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Morganella morganii: um patógeno clinicamente importante | Colunistas

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A bactéria Morganella morganii é um patógeno oportunista responsável por infecções nosocomiais em adultos e infecções perinatais e com considerável resistência a antibióticos. Este texto tem como objetivo conhecer a epidemiologia, a patogênese, a transmissão, os fatores de risco, a fisiopatologia, o diagnóstico e o tratamento da bactéria Morganella morganii.

Introdução

A Morganella morganii é uma bactéria entérica gram-negativa anaeróbica facultativa que pertence à tribo Proteeae da família Enterobacteriaceae. É comumente encontrada no ambiente e no trato intestinal de humanos, mamíferos e répteis como parte da flora bacteriana normal.

Epidemiologia da Morganella morganii

Em 1906 a bactéria M. morganii foi isolada pela primeira vez por R. Morgan em um cultivo fecal pediátrico. Na década de 1970 e 1980 foi identificada como causa de infecções hospitalares e, nos últimos anos, vem sendo reconhecida como um patógeno cada vez mais importante devido a sua virulência e resistência a antibióticos.

Os gêneros da tribo Proteeae, que também inclui os gêneros Proteus e Providencia, são patógenos oportunistas capazes de causar uma variedade de infecções hospitalares. Apesar disso, a bactéria Morganella morganii é uma causa rara de infecção nosocomial, sendo mais frequente em pacientes em uso de cateter de demora e pacientes pós-cirúrgicos debilitados. Em uma frequência de 1 (menos comum) a 10 (mais comum) a bactéria M. morganii foi classificada em 4 como bactéria responsável por infecções nosocomiais.

Patogênese da Morganella morganii

A virulência permite colonização e patogenicidade a bactéria M. morganii. Os fatores de virulência incluem: adesinas fimbriais, LPS, IgA protease, hemolisinas, ureases e toxinas inseticidas e apoptóticas, além de proteínas encontradas em flagelos, sistema de aquisição de ferro, sistema de secreção tipo III (T3SS) e de dois componentes (TCSs).

A bactéria M. morganii causa infecção principalmente do trato urinário devido à produção de urease e a formação de biofilme.

A capacidade de produzir enzimas β-lactamases confere a propriedade de resistência aos antibióticos, como a oxacilina, ampicilina, amoxicilina, a maioria das cefalosporinas de primeira e segunda geração, macrolídeos, lincosamidas, glicopeptídeos, fosfomicina, ácido fusídico e colistina.

Transmissão da Morganella morganii

O trato urinário é a principal porta de entrada da bactéria M. morganii, seguido pelo trato hepatobiliar, sangue, pele e tecidos moles. A bactéria também está presente na flora bacteriana da cavidade oral de animais e pode causar infecções por mordidas. Além disso, pode ser transmitida aos bebês por transmissão vertical do trato geniturinário da mãe durante o parto.

Fatores de risco da Morganella morganii

A bactéria M. morganii está presente no ambiente e na flora bacteriana normal de humanos e animais, e vários fatores de risco podem estar envolvidos na sua infecção. Os principais fatores incluem:

  • Hospitalização: a bactéria M. morganii pode ser encontrada em infecções do trato urinário em pacientes com cateter urinário de longa permanência e pacientes pós-cirúrgicos.
  • Uso concomitante de antibióticos: o uso concomitante de antibióticos gera resistência a algumas cepas da bactéria.
  • Mordidas: a bactéria M. morganii é comumente encontrada na boca das cobras, sendo umas das mais frequentes em infecções por mordidas de cobra.
  • Exposição perinatal: quadros de sepse neonatal podem estar associados a M. morganii.
  • Bacteremia: ocorre secundaria a infecção do trato urinário ou hepatobiliar e está associada a altas taxas de mortalidade. A maioria dos casos são infecções oportunistas adquiridas na comunidade.

Fisiopatologia da Morganella morganii

A bactéria Morganella morganii está associada a infecções do trato urinário, sepse, abscesso, infecções pós-cirúrgicas, síndrome da urina roxa na bolsa coletora, bacteremia, corioamnionite e infecção por mordidas.

Figura 2. Síndrome da urina roxa na bolsa coletora
Fonte: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMicm1905446

Diagnóstico da Morganella morganii

As enterobactérias podem ser identificadas por provas bioquímicas. A bactéria M. morganii cresce facilmente em meios de cultivo e pode ser feita por cultura em ágar sangue ou ágar McConkey, além de meios bioquímicos como o meio de Rugai, modificado por Pessoa e Silva (meio de IAL), EPM-MILI e TSI.

Tratamento da Morganella morganii

O tratamento para as infecções por M. morganii inclui antibioticoterapia, desbridamento e drenagem. A escolha adequada de antibióticos é importante, já que este patógeno consegue desenvolver enzimas β-lactamases que lhe confere resistência aos antibióticos β-lactâmicos.

A maioria das cepas é suscetível a aztreonam, aminoglicosídeos, cefalosporinas de terceira e quarta geração, carbapenêmicos, quinolonas, trimetoprim/sulfametoxazol e cloranfenicol.

As infecções não complicadas podem ser tratadas com monoterapia e as infecções complicadas respondem melhor à associação de 2 antibióticos. A duração do tratamento dependerá da síndrome clínica apresentada pelo paciente.

Conclusão

A bactéria Morganella morganii, embora seja um patógeno oportunista clínico incomum, não pode ser negligenciada. O espectro de doenças é amplo, desde infecções nosocomiais a infecções perinatais que podem ser preocupantes devido à resistência aos antibióticos β-lactâmicos.

Autor: Pablo Wilson 

Instagram: @pablowiil

Referências:

Morganella morganii, a non-negligent opportunistic pathogen — https://www.ijidonline.com/article/S1201-9712(16)31113-4/fulltext

Clinical characteristics and risk factors for mortality in Morganella morganii bacteremia — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16926980/

Doenças causadas por enterobacteriaceae morganella morganii e a resistência aos fármacos beta lactâmicos — https://brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/40758/pdf

Microbiologia Clínica Para O Controle De Infecção Relacionada À Assistência À Saúde — https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/modulo-10_manual-de-microbiologia.pdf


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

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