Introdução
O trauma abdominal fechado é uma das emergências mais
comuns no serviço de saúde. As consequências decorrentes dessa condição
oferecem risco à vida do paciente, por isso a importância do diagnóstico
precoce.
Trauma abdominal fechado
O trauma abdominal fechado corresponde a 80% dos traumas abdominais e suas causas são váriaveis. Acidentes automobilísticos correspondem a 75%, golpes diretos 15% e quedas de 6-9%, sendo essa última, principalmente, em crianças e idosos. Os órgãos mais lesados são o baço e fígado, seguidos pelo pâncreas, alças instestinais, mesentério, bexiga, diafragma e órgãos retroperitoniais. Uma das perguntas mais importantes que o médico deve-se fazer diante do trauma abdominal fechado é saber o mecanismo de lesão, pois facilita a identificação precoce de possíveis lesões, sendo uma das ferramentas de grande importância, pois pode abrir um leque de opções diagnósticas.
Exemplo disso é buscar saber se houve vítimas fatais no local, a velocidade em que o veículo estava no momento da colisão, se o paciente utilizava o cinto de segurança, porque embora o cinto reduza a incidência de muitos outros ferimentos graves, ele é comumente associado a lesões específicas, quando utilizado de forma incorreta, como mostra a FIGURA 1. Já no caso de pacientes que sofrem quedas, é importante saber se a altura foi significativa, entre outros mecanismos de lesões. Com essas informações o médico consegue ter um raciocínio clínico da gravidade de possíveis lesões do trauma abdominal.

Investigação do trauma abdominal fechado
A investigação inicial do trauma abdominal fechado é a
sequência do ABCDE, buscando primeiramente a estabilização do paciente. Nessa
primeira etapa, a presença de hipotensão/sinais de choque de origem
desconhecida pode ser um indicativo de sangramento intra-abdominal ou
retroperitonial. O exame físico e a história clínica são obrigatórios na avaliação,
porém a obtenção da história clínica depende do estado hemodinâmico do paciente.
No exame físico, o paciente deve estar completamente despido e inspecionado em
busca de abrasões, contusões e lacerações, tanto a parte anterior e posterior
do abdome. Caso não haja lesões aparentes, dá-se o seguimento com a ausculta,
onde os ruídos hidroaéreos podem estar reduzidos ou ausentes na presença de
hemorragia ou conteúdo do trato gastrointestinal na cavidade abdominal,
palpação, em busca de sinal de peritonite e percussão. É muito importante
atentar-se que o exame abdominal sem alterações não afasta lesões
intra-abdominais.
Os exames complementares são ferramentas muito importantes
na emergência para a rápida exclusão de hemorragia intra-abdominal e suas
utilizações dependem da apresentação clínica do paciente.
O primeiro deles é o FAST
(Focused Assesment with Sonography for
Trauma), um exame rápido que avalia quatro focos importantes: janela
subxifoidiana/pericárdica; espaço hepatorrenal; espaço esplenorrenal e janela
suprapúbica ou bolsa de Douglas nas mulheres. É utilizado caso o paciente
esteja instável hemodinamicamente, pois ele consiste em buscar a presença de
líquido intraperitonial e também é vantajoso pela capacidade de excluir lesões
cardíacas.
Caso o FAST não esteja disponível, pode-se abrir mão de
outro método diagnóstico, como o Lavado Peritonial
Diagnóstico (LPD), que é indicado para pacientes instáveis
hemodinamicamente, é um método invasivo que consiste em aspirar o conteúdo
abdominal que pode ser entérico, bilioso ou facalóide e/ou aspiração de sangue
(>10ml), positivando o exame. Atualmente, o DPL é raramente utilizado.
Por último, mas não menos importante, a Tomografia Computadorizada (TC) é o método diagnóstico de maior sensibilidade e especificidade para avaliar lesões intra-abdominais e retroperitoniais, mas para a sua utilização é obrigatório que o paciente esteja estável hemodinamicamente, devido à demora de sua realização.
A tabela abaixo resume as indicações, vantagens e
desvantagens do uso de cada um dos exames diagnósticos. (Tabela 2)

Conclusão
A investigação minuciosa do trauma abdominal fechado é de suma importância, devido a sua alta prevalência e taxas de morbimortalidade. Por isso é importante abrir mão das ferramentas diagnósticas disponíveis para iniciar o tratamento mais precocemente possível, diminuindo assim o risco de complicações e mortalidade.
Autora: Mirian Guimarães
Instagram: @mirianng_