Introdução
Distúrbios gastrointestinais são patologias que afetam o aparelho digestório (esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, cólon, reto e ânus), assim como os órgãos que contribuem para a digestão (pâncreas, fígado e vesícula biliar). São caracterizados por variáveis sinais e sintomas inerentes do trato digestivo associados à motilidade ou a função digestiva, sejam eles disfunções ou somente desagrados passageiros. A maioria dessas doenças são de consenso comum e acabam acometendo diversas pessoas, alguma delas são:
- esofagite;
- gastrite;
- refluxo gastroesofágico;
- úlcera péptica;
- gases;
- prisão de ventre;
- aclasia;
- pancreatite;
- insuficiência pancreática.
Fatores de risco
Os hábitos de vida de um indivíduo estão diretamente relacionados com os distúrbios gastrointestinais, os mesmos se tornam fatores e causas desses distúrbios digestivos. Algumas das causas mais comuns são:
- má alimentação;
- falta de rotina alimentar;
- estresse;
- sedentarismo;
- obesidade;
- alcoolismo;
- tabagismo;
- uso de anti-inflamatórios;
- outras patologias.
Além desses fatores, o cenário da sociedade atual reflete em um aumento progressivo nos distúrbios gastrointestinais em virtude da rotina corrida das pessoas; maiores jornadas de trabalho, industrialização de alimentos, consumo excessivo de produtos processados e influência da mídia na alimentação. Em busca de facilitar e agilizar o cotidiano, as pessoas acabam tendo um grande desafio para manter hábitos saudáveis.
Manifestação clínica
Os sinais e sintomas correspondem a alguma doença do trato gastrointestinal, podendo causar algumas séries de complicações caso não tratados, por isso, a observação desses achados que, às vezes são muito comuns no dia a dia, podem afetar a homeostase do nosso organismo. As manifestações clínicas mais comuns dos distúrbios gastrointestinais são:
- diarreia;
- constipação;
- hemorragia do trato digestivo;
- regurgitação;
- dificuldade de deglutição;
- dor abdominal crônica;
- dor ou sangramento retal;
- náuseas e vômitos;
- dor torácica;
- dispepsia;
- azia;
- desconforto ou sensação de estômago inchado.
Diagnóstico
Para identificar doenças do trato gastrointestinal é preciso, primeiramente, identificar os sinais e sintomas claramente com uma anamnese completa e um bom exame físico, com essa análise é possível realizar hipóteses diagnósticas que podem ser sanadas com exames, assim o profissional poderá dar um diagnóstico correto. Os principais exames relacionados com os distúrbios gastrointestinais são:
- endoscopia;
- colonoscopia;
- exames histopatológicos;
- exames de urina;
- análise de sangue nas fezes;
- ressonância magnética;
- tomografia;
- biópsias.
Outro passo importante nas investigações das doenças são os possíveis sinais de alerta que podem indicar complicações dos distúrbios do trato gastrointestinal, como neoplasias, ulceração ou inflamação do trato digestivo. Os principais sinais de alerta são:
- disfagia, obstrução em bolus ou odinofágica;
- vômitos recorrentes;
- evidência de perda sanguínea de trato gastrointestinal ou anemia ferropriva;
- perda de peso involuntária;
- massa abdominal ou linfonodos patológicos;
- nova apresentação de sintomas digestivos ou alteração de hábitos intestinais em pacientes com mais de 45 anos.
Tratamento
Tratamento não farmacológico
A mudança no estilo de vida do indivíduo é essencial para um bom prognóstico da doença, já que os hábitos de vida das pessoas está diretamente ligado com essas patologias. Então, mudanças alimentares com a ajuda de um profissional que monte uma dieta mais saudável com exceções para cada caso, prática de exercícios físicos em busca de um equilíbrio biopsicossocial, além de evitar o consumo de álcool e o tabagismo.
Tratamento Farmacológico
Essa parte do tratamento vai ser muito centrada na pessoa e no seu caso clínico, então em conjunto com a mudança na qualidade de vida, os fármacos são variados de acordo com a patologia
Tratamento para sintomas esofágicos e dispépticos
Vários fármacos podem ser empregados para cessar os sintomas, porém, atualmente as drogas de primeira escolha são os inibidores de bomba de prótons (IBP), que inibem a produção de ácido pelas células parietais do estômago, reduzindo a agressão do esôfago representada pelo ácido. O omeprazol é o IBP largamente empregado em nosso país, sendo fornecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde para a população de baixa renda. Os IBP em dose plena devem constituir o tratamento de escolha inicial por período de quatro a oito semanas. Se o paciente não apresentar abolição dos sintomas, a dose deve ser dobrada, isto é, antes do desjejum e antes do jantar. Estudos mostram que a supressão ácida geralmente melhora os sintomas relacionados ao refluxo gastroesofágico e também pode ser eficaz em dispepsia funcional. Ao mesmo tempo, uma abordagem de teste e tratamento para infecção por Helicobacter pylori é apropriada, embora o efeito sobre os sintomas seja modesto. Essencial lembrar que é uma terapia de curto prazo, tendo em vista alguns sintomas colaterais.
Tratamento para sintomas intestinais e colorretais
Atualmente, a primeira escolha para o tratamento inclui agentes antiespasmódicos, aumento da fibra alimentar ou fibra artificial e outros medicamentos que regulam a frequência do intestino e consistência. Se a primeira linha não apresentar melhora para os sintomas, então a terapia antidepressiva de baixa dose (como amitriptilina, mirtazapina ou citalopram) se mostrou eficaz em uma gama de sintomas gastrointestinais funcionais, em particular, náusea e dor abdominal. O benefício destes medicamentos parece estar relacionado principalmente à redução da hipersensibilidade visceral, no entanto, alguns antidepressivos também têm efeitos sobre a motilidade, por exemplo, a mirtazapina acelera trânsito gastrointestinal em estudos animais e tem demonstrado ter benefícios sintomáticos em dispepsia e gastroparesia refratárias em pacientes. Similarmente, a amitriptilina retarda o trânsito colônico e inibe a contratilidade retal em pacientes com incontinência fecal. A terapia não farmacológica em conjunto conclui um bom prognóstico, isso inclui o envolvimento de nutricionistas, fisioterapeutas (tratamento de sintomas relacionados à tensão muscular na parede abdominal, diafragma e assoalho) e terapeutas (apoio pacientes com comorbidade psiquiátrica).
Muitos pacientes na atenção primária respondem bem a abordagem simples, no entanto, uma minoria relata sintomas persistentes durante o tratamento ou efeitos adversos da terapia. Nesses indivíduos, indica-se a continuidade da investigação focada na história clínica e exame físico do paciente.
Conclusão
As queixas relacionadas com os distúrbios gastrointestinais são comuns e frequentes atualmente, porém, negligenciadas em alguns casos, além de não ter uma abordagem tão simples. Em alguns momentos, a natureza de seus sinais são sintomas relacionados à motilidade e a função gastrointestinal é inespecífica. Tendo em vista a ampla incidência dessas doenças é essencial a busca por profissionais da saúde, em busca do tratamento adequado e melhoria na qualidade de vida.
Autora: Maria Fernanda de Campos dos Santos
Instagram: mafedsantos
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
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Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
HENRY, Maria Aparecida Coelho de Arruda. DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO.Abcd Arq Bras Cir Dig, São Paulo, v. 3, n. 27, p. 210-215, maio 2014.
Fox, M.R., Kahrilas, P.J., Roman, S.et al.Clinical measurement of gastrointestinal motility and function: who, when and which test?.Nat Rev Gastroenterol Hepatol 15, 568–579 (2018). https://doi.org/10.1038/s41575-018-0030-9




