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Ultrassonografia das Mamas: a importância no rastreio do câncer de mama

Ultrassonografia das Mamas: a importância no rastreio do câncer de mama

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confira neste post uma análise sobre a ultrassonografia das mamas e a importância deste exame para o rastreio da doença!

Definição e Epidemiologia do câncer de mama

O câncer de mama é uma doença multifatorial, genética (dependente de lesão do DNA) e epigenética (independente de modificações na sequência do DNA).

No Brasil, é considerada a segunda causa de câncer mais incidente e prevalente no sexo feminino, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

A estimativa de incidência de casos novos em 2016 foi de 57.960, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e corresponde a mais de 28% dos cânceres em mulheres.

Fatores de Risco da doença

Alto risco

  • Mutação dos genes BRCA 1 e 2 em familiares de primeiro grau
  • Radioterapia da parede torácica entre 10 e 30 anos
  • Histórico prévio de câncer de mama e ovário.

Moderado risco

  • Histórico de atipias ductais e neoplasias lobulares.

Risco Levemente Aumentado

  • Exposição a terapias hormonais
  • Menarca precoce e menopausa tardia
  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Ingestão de álcool

Ultrassonografia das mamas: diagnóstico precoce e rastreamento

O rastreamento dessa neoplasia pode ser oportunístico ou organizado. O primeiro, diz respeito ao exame direcionado a mulheres que, em avaliação médica, faz-se necessário a sua investigação enquanto o modelo organizado faz referência a campanhas que convidam formalmente mulheres em faixa etária alvo para o rastreio a fim de realizar diagnóstico precoce da patologia e, consequentemente, o controle de qualidade, o seguimento oportuno e monitoramento em todas as etapas do processo do tratamento.

A experiência internacional tem mostrado um modelo organizado apresenta um melhor custo benefício tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde. Porém, no Brasil, ainda predomina a forma oportunista, o que dificulta tanto o rastreio quanto o tratamento de forma efetiva.

Diagnóstico precoce

A estratégia de diagnóstico precoce contribui para a redução do estágio de apresentação do câncer.

Nessa estratégia, destaca-se a importância da educação da mulher e dos profissionais de saúde para a identificação dos sinais e sintomas indicativos do câncer e provocar. Assim, a busca imediata pelos serviços de saúde preventivos e/ou curativos que podem ser tanto a atenção primária quanto os serviços de referência.

 São considerados sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama e de caráter urgente para a confirmação diagnóstica:

  • Qualquer nódulo mamário em mulheres com mais de 50 anos.
  • Nódulo mamário em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual.
  • Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade.
  • Descarga papilar sanguinolenta unilateral.
  • Lesão eczematosa da pele que não responde a tratamentos tópicos.
  • Homens com mais de 50 anos com tumoração palpável unilateral.
  • Presença de linfadenopatia axilar.
  • Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de edema, como pele com aspecto de casca de laranja.
  • Retração na pele da mama.
  • Mudança no formato do mamilo.

Exames Complementares

A mamografia é o exame radiológico mais eficiente para diagnosticar carcinomas mamários pequenos em fase pré-sintomático, reduzindo de modo significativo a mortalidade.

Sua sensibilidade é próxima a 80%, sendo indicada na faixa etária de 50-69 anos de idade, a cada dois anos para as mulheres sem sinais e sintomas de câncer de mama e a partir de 40 anos em mulheres de alto risco.

Ela permite identificar melhor as lesões mamárias em mulheres após a menopausa. Antes desse período, as mamas são mais densas e a sensibilidade da mamografia é reduzida gerando maior número de resultados falso-negativo e falso-positivo. Nesse sentido, a mulher sofre uma exposição desnecessária à radiação, demora de diagnóstico e aumento na demanda de novos exames.

Principais achados da mamografia

Os principais achados na mamografia são nódulos, calcificações e assimetrias. Podem ser detectados corpo estranho e implantes de silicone.

Hoje, a padronização dos laudos através do sistema BI-RADS são mais objetivos e é uma realidade que visa facilitar a sua interpretação. Ele compreende em sete categorias, de 0 a 6:

0 – Achado inconclusivo, necessita avaliação adicional de imagem.

1 – Achado negativo, não existe nenhuma alteração de imagem.

2 – Achados benignos.

3 – Achados provavelmente benignos, risco de malignidade menor que 2%, sugere reavaliação em curto intervalo, geralmente em 6 meses.

 4 – Achado suspeito, risco de malignidade varia de 2% a 95%, dividido em: A: baixo índice de suspeição, B: médio índice de suspeição e C: alto índice de suspeição, porém sem os achados clássicos de malignidade.

5 – Achado altamente suspeito, risco de malignidade maior que 95%; %.

6 – Achado maligno conhecido e comprovado por biópsia.

Os nódulos devem ser descritos quanto à forma (ovalada, redonda e irregular), margens (circunscritas, obscurecidas, microlobuladas, indistintas e apiculadas) e as calcificações devem ser classificadas em benignas, suspeitas e a sua distribuição.

Ultrassonografia (USG) das mamas

A USG é considerada um exame complementar à mamografia e um método não invasivo. Possui baixo custo, ampla disponibilidade e permite a orientação dos procedimentos percutâneos. Ela é operador-dependente, pois necessita de um médico especializado em USG e anatomia e patologias mamárias. Possui menor sensibilidade em mamas adiposas o que limita a avaliação de microcalcificações nesses casos.

A ultrassonografia é indicada para avaliação de pacientes sintomáticas, sendo o exame de escolha para mulheres abaixo de 35 anos. É um exame que tem ajudado principalmente na evidenciação de nódulos quanto a sua natureza, se cístico, sólido ou tumor misto; quanto a sua morfologia e extensão e quanto a sua transmissão sonora e compressibilidade, avalia também o sistema ductal, assim como as distorções do parênquima mamário.

Deve-se destacar que é fundamental na elucidação dos achados inconclusivos detectados durante o rastreamento, avaliação de implantes de silicone, mamas densas, pacientes de alto risco e acompanhamento de pacientes operadas.

Estudos vêm mostrando que a associação da ultrassonografia à mamografia em mamas heterogêneas e jovens, aumenta a sensibilidade para detecção de lesões para 96%.

Conclusão sobre a ultrassografia das mamas

A superação das barreiras para redução da mortalidade por câncer de mama no Brasil envolve não apenas o acesso à mamografia de rastreamento, mas o controle de fatores de risco conhecidos e, sobretudo, a estruturação da rede assistencial para rápida e oportuna investigação diagnóstica e acesso ao tratamento de qualidade.

Esforços nesse sentido estão sendo feitos e dependem do fortalecimento do Sistema Único de Saúde para garantia de acesso à saúde pública de qualidade ao conjunto da população brasileira. 

Autora: Ana Raquel Silva Santos, Estudante de Medicina

Instagram: @annaraquuel

Referências

– Porto, C.C. Semiologia Médica. Coeditor Arnaldo Lemos Porto- 8ed.- Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.

– INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA). Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/diretrizes-para-deteccao-precoce-do-cancer-de-mama-no-brasil Acesso em: 27/03/2021. – Primo, W. Q. S. P; Corrêa F. J. S.; Brasileiro J. P. B. Manual de Ginecologia da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Brasília. Brasília: Editora Luan Comunicação, 2017. ISBN – 978-85-93940-00-2.