Introdução
As hemorragias retinianas são exemplos de retinopatias provenientes das diapedeses de veias ou capilares, que resultam em algum tipo específico de extravasamento de sangue ocular. As diversas aparências morfológicas das mais variadas hemorragias retinianas são influenciadas pela localização e pela quantidade de níveis acometidos da retina, sendo geralmente misturadas.
Os oftalmologistas possuem grande papel e imensa responsabilidade, assim, devem ser capacitados e estar sempre atentos às descrições dos padrões de manifestações clínicas entre os seus pacientes, a fim de proporcionarem um laudo médico com diagnóstico adequado e garantir uma evolução adequada para um bom prognóstico ao paciente que foi acometido pela hemorragia.
Classificação
As hemorragias retinianas podem ser classificadas de acordo com o seu extravasamento sanguíneo ocular, podendo ocorrer em sua própria retina (hemorragia intrarretiniana), entre a retina e o epitélio pigmentar da retina (hemorragia sub-retiniana), ou até mesmo entre a retina e a face hialoide do corpo vítreo (hemorragia sub-hialoide ou pré-retiniana). Além desses subtipos específicos, existem outros exemplos, como as hemorragias puntatas, as lineares, as com centros esbranquiçados (chamadas de manchas de Roth) e as que estão sob o epitélio pigmentar da retina.
Etiologia
A etiologia das hemorragias retinianas é muito variável, abrangendo desde casos clínicos com causa idiopática até quadros relacionados com edema cerebral, hemorragia subaracnóidea, exposição a grandes altitudes (altitudes acima de 3000 metros), traumatismo craniano, infecções virais (citomegalovírus, dengue, herpes simples), aumento das pressões venosa central retiniana e intraocular (convulsões, compressão torácica, choro), induções medicamentosas, entre outras causas.
Epidemiologia
As hemorragias retinianas neonatais possuem uma incidência muito variável, com valores de faixas entre 2-6% a 50%. O evento pode ser justificado devido ao tempo variável do período após o nascimento do bebê até o momento exato da realização do exame de fundo de olho no recém-nascido. Entretanto, as hemorragias retinianas em recém-nascidos geralmente são consideradas auto resolutivas, assim não necessitando de intervenções médicas específicas. Além disso, as crianças acometidas costumam evoluir para um quadro de desenvolvimento visual normal.
A incidência de hemorragias retinianas em pacientes acometidos por hemorragias subaracnóideas possui uma faixa de variação entre 20% a 32%, sendo os quadros de ocorrência simultânea ou com resolução posterior de alguns dias devido à presença do aumento da pressão intracraniana e da pressão da veia central retiniana. Esses pacientes costumam ter suas hemorragias resolvidas espontaneamente, sem a necessidade de uma intervenção médica.
Fisiopatologia
A fisiopatologia das hemorragias retinianas é diversa e abrange inúmeros fatores contribuintes. Desse modo, as hemorragias retinianas podem ser provocadas por qualquer tipo de distúrbio que provoque algum tipo de alteração em relação à integridade das células endoteliais dos vasos sanguíneos relacionados à barreira hematorretiniana.
Geralmente, tais hemorragias retinianas indicam algum tipo de acometimento ou anormalidade no sistema vascular da retina e de alguns fatores sistêmicos, sendo assim, devem ser consideradas em relação a doenças da parede vascular, como a hipertensão e o diabetes, a distúrbios sanguíneos, como a leucemia e a policitemia, além da perfusão sanguínea reduzida, como em casos de fístulas da artéria carótida com seio cavernoso, e a perda sanguínea aguda.
Quadro clínico
O quadro clínico da hemorragia retiniana envolve desde o comprometimento da visão com a presença de flashes até a visualização de ‘‘moscas volantes’’ ou, em casos mais graves, a perda da visão ocular.
Diagnóstico
O diagnóstico de doenças vasculares retinianas, como as hemorragias retinianas, deve ser realizado por um médico oftalmologista capacitado e experiente na área, a fim de garantir um laudo médico de confiança. O médico pode fazer o diagnóstico por meio do exame do fundo de olho, que proporciona ao oftalmologista a confirmação da suspeita de hemorragia e garante a localização exata do acometimento ocular. Além desse exame diagnóstico, a fim de realizar o exame dos vasos retinianos com eficácia, podem ser utilizados também mecanismos diagnósticos mais desenvolvidos, como no uso da luz com filtro vermelho, na angiofluoresceinografia e no Retcam (estudos apontam grande eficiência no diagnóstico em recém-nascidos).

Fonte: https://bmcophthalmol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12886-018-0887-y
Tratamento
O tratamento dos mais diversos tipos de hemorragias retinianas deve ser feito com base na gravidade e na extensão de cada um dos casos clínicos, pois muitas vezes estas possuem a capacidade de auto resolução sem ter a necessidade de uma intervenção médica. Porém, em casos clínicos mais graves, o paciente deve ser submetido à realização de uma cirurgia com um oftalmologista cirurgião capacitado e experiente, a fim de evitar qualquer possibilidade de complicações futuras, além de garantir uma melhor qualidade de vida e conforto ao paciente em questão.
Conclusão
As inúmeras hemorragias retinianas são apenas alguns dos exemplos das inúmeras afecções oculares existentes e estudadas nos dias de hoje que podem vir a acometer o ser humano. Sendo assim, é de suma importância que você crie e cultive o hábito de cuidar melhor de sua saúde, em aspecto geral, e ter atenção aos mínimos detalhes de seu corpo. Além da criação de uma maior responsabilidade sob a sua saúde, é importante e necessário manter em dia suas consultas e exames médicos.
Lembre-se sempre da importância de consultar e recorrer a um bom oftalmologista. Desde o primeiro sinal de incômodo e mudanças em sua visão habitual, procure o seu médico, a fim de evitar futuras complicações e garantir uma boa saúde ocular.
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Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
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