Clínica Médica

Endoscopia Digestiva Alta | Colunistas

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Gabriela Holanda

7 min há 327 dias
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A palavra endoscopia tem seu nome originado da junção das palavras gregas endo (dentro de) e skopien (procurar com um propósito). Assim, a endoscopia consiste na exploração visual do interior do corpo por meio da inserção do endoscópio através de orifícios naturais ou pequenas incisuras.

A esofagogastroduodenoscopia, mais conhecida como endoscopia digestiva alta (EDA), é o exame endoscópico que permite a inspeção do esôfago, do estômago e da porção mais proximal do duodeno, além da realização de uma série de procedimentos, como biópsias.

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O procedimento dura em média de 10 a 20 minutos e consiste na inserção do aparelho endoscópico pela boca do paciente posicionado em decúbito lateral, aplicando-se anestésico em spray na garganta do paciente para que a passagem do endoscópio seja tolerada. Geralmente o paciente recebe uma sedação leve, através da administração de analgésicos opioides por via endovenosa. O procedimento é registrado em vídeo, permitindo uma análise posterior, além de ser possível fotografar qualquer momento do exame. 

Qual o equipamento necessário para a realização do exame?

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O endoscópio utilizado consiste em um tubo de 1 metro de comprimento e com 8 a 11 milímetros de diâmetro. Em sua ponta, o aparelho possui uma câmera de alta resolução, uma fonte de luz própria que permite a iluminação das cavidades corporais e dispositivos inseridos que permitem a aspiração de fluidos corporais e a injeção de jatos de água ou ar, utilizados para limpar o campo visual examinado. Além disso, a extremidade do endoscópio possui uma pequena abertura pela qual podem ser introduzidos diferentes acessórios, como pinças, laços e agulhas, permitindo a realização de diversos procedimentos.

Embora o endoscópio seja considerado um equipamento moderno, sendo continuamente melhorado, os historiadores acreditam que já na Antiguidade existiam instrumentos com a semelhante função de permitir a exploração das cavidades corporais. Nas ruínas de Pompeia, foram encontrados artefatos que se assemelham aos atuais anuscópios. Contudo, a história do endoscópio moderno tem origem no início do século XIX, com o Lichtleiter, invento do médico alemão Phillipp Bozzini que permitia o exame do canal urinário, do reto e da faringe. Cinquenta anos depois, o médico francês Jean Antoine Desormeaux aperfeiçoou o invento, utilizando-o com sucesso durante a operação de um paciente. Entretanto, a diversidade de finalidades que o endoscópio possui atualmente se deve ao aprimoramento realizado na década de 60 pelo médico sul-africano Basil Hirschowitz, que adaptou a tecnologia de fibra óptica ao aparelho, possibilitando a construção do endoscópio flexível.

Quais as indicações para a EDA?

A endoscopia digestiva alta pode ter finalidade diagnóstica ou terapêutica, podendo ser utilizada para a investigação de quadros de disfagia, quadros de dor ou desconforto no abdome superior, quadros de náuseas e vômitos persistentes e quadros de anemia ferropriva de etiologia desconhecida. O exame também possibilita a pesquisa de varizes esofágicas em pacientes cirróticos ou com hipertensão portal, o rastreio de câncer esofágico em pacientes com esôfago de Barrett, a avaliação da doença do refluxo gastroesofágico refratária ao tratamento, além da análise da evolução de diferentes doenças e procedimentos terapêuticos realizados. Já, com finalidade terapêutica, é possível citar os procedimentos de polipectomia, dilatação de estenoses, como a causada pela acalásia, colocação de prósteses, gastrostomia e posicionamento do tubo de alimentação.

Com intenso uso nos setores de urgência e emergência em hospitais, a EDA pode ser utilizada para avaliar a gravidade de lesão esofágica em pacientes que ingeriram substâncias corrosivas e remover corpos estranhos engolidos. Entretanto, sua principal utilização nos serviços de emergência é na avaliação e possível tratamento de quadros de hemorragia digestiva alta (HDA), como colocação de hemoclipes, injeção de fármacos, fotocoagulação a laser e escleroterapia.

Quais as possíveis complicações do exame?

A EDA diagnóstica possui menos riscos de complicações do que a terapêutica. Contudo, deve-se destacar o risco de complicações cardíacas, relacionadas especialmente à utilização dos anestésicos para o procedimento, o risco de perfuração, de hemorragias, principalmente em biópsias, além do risco de infecção.

Quais as contraindicações para a realização da EDA?

As contraindicações absolutas são as mesmas para qualquer endoscopia digestiva: choque, infarto agudo do miocárdio, peritonite, perfuração aguda e colite fulminante. Já as contraindicações relativas, quando os riscos e benefícios devem ser pesados antes de prosseguir com o exame, são quando o paciente não está cooperativo, possui arritmias cardíacas, tem histórico de isquemia miocárdica recente e está em coma e não foi realizada intubação.

Qual é a preparação necessária para o exame?

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Para que o exame seja realizado de forma eficaz e segura para o paciente, é necessário seguir algumas recomendações:

  • Orientar o paciente quanto ao modo de realização do exame, esclarecendo quais são as possíveis complicações e quais são as outras alternativas existentes. Também é importante destacar a necessidade da presença de um acompanhante, que deve ser informado sobre as possíveis complicações que podem se manifestar após o exame e instruído quanto às medidas que devem ser tomadas em caso de intercorrências;
  • A maioria das medicações usuais do paciente podem ser mantidas e administradas em seu horário regular, entretanto é necessário ingeri-las com a menor quantidade de líquido possível, para evitar a formação de bolhas e o acúmulo de líquido no aparelho digestivo, prejudicando a visibilidade. No caso de pacientes em uso de agentes antiplaquetários ou anticoagulantes, o médico deve avaliar se o risco de sangramento, devido ao procedimento e que pode ser agravado pela medicação, supera o risco de evento tromboembólico causada pela suspensão da medicação;
  • Pedir ao paciente que assine um termo de consentimento informado, o qual deve conter informações sobre o exame e os possíveis procedimentos que podem ser realizados durante a EDA;
  • Exames laboratoriais se fazem necessários apenas em casos específicos, não sendo realizados rotineiramente;
  • Suspender a ingestão de alimentos sólidos de 6 a 8 horas antes do exame e a de líquidos 4 horas antes do exame. Contudo, pacientes com patologias que podem prolongar o esvaziamento gástrico, devem aderir a uma dieta líquida de 72 a 48 horas antes do exame, com jejum absoluto de 8 a 12 horas;
  • A antibioticoprofilaxia é reservada a pacientes submetidos a procedimentos específicos ou portadores de determinadas condições;
  • Meia-hora antes do exame pode ser administrada dimeticona por via oral a fim de diminuir a formação de bolhas de secreção, facilitando a visualização durante o procedimento.

Autora: Gabriela Silva Holanda

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