Anatomia de órgãos e sistemas

Hipotermia: como prevenir? | Colunistas

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Introdução

Em condições consideradas normais, sem qualquer patologia capaz de afetar o centro regulador da temperatura corporal, no sistema nervoso central, o organismo humano é plenamente capaz de manter a homeostase do corpo controlando a temperatura por volta dos 37º C.

Contudo, determinadas situações ou doenças possuem a capacidade de modificar a temperatura corporal, seja causando sua elevação, seja causando sua diminuição. A hipotermia é uma condição na qual o corpo encontra-se em temperaturas inferiores a 35º C, ou seja, ocorre mais perda do que produção de calor pelo organismo humano.

Etiologia e fisiopatologia      

            Como já foi salientado, um quadro de hipotermia é estabelecido quando a perda de calor é maior do que a capacidade do corpo de produzir o calor. O principal fator causador de hipotermia é a exposição a ambientes muito frios, com baixas temperaturas. Contudo, não são apenas as baixas temperaturas ambientais capazes de originar a hipotermia. O uso abusivo de medicamentos, como antitérmicos e reações adversas de alguns anti-inflamatórios, por exemplo, também são capazes de diminuir a temperatura corporal para níveis abaixo de 35º C. Outros fatores que também podem desencadear esse quadro são: AVC, problemas no sistema nervoso central, no centro regulador da temperatura, o hipotálamo, trauma raquimedular, disfunções endócrinas e grandes queimaduras e lesões extensas na pele.

É importante salientar [Pacheco1] que é mais comum em pessoas idosas e crianças. A população mais avançada, geralmente, possui menor quantidade de tecido subcutâneo e diminuição da massa muscular, fatores que atuam facilitando a perda de calor. Por sua vez, pessoas com pouca idade também apresentam as mesmas características do público idoso, além de possuírem uma maior relação superfície/massa, o que facilita também a perda de calor.

            Quando ocorre grande queda da temperatura corporal, por causa de suas características em manter a homeostasia, o corpo inicia processos na tentativa de restabelecer a temperatura corporal normal por meio da diminuição da perda de calor. O hipotálamo, responsável pelo controle da temperatura corporal, em situações que causam grandes perdas de calor, estimula a liberação de catecolaminas, que atuam na vasoconstrição dos vasos periféricos, na tentativa de diminuir a dissipação do calor pelas extremidades. As catecolaminas também causam os tremores dos músculos esqueléticos no intuito de causar maior produção de calor. Se não tratada, a evolução da hipotermia pode deixar lenta as funções fisiológicas, como a respiração, batimentos cardíacos, condução nervosa, estado mental, reação neuromuscular e funções metabólicas. A disfunção das células dos rins causa a diminuição da ação do ADH, provocando grandes volumes de urina, condição conhecida como diurese fria.   

Quadro clínico

            Os principais sintomas da hipotermia são os calafrios, manifestados nos momentos iniciais. No início, também ocorre tremores involuntários, pele fria, pálida e pegajosa e fadiga. Com o progredir do quadro, os calafrios param, movimentos ficam lentos e desordenados, ocorre confusão mental manifestada pelo raciocínio lento e falta de discernimento. Por fim, em condições bastante críticas, os ritmos cardíacos e respiratórios diminuem, podendo causar a morte do paciente.

Como evitar e tratar a hipotermia?

                Primeiramente, é importante conhecer algumas medidas que não devem ser realizadas, como a aplicação do calor diretamente no corpo, como uso de águas quentes ou lâmpadas de calor, por exemplo, pois como a pele encontra-se com uma temperatura bastante diminuída, o contato direto com substâncias de elevadas temperaturas pode causar graves queimaduras. Outra importante atitude para ser evitada é a administração de bebidas quentes se a pessoa estiver inconsciente, pois essas bebidas podem provocar engasgos e vômitos.

            Para evitar que a hipotermia se desenvolva em situações nas quais os ambientes são mais frios, como montanhas e serras, é adequado a utilização de agasalhos ou quaisquer outras vestimentas que ajudem a reter o calor. Se por algum motivo a pessoa entrar em contato com água gelada e ficar molhado, é necessário que realize a troca de vestimenta imediatamente. Em casos de hipotermia leve, quando a pessoa sente apenas leves tremores e frios, o aconselhável é utilizar roupas quentes e secas, e realizar a ingestão de bebidas e alimentos quentes, como sopas e chás. Não é adequado o uso de café ou quaisquer bebidas alcoólicas, pois elas fazem com que a perda de calor seja elevada. Vale lembrar que esses cuidados iniciais são importantes em pessoas de qualquer faixa etária, mas especialmente em idosos e crianças que possuem a tendência de perder calor com mais facilidade.

            Caso a hipotermia não seja cessada com os cuidados iniciais citados anteriormente, é necessário que a pessoa seja encaminhada para tratamento hospitalar imediatamente. No hospital, o paciente pode ser aquecido por meio da aplicação de oxigênio quente (40º a 45º C) por via inalatória, através de um tubo ou máscara endotraqueal. Outros líquidos também podem ser injetados por via intravenosa ou aplicação direta na bexiga, estômago, cavidade abdominal ou região torácica. Outra medida possível é o aquecimento direto do sangue. Nessa situação, por meio de uma hemodiálise, o sangue é bombeado para fora do corpo, passa por um filtro que possui um sistema de aquecimento acoplado e retorna para o corpo. Se a respiração estiver muito comprometida, ainda é possível realizar a intubação e aplicar a respiração mecânica. Em casos de parada cardíaca, é realizado a reanimação cardiopulmonar.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

DE MATTIA, A. L. et al . Hipotermia em pacientes no período perioperatório. Rev. esc. enferm. USP,  São Paulo ,  v. 46, n. 1, p. 60-66,  Feb.  2012 .   Available from . access on  14  Feb.  2021.  https://doi.org/10.1590/S0080-62342012000100008.

LOPES, I. G. et al . Prevenir a hipotermia no perioperatório: revisão integrativa da literatura. Rev. Enf. Ref.,  Coimbra ,  v. serIV, n. 4, p. 147-155,  fev.  2015 .   Disponível em. acessos em 14 fev. 2021.  http://dx.doi.org/10.12707/RIV14027.

MARTINS, H. S.; DAMASCENO, M. C. T.; AWADA, S. Pronto Socorro: Medicina de emergência; 3ª Ed. São Paulo: Manole, 2012.

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