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Imunoprofilaxia: Imunidade Passiva e Imunidade Ativa | Colunistas

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Imagem de perfil de Fávilla Pinto

O mecanismo da imunidade depende do local onde está o patógeno, bem como do mecanismo da sua patogênese. Logo, se o mecanismo da patogênese envolve exotoxinas, o único mecanismo imune eficiente contra ele é o de anticorpos neutralizadores que previnam sua ligação ao receptor apropriado e a promoção de sua degradação e eliminação pelos fagócitos. Por outro lado, se o patógeno produz doença por outros meios, o anticorpo teria que reagir com o organismo e eliminá-lo por lise mediada pelo complemento ou fagocitose e morte intracelular. Todavia, se o patógeno estiver localizado no interior da célula, ele não será acessível a anticorpos e a célula que o mantém terá que ser destruída. A maioria das infecções virais, bacterianas e por protozoários são exemplos de tais patógenos.

A imunoprofilaxia consiste em procedimentos clínicos que visam proteger o indivíduo de síndromes de natureza infecciosa ou toxi-infecciosa através de imunização ativa artificialmente induzida – vacinação. Seu principal objetivo é que durante o contato do hospedeiro com o agente infeccioso tenha-se uma resposta imune específica e que desenvolva uma memória imunológica, ou seja proteção imunológica de longa duração.

A imunidade específica pode resultar em uma imunização ativa – induzida em um indivíduo pela infecção ou pela vacinação – ou imunização passiva – ocorre pela transferência de anticorpos ou linfócitos. 

Imunidade Passiva

A imunização passiva resulta da transferência de anticorpos ou de células do sistema imunológico de um indivíduo, que já respondeu à estimulação direta através da administração do antígeno, para outro indivíduo. Não depende da habilidade do sistema imune a do hospedeiro em produzir uma resposta adequada. Desse modo, a imunidade passiva permite uma disponibilidade imediata de anticorpos, ou seja, confere proteção rapidamente. Tal imunização pode ocorrer por processos naturais ou artificiais.

  • Imunidade Passiva Natural: É obtida através de anticorpos da mãe (IgG) que atravessam a placenta para o feto ou através do colostro, nos primeiros dias de amamentação. 
  • Imunidade Passiva Artificial: terapia passiva a base de anticorpos, como a soroterapia e administração de imunoglobulinas humanas, para fins de profilaxia ou terapia de doenças infecciosas. Os soros não induzem memória imunológica, quando são catabolizados, o indivíduo volta a ser suscetível ao micro-organismo.

Imunidade Ativa

A memória imunológica que a imunização ativa produz, provoca uma rapidez na resposta imune, a partir de um encontro subsequente com um mesmo antígeno, fornecendo ao hospedeiro uma proteção potencial na exposição repetida a um mesmo agente infeccioso. Desse modo, a partir do segundo contato com o antígeno, já existirá certa quantidade de linfócitos B capazes de reconhecer tal antígeno. Na primeira e demais infecções, há produção de anticorpos IgM e IgG. Entretanto, na primeira resposta o IgM é a imunoglobulina predominante e a produção de IgG é menor e mais lenta. Na resposta secundária, o IgG é a principal imunoglobulina, a produção de anticorpos é bem maior e mais rápida. É uma imunidade duradoura e também pode ser artificial ou natural.

  • Imunidade Ativa Natural: É adquirida pela infecção natural. Ex.: sarampo, caxumba, mononucleose. 
  • Imunidade Ativa Artificial: É induzida pela vacina, a qual pode ser constituída por microrganismos atenuados como, por exemplo, a vacina da tuberculose, anti-pólio, anti-sarampo e anti-febre amarela; vacinas inativadas, como a vacina anti-rábica, anti-coqueluxe, anti-salmonelose; e vacinas constituídas por toxoídes ou frações de microrganismos como a para difteria e tétano (toxóides), adenovirose, (hexon isolado do Adenovírus).

Vacinação

A vacinação é o processo que estimula as respostas imunes adaptativas protetoras contra os microrganismos por meio da exposição a formas ou componentes não patogênicos de microrganismos. A vacina contém um (por exemplo, BCG) ou mais antígenos (por exemplo, DTP, pentavalente, poliomielite) sob várias formas: bactérias ou vírus vivos atenuados, vírus inativados, bactérias mortas e componentes de agentes infecciosos purificados e/ou modificados quimicamente ou geneticamente.

O Brasil conta com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que tem como principal objetivo possibilitar o controle de doenças imuno-preveníveis através de amplas coberturas vacinais, afim de que a população possa ser provida de adequada proteção imunitária contra as doenças abrangidas pelo programa. O programa desde de sua criação até hoje, tem-se aperfeiçoado, buscando abranger de forma homogênea todos os bairros de todos os municípios. Algumas das vacinas que integram a rotina de vacinação do PNI são:

  • Vacina BCG;
  • Vacina hepatite B (recombinante) – hepatite B;
  • Vacina adsorvida hepatite A (inativada) – hepatite A;
  • Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (atenuada) – VOP;
  • Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) – VOP;
  • Vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis, hepatite B (recombinante) e Haemophilus influenzae b (conjugada) – penta;
  • Vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis – DTP;
  • Vacina adsorvida difteria e tétano adulto – dT;
  • Vacina rotavírus humano G1P1[8] (atenuada) – VORH ;
  • Vacina febre amarela (atenuada) – FA; 
  • Vacina sarampo, caxumba e rubéola – tríplice viral;
  • Vacina sarampo, caxumba, rubéola e varicela (atenuada) – tetra viral;
  • Vacina meningocócica C (conjugada) – meningo C;
  • Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada) – pneumo 10; 
  • Vacina varicela (atenuada);
  • Vacina influenza (inativada);
  • Vacina raiva humana;
  • Vacina papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante) – HPV.

As vacinas induzem uma imunidade duradoura, como os toxoides, por cerca de 10 anos, e as virais atenuadas, como o sarampo e a rubéola, provavelmente por toda a vida. A pessoa que está em dia com sua vacinação, e apresenta o registro oficial das doses aplicadas, é considerada imune às doenças contra as quais foi vacinada. Nesse ínterim, a vacinação representa uma das estratégias com excelente relação custo-benefício até hoje aplicada em saúde pública, haja vista que com a prevenção de doenças os gastos públicos com saúde irão reduzir.

Autora: Fávilla Pinto

Instagram: @favillav_

Referências:

ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H. Imunologia Celular e Molecular, 5º ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005

AYRES, A.R.G. Noções de imunologia: sistema imunológico, imunidade e imunização. In: SILVA, M.N., FLAUZINO, R.F., GONDIM, G.M.M., eds. Rede de frio: fundamentos para a compreensão do trabalho [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2017, pp. 239-256. ISBN: 978-65-5708-091-7

BENJAMINI, E.; COICO, R.; SUNSHINE, G. Imunologia. Editora Guanabara. 4ª ed. Rio de Janeiro-RJ. 2002

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 176 p.: il. ISBN 978-85-334-2164-6

DINIZ, M. O.; FERREIRA, L. C. S. Biotecnologia aplicada ao desenvolvimento de vacinas. Dossiê Biotecnologia – Estud. av. 24 (70). 23 Nov 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/zkfCDkm6tCH3cCzKghrRsCG/ Acesso em: 10/03/2022.

FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE (Brasil). Manual de normas de vacinação. 3. ed. Brasília, DF, 2001.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.