Endocrinologia

Dislipidemia: o aumento desta patologia assintomática | Colunistas

Dislipidemia: o aumento desta patologia assintomática | Colunistas

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Imagem de perfil de Milena Abra

Introdução

A dislipidemia é uma doença metabólica caracterizada pela elevação dos níveis plasmáticos de colesterol de baixa densidade (LDL-c), redução dos níveis de colesterol de alta densidade (HDL-c) e/ou aumento de triglicérides.

Pode ser classificada como primária, sendo sua origem genética, ou secundária, onde se tem a causa por outras doenças, como: hipotireoidismo, diabetes mellitus, obesidade, alcoolismo ou uso indiscriminado/abusivo de medicamentos.

Se trata de um conjunto de doenças, as quais são caracterizados pelos elevados níveis de LDL, VLDL ou triglicérides, além do baixo nível de HDL, cujas alterações estão fortemente associadas ao aumento do risco de cardiopatias e acidentes vasculares cerebrais.

Níveis altos de LDL são responsáveis pelo aumento de deposição de colesterol nas placas de ateromas, enquanto as de HDL favorecem a remoção destas placas e consequentemente da circulação.

Vale ressaltar que o colesterol e os triglicerídeos são os principais lipídeos do plasma.

Indicação de dosagem de rotina dos lipídeos:

→ TODOS os homens após os 40 anos e mulheres após os 50 anos;

→ Pacientes com alguma evidência de aterosclerose;

→ Hipertensos, diabéticos, fumantes, obesos/sobrepeso, portadores de comorbidades que causam dislipidemias como as: disfunções renais e nefrose;

→ Histórico familiar de doença cardiovascular precoce;

→ Sinais sugestivos de dislipidemias ou com histórico familiar da mesma.

Vale ressaltar que crianças com histórico familiar de dislipidemia ou cardiovascular precoce também devem ser investigadas precocemente.

Causas primárias de dislipidemias:

→ Genética;

→ Ambientais – dieta inadequada.

Causas secundárias de dislipidemias:

→ Comorbidades: diabetes, uso abusivo de álcool, AIDS, hepatopatias, nefropatias e hipotireoidismo;

→ Medicamentos como: estrogênios, anabolizantes e corticoides.

A dislipidemia geralmente não causa sintomas.

Classificações:

  • Aumento apenas do colesterol – hipercolesterolemia pura ou isolada: consiste na elevação isolada do LDL-C;
  • Aumento apenas dos TGs (hipertrigliceridemia pura ou isolada): consiste em elevação isolada dos TGs (>150 mg/dl), a qual reflete no aumento do número e/ou do volume de partículas ricas em TG;
  • Aumento de colesterol ou triglicerídeos (dislipidemias mistas ou combinadas): consiste em valores aumentados de LDL-C (>160 mg/dl) e TG (>150 mg/dl);
  • HDL-C baixo: baixa de HDL-C isolada ou em associação a um aumento de LDL-C ou de TG.

Quando suspeitar?

→ Exames de dosagem de lipídeos feitos como rotina – lembrar que são doenças silenciosas e que o diagnóstico depende da dosagem de rotina dos níveis de colesterol total, lipoproteína e triglicerídeos.

→ História familiar.

→ Ocorre em raros casos de dislipoproteinemias familiares.

→ Pancreatite.

→ Soro lipêmico – pode aparecer como alerta do laboratório quando se pede outros exames.

→ Comorbidades que cursam com as secundárias.

Imagem 1: Valores de referência conforme avaliação de risco cardiovascular do perfil lipídico em adultos
 Disponível em: https://www.sbac.org.br/blog/2016/12/10/consenso-brasileiro-para-a-normatizacao-da-determinacao-laboratorial-do-per%EF%AC%81l-lipidico/

Afinal, como confirmar tal patologia?

Através das dosagens do colesterol total, assim como das lipoproteínas, a confirmação é feita pelo lipidograma ou painel de lipídeos, se estes vierem com valores anormais, deve ser realizado um novo exame com um jejum adequado.

Caso se tenha hiperlipidemia significativa, podem ser solicitados os seguintes exames: T4 e TSH, ALP, GGT, proteinúria, bilirrubinas, para que sejam afastadas causas primárias.

Tratamento não farmacológico

→ Identificar os demais fatores de risco, calcular o risco cardíaco em 1 ano, e fazer as orientações e aconselhamentos sobre as medidas redutoras de risco aplicáveis ao pacientes. Tais medidas são: cessar o tabagismo, atividade física regularmente (sempre dentro dos limites do paciente), dieta mais saudável (rica em vegetais e frutas e menos embutidos), evitar o uso de álcool, controle da pressão arterial e estar dentro das normalidades do IMC. O tratamento farmacológico depende do tipo e grau da dislipidemia que o paciente possui, o medicamento mais usado hoje são as estatinas.

Profilaxia

Evitar ou reduzir o consumo de alimentos gordurosos e ricos em LDL, por exemplo, margarina hidrogenada, carnes gordurosas e chocolates.

Conclusão

Infelizmente a dislipidemia é uma patologia crescente no Brasil e no mundo e, por ser assintomática, é descoberta muitas vezes tardiamente. Sua profilaxia é de extrema importância, uma vez que mudanças simples de hábitos diários podem fazer toda a diferença; além disso, esta doença está relacionada a doenças cardiovasculares e ao aumento destas, o que se torna ainda mais importante os exames de rotina.

Um grande fator de risco é o peso em excesso, este, além de ser um problema de saúde pública, traz consigo o aumento de risco de dislipidemia e, com isso, de doenças cardiovasculares.

Devemos nos atentar às crianças e adolescentes, uma vez que está crescente o número de jovens com doenças crônicas, tanto pela má alimentação quanto pelo aumento do sedentarismo nesta faixa etária. Por ser uma doença crônica, apesar do avanço no tratamento, nada substitui a prevenção.

Imagem 2: criação própria, mapa mental generalizando a patologia descrita. Por: Milena Abra.

Referências

Blackbook clínica médica – 2° edição – página 366

https://www.scielo.br/pdf/abc/2014nahead/pt_0066-782X-abc-20140156.pdf

https://scielosp.org/article/rbepid/2012.v15n2/335-345/

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2013004100001

Autora: Milena Abra

Instagram: @milenaabra


O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.