Psiquiatria

Intoxicação por Cocaína

Intoxicação por Cocaína

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A cocaína é uma substância do origem vegetal que apresenta propriedades psicoestimulantes. No século XIX, passou a ser empregada na elaboração de formulações farmacêuticas para o tratamento de diversas doenças. Entretanto, o uso desordenado dessa substância gerou importantes restrições de sua utilização. A intoxicação por cocaína é a superdosagem dessa droga.

Epidemiologia

A maior parte dos usuários é composta por usuários recreativos episódicos. No entanto, cerca de 25% (ou mais) dos usuários preenchem critérios para abuso ou dependência. O uso entre adolescentes diminuiu recentemente. A disponibilidade de formas altamente ativas biologicamente, tais como o crack, pioraram o problema da dependência de cocaína. A maior parte da cocaína nos EUA é em torno de 45 a 60% pura; pode conter ampla variedade de diluentes, adulterantes e contaminantes.

Mecanismo de ação

A cocaína é considerada uma droga com potencial estimulante, que induz o corpo e o cérebro do indivíduo a trabalharem intensamente, causando taquicardia, aumento da pressão arterial e da temperatura corporal. Após o uso intenso e repetitivo, o usuário experimenta sensações muito desagradáveis, como cansaço e intensa depressão, o que faz com que ele procure a droga novamente para alívio dessas sensações e dessa forma cria um ciclo vicioso.

O mecanismo de ação da cocaína no sistema nervoso central (SNC) consistem em aumentar a liberação e prolongar o tempo de atuação dos neurotransmissores dopamina, noradrenalina e serotonina, os quais são atuantes no cérebro. Atua bloqueando o transportador de dopamina e, quando em concentrações maiores, os transportadores de serotonina e noradrenalina. Devido a este bloqueio, a cocaína reduz a recaptação, aumentando a concentração desses neurotransmissores na fenda sináptica, potencializando a neurotransmissão o que pode ser apontado como responsável pelo efeito estimulatório dessa droga.

A cocaína, quando consumida na forma inalada, inicia seus efeitos entre 10 a 15 minutos, entretanto, quando injetada, seus efeitos começam por volta de 3 a 5 minutos, o que faz todo sentido uma vez que a via de administração intravenosa apresenta início de efeitos mais rápidos que a outras vias. Vale salientar que os efeitos da cocaína, após ambas as formas de consumo duram entre 20 a 45 minutos.

A ação da cocaína no cérebro ocasiona em seus usuários, sensação de autocontrole, autoconfiança, estado de alerta, fazendo com que os usuários se sintam cheios de energia. Por isso, apresentar dificuldades de comer e dormir são também comuns nesses casos. Porém, o uso em grandes quantidades acabam por levar o usuário a comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes de alucinações e delírios.

Sinais e sintomas

A superdosagem pode provocar ansiedade grave, pânico, agitação, agressividade, insônia, alucinações, delirium paranoico, juízo comprometido, tremores, convulsões e delirium. Midríase e diaforese são aparentes e a frequência cardíaca e a pressão arterial (PA) estão aumentadas. A morte pode resultar de infarto do miocárdio ou arritmias.

A superdosagem grave provoca síndrome de psicose aguda (p. ex., sintomas semelhantes à esquizofrenia), hipertensão, hipertermia, rabdomiólise, coagulopatia, insuficiência renal e convulsões. Pacientes com toxicidade clínica extrema podem, por uma base genética, possuir a colinesterase sérica diminuída (atípica), uma enzima necessária para a depuração de cocaína.

Os pacientes que inalam cocaína podem apresentar síndrome pulmonar aguda (pulmão do crack) com febre, hemoptise e hipóxia, podendo evoluir para insuficiência respiratória.

O uso concomitante de cocaína e álcool produz um produto da condensação, cocaetileno, que apresenta propriedades estimulantes e pode contribuir para a toxicidade.

Tratamento

O tratamento da intoxicação leve é quase sempre desnecessário, pois a droga possui ação extremamente curta. Os benzodiazepínicos são o tratamento inicial preferencial para a maioria dos efeitos tóxicos, incluindo excitação do sistema nervoso central e convulsões, taquicardia e hipertensão. Pode-se utilizar lorazepam 2 a 3 mg IV a cada 5 minutos titulado até alcançar o efeito. Doses altas e infusão contínua podem ser necessárias. Infusão de propofol, com ventilação mecânica, pode ser utilizada para casos resistentes.

Hipertensão que não responda aos benzodiazepínicos é tratada com nitratos IV (p. ex., nitroprussiato) ou fentolamina; betabloqueadores não são recomendados, pois permitem estimulação alfa-adrenérgica continuada.

A hipertermia pode ser fatal e deve ser manejada agressivamente com sedação mais resfriamento por evaporação, pacotes de gelo e manutenção do volume intravascular e do fluxo de urina com soro fisiológico normal IV.

As fenotiazinas diminuem o limiar convulsivo e seus efeitos anticolinérgicos podem interferir no resfriamento; assim, não são preferidas para sedação.

À vezes, pacientes gravemente agitados devem ser paralisados farmacologicamente e ventilados mecanicamente para melhorar acidose, rabdomiólise ou disfunção de múltiplos sistemas.

Dor torácica relacionada à cocaína é avaliada como em qualquer paciente com potencial isquemia miocárdica ou dissecção da aorta, com radiografia de tórax, ECG de repetição e marcadores cardíacos séricos. Como discutido anteriormente, os betabloqueadores são contraindicados e os benzodiazepínicos são os fármacos de primeira linha. Se for necessária vasodilatação coronariana após a administração de benzodiazepínicos, são utilizados nitratos, ou fentolamina 1 a 5 mg IV administrada IV lentamente pode ser considerada.

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Perguntas Frequentes:

1 – Quais os principais sintomas da Intoxicação por cocaína?

A superdosagem pode provocar ansiedade grave, pânico, agitação, agressividade, insônia, alucinações, delirium paranoico, juízo comprometido, tremores, convulsões e delirium.

2 – Como fazer o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado através da história clínica e exame físico.

3 – Qual o tratamento da Intoxicação por cocaína?

Pode-se utilizar lorazepam 2 a 3 mg IV a cada 5 minutos titulado até alcançar o efeito. Doses altas e infusão contínua podem ser necessárias. Infusão de propofol, com ventilação mecânica, pode ser utilizada para casos resistentes.

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