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Esquema vacinal: imunização da gestante | Colunistas

Esquema vacinal: imunização da gestante | Colunistas

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Imagem de perfil de Gabriela Malta Coutinho

Visando a promoção da saúde não só da gestante, como também do bebê, é importante atentar-se às particularidades exigidas ao período, dentre elas à adequação necessária do esquema vacinal. Além do mais, sabe-se também que a vacinação é uma ferramenta fundamental para saúde e prevenção contra agravos e doenças e, caso não administrada adequadamente, pode ocasionar o óbito.

Se tratando em específico da saúde do bebê, uma vez que seu sistema imunológico se encontra ainda em desenvolvimento, a adequação da imunização materna exercerá função protetora e o deixará menos suscetível a agentes infecciosos. Desse modo, ainda no período fetal, anticorpos da mãe poderão estimular a defesa do organismo por via-placentária e, após o nascimento, pelo aleitamento materno.

Vacinas

O esquema vacinal contempla grande importância no pré-natal da gestante e se torna responsável por garantir que boas condições de saúde sejam requeridas corretamente. Dentre as vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), encontram-se:

Hepatite B (HB recombinante)

Hepatite B é uma doença infecciosa causada pelo vírus B da hepatite (HBV), responsável por acometer o fígado. Segundo o Ministério da Saúde, em crianças menores de um ano o risco de desenvolvimento da forma crônica da doença chega a 90% e em crianças entre um e cinco anos, varia entre 20% e 50%. Esse vírus está presente em secreções e no sangue e a doença pode ser classificada ainda como uma IST (infecção sexualmente transmissível), podendo ser transmitida da mãe infectada para o filho, durante a gestação e o parto. A cronicidade da enfermidade pode ser influenciada pela idade do indivíduo acometido e, por essa razão, entra como fator importante de prevenção no pré-natal.

A vacina deve ser aplicada em gestantes não anteriormente vacinadas e suscetíveis à infecção. Logo, caso já vacinada, não há necessidade de reforço. Caso ela apresente esquema incompleto, deve-se completar o esquema. Entretanto, para gestantes sem comprovação de vacinação anterior, será necessária a solicitação da sorologia AntiHBs: sendo positiva, será considerada imunizada e; se negativa, deverá iniciar o esquema elucidado a seguir.

Gestante não vacinada/imunizada – administrar três doses, considerando o histórico de vacinação anterior e os intervalos preconizados entre as doses, no esquema 0 – 1 – 6 meses. Desse modo, o intervalo recomendado entre as doses é de 1 mês entre a primeira e segunda dose, e de seis meses entre a primeira e a terceira dose. Em resumo: 2ª dose um mês após 1ª dose e 3ª dose seis meses após 1ª dose. A aplicação da vacina poderá ser contemplada em qualquer período gestacional, mas de preferência no início do 2º trimestre.   

 

Caso não seja possível prosseguir da maneira proposta, o intervalo mínimo entre as doses a ser respeitado deve ser de um mês entre a primeira e segunda dose, e de 4 meses entre a primeira e a terceira dose. Em resumo: 2ª dose um mês após 1ª dose e 3ª dose quatro meses após 1ª dose. Caso não seja possível completar todo o esquema durante a gestação, deverá ser concluído após o parto.

Vacina adsorvida difteria e tétano adulto – dT/ Dupla Adulto

Responsável pela prevenção contra difteria e tétano, a dT-adulto tem grande importância na contenção dessas patologias. A priori, a difteria é uma doença contagiosa e potencialmente letal, causada pelo bacilo toxigênico Corynebacterium diphtheriae, frequentemente alojado nas amígdalas, faringe, laringe, nariz e, ocasionalmente, em outras mucosas e na pele. Sua via de transmissão ocorre devido ao contato direto com os doentes ou portadores, por meio de gotículas de secreção respiratória (eliminadas por tosse, espirro ou ao falar).

Em relação ao tétano, é contemplada pela vacina a proteção contra o tétano acidental e a prevenção do tétano neonatal. Diferente da difteria, a contaminação com tétano acidental não é contagiosa e age sobre o sistema nervoso central provocando um estado de hiperexcitabilidade (devido a ação da exotoxina produzida pela bactéria Clostridium tetani). Tais microrganismos atuam penetrando e contaminando pessoas que tenham lesões na pele, provocando principalmente rigidez muscular em todo o corpo (em especial no pescoço), dificuldade para abrir a boca e para engolir e espasmos dos músculos da face. Essa contração muscular característica da doença pode atingir os músculos respiratórios e ser fatal caso não atendido prontamente.

Outrossim, o tétano neonatal é ocasionado pela mesma bactéria do tétano acidental e acomete o recém-nascido nos primeiros 28 dias de vida, apresentando como sintoma inicial dificuldade de sucção, irritabilidade e choro constante.

O esquema vacinal da dT-adulto pode ser administrado a partir da comprovação da gravidez em qualquer período gestacional. Considerando que toda gestante deve receber uma dose de dTpa durante a gestação (referenciada no tópico 1.3), a estratégia será apresentada em conjunto (1.3.1).

Vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (acelular) – dTpa adulto

Age como proteção contra difteria, tétano e coqueluche. Assim, além de exercer ação contra os agentes contemplados na dT-adulto, oferece defesa também à Bordetella pertussis e evita que a gestante a transmita ao recém-nascido.

A coqueluche, causada justamente pela Bordetella pertussis, é uma doença infecciosa aguda e de elevada transmissibilidade que compromete o aparelho respiratório (traquéia e brônquios) do indivíduo. Sua principal forma de transmissão é pelo contato direto ou indireto da pessoa doente com uma pessoa suscetível, não vacinada, através de gotículas de saliva expelidas por tosse, espirro ou fala.

Também conhecida como Tríplice Bacteriana Acelular, a vacina é recomendada pelo Ministério da Saúde em todas as gestações (uma dose a cada gravidez). O período de vacinação da dTpa adulto deve ocorrer idealmente entre a 20ª e a 36ª semana de gestação, de preferência entre a 27ª e a 32ª semana.

Para as mulheres que perderam a oportunidade de serem vacinadas durante o período gestacional, será necessária a administração de 1 dose de dTpa no puerpério (até 45 dias), o mais precocemente possível.

Esquema vacinal dT e dTpa

A recomendação do Ministério da Saúde é que a gestante receba duas doses da vacina contra difteria e tétano (dT), de acordo com a situação vacinal da gestante, e mais uma dose da vacina dTpa a cada gestação.

Em resumo, caso não haja comprovação de vacinação anterior da dT-adulto, será necessária a aplicação das duas doses com intervalo de 60 dias (contemplando um intervalo mínimo de 30 dias). Caso esteja completo o esquema da dT, não vacinar novamente. Contudo, se incompleto, completar esquema. Para administração da dTpa-adulto, associar esquema com dT no intervalo de 60 dias (mínimo de 30 dias), se necessário. Gestantes não vacinadas com a dTpa deverão receber o imunizante mesmo após o parto.

Em primeira instância, para a aplicação do esquema adequado para a gestante, é necessário avaliar o seu histórico vacinal:

Gestantes previamente vacinadas, com pelo menos três doses de vacina contendo o componente tetânico – uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação. Deve-se administrar reforço dez anos após a data da última dose; 

Em gestantes com vacinação incompleta tendo recebido uma dose de vacina contendo o componente tetânico – uma dose de dT e uma dose de dTpa, sendo que a dTpa deve ser aplicada a partir da 20ª semana de gestação, preferivelmente entre a 27ª e a 32ª semana. Interagir esquema com dT no intervalo de 60 dias ou respeitando um intervalo mínimo de um mês entre elas;

Em gestantes com vacinação incompleta tendo recebido duas doses de vacina contendo o componente tetânico – uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação, o mais precocemente possível;

Em gestantes não vacinadas e/ou histórico vacinal desconhecido – duas doses de dT e uma dose de dTpa, sendo que a dTpa deve ser aplicada a partir da 20ª semana de gestação. Respeitar intervalo mínimo de um mês entre elas;

Em caso de gravidez e ferimentos graves – antecipar a dose de reforço, sendo a última dose administrada a mais de 5 anos.

Deve-se iniciar o esquema o mais precocemente possível, independentemente da idade gestacional. A última dose deve ser administrada no mínimo 20 dias antes da data provável do parto.

Influenza

A vacina contra gripe é recomendada para toda gestante e mulher no período puerpério, uma vez que se enquadram no grupo de risco para as complicações da infecção pelo vírus. É ofertada durante a Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza, devendo ser administrada em qualquer idade gestacional, contemplando o esquema de dose anual única.

A influenza é uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório, de elevada transmissibilidade e tendência a se disseminar facilmente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os casos podem variar de leve a grave e até levar a óbito. Ademais, sua transmissão ocorre principalmente através do contato com partículas eliminadas por pessoas infectadas ou mãos e objetos contaminados por secreções. 

Desde que disponível, a vacina influenza tetravalente (4V) é preferível à vacina influenza trivalente (3V), por conferir maior cobertura das cepas circulantes. Na impossibilidade de uso da vacina 4V, utilizar a vacina 3V. A vacina trivalente contém duas cepas de vírus A e uma cepa de vírus B, e vacina tetravalente, duas cepas de vírus A e duas cepas de vírus B.

Calendário vacinal idealmente esquematizado

Figura 1. Anexo do Calendário Nacional de Vacinação da gestante (2020).
Acessar em: https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/fevereiro/27/Calendario-Vacinao-gestante.pdf

Vacinas aplicadas em situações especiais

Apesar de não constarem no calendário vacinal do período pré-natal, podem ser solicitadas na presença de riscos para a mãe ou para o bebê. Contudo, faz-se importante ressaltar que só devem ser aplicadas com indicação médica:

 

Hepatite A e hepatite A e B

A necessidade de proteção contra o agente transmissor da hepatite A pode ser considerada caso apresentada alta exposição às situações de risco. 

 

Pneumocócicas

Esquema sequencial de vacinas pneumocócicas pode ser aplicado em gestantes de risco para doença pneumocócica invasiva, uma vez que são capazes de proteger contra doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumonia, otite média aguda, sinusite, meningite e bacteremia).

Meningocócica conjugada ACWY e meningocócica B

Poderão ser aplicadas na gestante, sendo considerada a situação epidemiológica (que varia de região para região).

Febre amarela

Geralmente é contraindicada para gestantes. Porém, em situações em que o risco da infecção supera os riscos potenciais da vacinação, pode ser feita durante a gravidez com indicação médica.

 

Vacinas contraindicadas 

Tríplice viral (proteção contra sarampo, caxumba e rubéola)

A vacina tríplice viral não pode ser tomada por gestantes, mas pode ser aplicada no puerpério e durante a amamentação.

HPV e varicela (catapora)

Também só podem ser aplicadas após o nascimento do bebê, no período do puerpério e durante a amamentação. Caso a mulher tenha iniciado esquema antes da gestação, suspendê-lo até puerpério.

Dengue

Esta é contraindicada não só para gestantes, mas também durante a amamentação.

Tais vacinas podem provocar reações adversas e complicações para o bebê, sendo totalmente contraindicadas para gestantes. Contudo, são de extrema importância para outros grupos.

Resumo geral – esquematização

Figura 2. Calendário de Vacinação gestante: Recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2021/2022
Acessar em: https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-gestante.pdf

 

Conclusão

A correta realização do pré-natal é extremamente importante para preservação de boas condições de saúde para mãe e para o filho. Para isso, a atenção à imunização deve se fazer presente e impede que riscos potenciais acarretem mais ameaças aos envolvidos. 

As vacinas contempladas no calendário vacinal da gestante (Hepatite B, dT, dTpa e Influenza) não apresentam agentes vivos e, portanto, não causam as doenças. Além disso, estão disponibilizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) e podem também ser aplicadas em clínicas privadas.

Autora: Gabriela Malta Coutinho

Instagram: @gabriela_malta

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

  1. Rezende: obstetrícia fundamental / Carlos Antonio Barbosa Montenegro, Jorge de Rezende Filho. 14ª edição – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
  2. Caderneta da Gestante – 4ª edição. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Brasília : Ministério da Saúde, 2018: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/agosto/31/Caderneta-da-Gestante-2018.pdf
  3. Calendário Nacional de Vacinação 2020: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-de-vacinacao
  4. Calendário Nacional de Vacinação 2020 – gestante: https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/fevereiro/27/Calendario-Vacinao-gestante.pdf
  5. Calendário de Vacinação SBIm – Gestante: https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-gestante.pdf
  6. https://www.saude.go.gov.br/files/imunizacao/calendario/Calendario.Nacional.Vacinacao.2020.atualizado.pdf
  7. https://imunizarvacinas.com.br/tudo-sobre-vacinas/tudo-sobre-o-calendario-de-vacinas-para-gestantes/
  8. https://www.unimed.coop.br/viver-bem/pais-e-filhos/gravidez-conheca-as-vacinas-indicadas-para-as-gestantes
  9. https://vacinasparagravidas.com.br/
  10. https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/199-a-vacinacao-da-gestante
  11. https://aps.bvs.br/aps/quais-sao-as-vacinas-que-podem-ou-devem-ser-administradas-na-gestacao-quais-sao-os-aprazamentos-e-as-situacoes-especiais/
  12. https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/junho/09/instrucao-normativa_calendario-de-vacinacao-2020-1.pdf
  13. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cart_vac.pdf
  14. http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/hv/o-que-sao-hepatites/hepatite-b
  15. http://www.saude.ba.gov.br/suvisa/vigilancia-epidemiologica/doencas-imunopreveniveis/coqueluche-difteria-e-tetano/
  16. https://bvsms.saude.gov.br/tetano/
  17. https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/coqueluche-sintomas-transmissao-e-prevencao
  18. http://www.saude.ba.gov.br/suvisa/vigilancia-epidemiologica/doencas-imunopreveniveis/influenza/
  19. https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis/vacina-gripe-influenza
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