Outros

Entender o ECG: como ler o traçado do eletrocardiograma

Entender o ECG: como ler o traçado do eletrocardiograma

Compartilhar
Imagem de perfil de Carreira Médica

Você já tentou entender o ECG e se perguntou “como alguém sabe tudo isso?” alguma vez? Já se preocupou em não decifrar o que cada alteração pode sugerir? Então esse se post é para você!

O eletrocardiograma é um exame simples que coloca no papel a atividade elétrica do coração. Portanto, o básico sobre seu funcionamento deve ser entendido pelos estudantes de medicina. E isso vale para todos os estudantes, não só para os que pretendem seguir pela Cardiologia!

Apesar de ser um exame de execução simples, o processo de compreensão é bastante complexo. Dessa forma, tentar entender o ECG de uma só vez é a formula para se embaralhar. O ideal é começar aos poucos, consolidando novos conceitos em cima dos que já foram absorvidos. Então vamos começar pelo básico.

1. Derivações e posicionamento de eletrodos

O primeiro a se saber sobre o ECG para conseguir entender como ele funciona é que existem 12 derivações. As derivações são como “pontos de vistas” do coração. E o que elas “observam”? A diferença de potencial entre dois eletrodos ou entre um ponto virtual e um eletrodo. Dessa forma, o traçado dessa ddp corresponde à atividade elétrica do coração.

Quando a ddp é feita a partir de dois eletrodos, a derivação é dita bipolar. Quando é feita entre um eletrodo e um ponto virtual, é chamada de monopolizar. Metade das derivações são chamadas de precordiais, pois estão em um plano horizontal “em frente” ao coração. Todas elas são monopolares (V1, V2, V3, V4, V5 e V6). As outras seis derivações são as periféricas, divididas em monopolares (aVR, aVL e aVF) e bipolares (D1, D2 e D3).

Como cada eletrodo tem seu próprio posicionamento, cada derivação observa o fluxo elétrico de um ponto de vista, de forma que no papel isso se traduz em ondas negativas e positivas. Positivas quando o vetor da ddp é visto se aproximando e negativas quando o vetor é visto se afastando da derivação em questão.

E qual o posicionamento dos eletrodos?

  • Precordiais – plano horizontal
    • V1: quarto espaço intercostal (EIC), no rebordo costal direito
    • V2: quarto EIC, no rebordo costal esquerdo
    • V3: entre V2 e V4
    • V4: quinto EIC, na linha hemiclavicular esquerda
    • V5: quinto EIC, na linha axilar anterior esquerda
    • V6: quinto EIC, na linha axilar média esquerda
  • Periféricas – plano frontal
    • Vermelha: membro superior direito
    • Preta: membro inferior direito
    • Verde: membro superior esquerdo
    • Amarela: membro inferior esquerdo

2. Ondas normais no traçado

Antes de entender como as alterações são expressas no ECG, precisamos entender o que é o normal.

Corações com funcionamento elétrico normal (ritmo sinusal) vão apresentar traçados muito semelhantes. Saber o que cada onda do traçado significa em um coração normal é essencial para compreender como as patologias se apresentam.

  • Onda P: representa a despolarização atrial, sendo que sua parte inicial corresponde mais ao átrio direito e a final, ao esquerdo.
  • Complexo QRS: representa a despolarização ventricular.
    • E a repolarização atrial? Não é vista no ECG, uma vez que a despolarização ventricular a “superpõe”.
  • Onda T: representa a repolarização ventricular. Tem sempre a mesma polaridade que o complexo QRS.

3. Alterações

Agora as coisas começam a ficar mais complexas.

Sabendo as características normais do eletrocardiograma, podemos começar a entender as alterações vistas no seu traçado. Contudo, o melhor é começar a estudar a fisiopatologia das alterações primeiro e depois seguir para a leitura do ECG.

Sabendo que a frequência cardíaca normal é na faixa de 50/60 a 100 bpm, podemos dividir “logo de cara” as arritmias em dois tipos principais: as bradicardias e as taquicardias. As causas são as mais diversas, podendo incluir distúrbios elétricos e morfológicos. Entre os distúrbios elétricos, podemos citar os bloqueios de ramos e as extrassístoles. Entre os morfológicos, sabemos que as dilatações de câmaras e a morte celular causam alterações.

Como esse assunto toma capítulos de livros, não vamos conseguir desmembrar todas as arritmias e suas apresentações no ECG em um único post. Dessa forma, vamos às indicações!

Caso queira ler um pouco sobre 5 tipos de infarto, confira esse post da Sanar. Se quiser, depois disso, continuar a aprender mais sobre as arritmias e muito mais relativo ao ECG, a Sanar tem a fonte perfeita!

O manual de ECG aborda tudo, desde o básico ao mais avançado do eletrocardiograma, de forma didática e prática. São 31 capítulos com uma sessão inteira dedicada às arritmias. Adquira aqui o seu!

Compartilhe com seus amigos: