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Mas, afinal, quem é esse tal de fator de necrose tumoral? | Colunistas

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Imunologia começou a apertar? Aí aparece um tal de TNFα…Se você se deparou com essa sigla e não faz ideia de como esse “fator” atua no nosso corpo, não se assuste! Aqui vou te contar um pouco sobre o TNFα e prepare-se para vê-lo com frequência no seu curso!

1 Definição

O TNFα está inserido no grupo das glicoproteínas (não imunoglobulinas), e assim como outras citocinas e interleucinas, atua na comunicação entre as células, sendo liberado em decorrência de estímulos específicos, atuando diretamente na regulação dos processos imunológicos.

O TNFα é um importante marcador da intensidade do processo inflamatório, uma vez que possui um efeito sistêmico muito expressivo e mensurável!

O TNFα é sintetizado por macrófagos e monócitos ativados, durante processos infecciosos, também é secretado pelos adipócitos, sendo chamado de adipocina, quando for secretado por essa via. Já quando o TNFα é secretado pela musculatura lisa é chamado de miocina, além disso, também pode ser secretado pelos linfócitos T, pelos mastócitos, pelas células natural “killer (NK), pelas células de langerhans e pelos astrócitos.

2 Secreção

O TNFα age no enfrentamento a infecções provocadas por partículas virais, fungos, bactérias, endotoxinas e em situações metabólicas extremas como na desnutrição energético-proteica severa.

O TNFα é liberado pelas células dentrítricas em resposta as endotoxinas e produtos liberados por bactérias do tipo gram-negativas, uma vez que os Lipopolissacarídeos (LPS), presentes na membrana plasmática dessas bactérias, são estímulos muito poderosos à produção do TNFα.

As células dentrítricas também são estimuladas a produzir TNFα quando citocinas endoplasmáticas são liberadas em resposta a infecções virais. Nas infecções virais, os macrófagos produzem TNFα que junto com outras citocinas como Interleucinas (IL) e Interferon (IFN), a saber: IL-1, IL-2, IL-6, IL-8, IL-12, TNF-a e IFN-g, gerando a resposta inflamatória.

O TNFα também pode agir ativando as células Natural Killer (NK) que por meio da liberação de substâncias chamadas de perforinas, que aumentam a permeabilidade da membrana plasmática da célula infectada, levando à lise e a apoptose, da mesma. Essa capacidade do TNFα em levar células a apoptose é extremamente útil no enfretamento a células tumorais, por isso um defeito na secreção de TNFα pode estar relacionado ao desenvolvimento de tumores.

A segunda frente na qual o TNFα atua, em uma infecção viral, é na inibição da replicação do DNA viral dentro da célula hospedeira. Por fim, a terceira maneira pela qual o TNFα atua para ajudar nossa imunidade a combater infecções virais é ativando células apresentadoras de antígenos (APCs). As APCs irão reagir aos Padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs) virais iniciando uma reação imunológica via complexo principal de histocompatibilidade (MHC) classe II, e esses PAMPs serão apresentados as células TCD4+, que se diferenciará em célula (T helper1) Th1 pela estimulação da citocina IL12, secretada em resposta aos PAMPs. Já as Th1 liberam IL2 e TNFα, que por sua vez ativará as células NK.

Como supracitado, o TNFα é sintetizado por macrófagos quando o corpo inicia seus processos imunológicos contra infecções, além disso, também é secretado em situações metabólicas específicas, como na caquexia e no enfrentamento a tumores.

3 Atuação

  • O TNFα favorece a apoptose de células tumorais ao inibir a proliferação das mesmas.
  • O TNFα possui uma forte ação sistêmica, induzindo a hipoglicemia, a fim de diminuir a replicação do microrganismo invasor.
  • O TNFα é o principal liberador de proteínas de fase aguda no fígado, como a proteína C-reativa. E é sabido que níveis séricos elevados de proteína C-reativa estão associados a maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, em indivíduos com aumento de circunferência de abdominal. 
  • O TNFα é um dosprincipais atores na fisiopatologia da febre, induzindo taquicardia e hipertensão arterial.
  • O TNFα Aumenta a expressão dos receptores MHC I e II, exacerbando a resposta imunológica frente a um patógeno.
  • O TNFα, quando tem sua secreção aumentada, parece possuir relação com a doença cardíaca isquêmica, uma vez que influencia na geração exacerbada de radicais livres de oxigênio, no aumento da lesão endotelial e na ativação de elementos celulares na parede dos vasos e possivelmente está envolvido na progressão da aterosclerose;
  • O TNFα e outras citocinas contribuem para o aparecimento da síndrome de resposta inflamatória sistémica.

4 Meia-vida e pico plasmático

Após sua indução e síntese, o TNFα eleva seus níveis séricos após 20 minutos, alcançando seu pico plasmáticoentre 60 e 90 minutos. Porém, após 4h torna-se indetectável, e o TNFα possui umameia-vida de 6 a 9 minutos.

Pronto! Agora você já pode dizer que conhece um pouco mais desse tal de TNFα, não é mesmo? Acompanhe nossas postagens e vamos crescer juntos!

Sabrina Cavalcanti

Aluna de Medicina -UNICEUB, Brasília-DF


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

ABBAS, A.K.; LICHTMAN, A.H.; PILLAI, S. Imunologia Celular e Molecular. 8ᵃ Edição. Elsevier, 2015.

BRASIL, A et al. Ativação de citocinas (fator de necrose tumoral-α) e rasposta clinica Induzida pela circulação extracorpórea, Rev Bras Cir Cardiovasc:11 (3): 188-200, 1996.

GARCIA, Vinicius Pacheco. Níveis séricos de proteína C reativa em indivíduos sob risco cardiometabólico. Universidade Federal Fluminense. Niterói, 2013.

LIMA, Camila Cunha Gonzaga et al. Análise crítica do uso dos anti-TNF na era dos novos agentes biológicos na doença inflamatória intestinal. Arquivos de Gastroenterologia. V. 57, n. 03, 2020.

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