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DISPOSITIVOS INTRA-UTERINO E SUAS CARACTERÍSTICAS | Colunistas

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Maria Luiza Santos

6 minhá 63 dias

Os dispositivos intra-uterinos (DIU) são pequenos e flexíveis, e devem ser inseridos pelo médico no interior da cavidade uterina, sendo um método anticoncepcional de longo prazo e reversível. Porém, apesar de sua segurança e alta eficácia, esses métodos ainda são pouco usados, seja pelo desconhecimento de sua existência, pela sua forma de uso, por seus mecanismos de ação, pela falta de formulações específicas aprovadas para esse uso ou pelas informações distorcidas a respeito de seus mecanismos de ação e de sua legalidade.

Existem dois tipos principais de DIU: o DIU não hormonal, também conhecido como DIU de cobre e DIU de prata, e o DIU hormonal (Mirena e Kyleena), que contém um hormônio derivado da progesterona (levonorgestrel).

DIU NÃO HORMONAL

O DIU de cobre é o dispositivo disponível no SUS, tem eficácia superior a 99%, índice de falha de 0,2% e apresenta duração de 3 a 10 anos, dependendo da quantidade de cobre presente. Sua ação se faz pela liberação de íons de cobre que imobilizam o esperma e dificultam bastante a sua motilidade em torno do útero, mas não impedem os ovários de liberarem um óvulo por mês. Na rara ocasião em que um espermatozoide consegue ultrapassar essa barreira, o cobre também impede a implantação do ovo fecundado na parede do útero, atuando como espermicida e deixando o ambiente hostil para implantação por meio de inflamação. É indicado para mulheres com fluxo menstrual normal ou reduzido, sem miomas ou endometriose, e pode ser usado durante a amamentação.

  • Vantagens: pode permanecer no lugar por até 10 anos, pode ser retirado a qualquer momento, não é afetado por outras medicações e pode ser usado durante a amamentação;
  • Desvantagens: pode causar cólicas e/ou sangramento irregular, algumas mulheres apresentam cefaleia e sensibilidade após colocação do DIU de cobre, e não protege contra infecções sexualmente transmissíveis.
encurtador.com.br/ABHLP

O DIU de cobre com prata, com duração de até 5 anos, apresenta características muito semelhantes ao DIU de cobre. A grande diferença é a presença da prata, cuja função é equilibrar a oxidação do cobre para amenizar desconfortos de cólicas e fluxo menstrual.

DIU HORMONAL

O DIU Mirena é considerado um método de longa duração (5 anos) com eficácia superior a 99% e índice de falha de 0,2 %. Apresenta 52 mg de Levonorgestrel, que é liberada de forma constante em pequenas quantidades, atuando no colo uterino e deixando o muco hostil aos espermatozoides nas tubas uterinas, diminuindo sua mobilidade e, no endométrio, tornando ele mais fino e não receptivo. Em alguns casos pode até inibir a ovulação, porém, isto não é muito comum, em geral as pacientes ovulam mas não menstruam (devido à camada fina de endométrio). É indicado no tratamento de miomas, alguns casos de endometriose e para proteção do endométrio de pacientes que fazem uso de estrogênio para aliviar sintomas da menopausa.

  • Vantagens: melhora da libido em relação à pílula, menos chance de trombose, método de ação duradoura, não provoca alteração de peso, e diminuição da menstruação;
  • Desvantagens: pele oleosa, devido aos hormônios que vão para circulação sanguínea e atingem os receptores periféricos.
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O DIU Kyleena apresenta extrema semelhança com o Mirena, diferindo apenas no tamanho e na quantidade de hormônio liberado. O DIU Kyleenaé menor, mede 30 mm de comprimento por 28 mm de largura, e 1,55 mm de espessura. O DIU Mirena mede 32 mm de comprimento por 32 mm de largura, e 1,90 mm de espessura. A diferença de tamanho é importante para mulheres que nunca tiveram filhos, e adolescentes. Além disso, o DIU Kyleena apresenta em seu interior 19,5 mg de hormônio armazenado, enquanto o Mirena tem 52 mg de hormônio armazenado.

O DIU Mirena tem uma taxa de liberação de hormônio de 20 mcg por dia, enquanto o DIU Kyleena libera 17,5 mcg nos primeiros 24 dias após a sua inserção, caindo para 15,3 mcg após 60 dias. Como o Kyleena libera menos hormônio por dia, as pacientes mais sensíveis à ação da progesterona apresentam menos efeitos colaterais, sem redução na efetividade contraceptiva.

  • Vantagens: DIU ideal para ser utilizado em adolescentes e mulheres com úteros pequenos, para a menstruação na maior parte das mulheres, melhora a cólica menstrual, apresentam um dos menores índices de falhas de todos os contraceptivos, retorno imediato da fertilidade ao retirar o DIU, pode ser usado durante a amamentação, e pode ser utilizado em mulheres com alto risco para trombose;
  • Desvantagens: A colocação e remoção de qualquer DIU pode gerar desconforto, não está disponível na rede pública, sangramento imprevisível, especialmente nos primeiros 6 meses após a colocação, algumas mulheres podem apresentar cefaleia e acne após colocação do DIU hormonal, não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (DSTs), como por exemplo, o HIV (AIDS), sífilis e o HPV.

Os dispositivos intrauterinos, além de serem seguros, não exigem disciplina, como no caso de outros métodos contraceptivos. Outra vantagem é que não geram custos adicionais depois da sua inserção. Assim, se tornam uma ótima opção de controle de natalidade.

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Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Direitos sexuais, direitos reprodutivos e métodos anticoncepcionais / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/direitos_sexuais_reprodutivos_metodos_anticoncepcionais.pdf. Acesso em 22 de abril de 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.. Manual Técnico para Profissionais de Saúde : DIU com Cobre TCu 380A / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2018. Disponivel em http://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/wp-content/uploads/2018/12/manual_diu_08_2018.pdf. Acesso em 24 abri. 2020.

MACHADO. Rogério Bonassi. Uso de dispositivos intrauterinos (DIU) em nulíparas – – São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2017. (Série Orientações e Recomendações FEBRASGO, no. 1/Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção). Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/16-serie_diu.pdf. Acesso em: 24 de abr. 2020.

NAÇÕES UNIDAS BRASIL – Cerca de 79% das brasileiras usaram métodos contraceptivos em 2015, informa ONU, publicado em 02/02/2016. Disponivel em < https://nacoesunidas.org/cerca-de-79-das-brasileiras-usaram-metodos-contraceptivos-em-2015-informa-onu/> Acesso em 22 abr. 2020

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