentação & dietoterapia. 2016.

Brasil Dez Passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica. Ministério da Saúde, Secretária de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. 2ª ed.; 2010; 74p., Brasília: Ministério da Saúde.

Braga JAP, Amancio OMS, Vitalle MSS. O ferro e a saúde das populações. São Paulo:Roca, 2006.

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