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Mudanças de rota: Países reveem sua estratégia de lidar com a COVID-19 | Colunistas

Mudanças de rota: Países reveem sua estratégia de lidar com a COVID-19 | Colunistas

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Imagem de perfil de Cássia Bassetto Lorenzoni

Introdução

O SARS-CoV-2 continua a evoluir e surpreender. Em julho de 2021, com o ritmo exponencial de distribuição de doses de vacina e as taxas de infecção despencando, Biden, presidente dos EUA, proclamou que “ganhamos vantagem contra esse vírus”, e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) relaxaram suas orientações para uso de máscaras e socialização. 

Rapidamente essa tendência alastrou-se mundialmente, muitos de nós chegamos a viver a implementação de ensino híbrido, quiçá o retorno das aulas em regime presencial ou, ao menos, tal pauta esteve em voga e os ânimos para o retorno ao antigo normal afloraram temporariamente.

Em setembro de 2021, no entanto, a ascensão da variante Delta provou que essas etapas eram prematuras e, no final de novembro, a variante Omicron trouxe consigo a preocupação com um estado de emergência perene e a ameaça de lockdown torna a assolar o mundo. 

Porém, outra novidade que veio à tona foi uma taxa de letalidade menor da doença, fazendo subir novamente o otimismo, essa boa nova  fez potências mundiais se pronunciarem com uma nova estratégia de embate.

O American Way

Não obstante ao prognóstico pessimista dos rumos da pandemia após o apogeu das duas novas variantes, neste dia 06 de janeiro os ex-advisors de saúde de Biden anunciam uma nova perspectiva: daqui em diante é preciso aprender a conviver com a doença e não mais tentar vencê-la ou lutar pela sua erradicação, como a gestão de Biden e muitos outros governos insistiam.

O plano é estabelecer um limite de risco tolerável em relação a casos, hospitalizações e mortes, assim como acontece com outras doenças respiratórias existentes na sociedade. Segundo eles, há um número “aceitável” de risco, que, no caso,  seria em torno de 3 mil mortes por semana em um país com 330 milhões de habitantes; ou menos de 1 morte a cada 100 mil pessoas.

 Para tanto, elencaram dois pontos essenciais para que a convivência com o vírus seja viável:

  1. Ampliar a testagem: Tornar o exame acessível para todos, subsidiando testes caseiros e gratuitos para a população;
  2. Universalização das máscaras: Distribuir massivamente máscaras de alta qualidade como a N95 sem custos aos norte-americanos.

Assim, com cautela, o American Way of Life caminha para um “novo normal”, no qual a perspectiva de extinguir os coronavírus, pouco a pouco, dá lugar a meta de controlá-lo reduzir seus danos.

A Espanha avant-garde

A Espanha está pedindo que o SARS-CoV-2 seja tratada como uma doença endêmica, como é o caso da gripe, tornando-se a primeira grande nação europeia a sugerir explicitamente uma estratégia que diverge da “COVID-Zero”, isto é, não mais se prioriza reduzir o número de infecções a zero, mas a convivência com a doença e seus picos.

A premissa interessante que sustenta a vanguarda espanhola é a de que, um ano atrás, o país registrava uma média de 115 mil casos de COVID-19 por semana, com a taxa de ocupação de leitos hospitalares de 13,8%. Nos primeiros 7 dias de janeiro, mais de 690 mil novos casos foram registrados, no entanto o nível de ocupação de leitos de UTI se manteve o mesmo anterior (13,4%).

A ideia vem ganhando força na Europa gradualmente e pode levar a uma reavaliação das estratégias do governo para lidar com o vírus. O secretário de Educação britânico, Nadhim Zahawi, disse no domingo (09/01) à BBC que o Reino Unido está “no caminho da transição de pandemia para endemia”.

O único perigo de tal empreitada, apontam especialistas, é o de o número de casos crescer abruptamente, de modo a compensar a menor letalidade da nova variante em vacinados, cursando com um número absoluto de mortes insustentável como antes.

OMS reitera riscos

A Organização Mundial da Saúde disse na terça-feira (11/01) que, no ritmo atual, a projeção é que mais da metade das pessoas na Europa esteja a caminho de contrair a variante Omicron nos próximos dois meses e esse ainda é uma grande ameaça a idosos, imunossuprimidos e não vacinados. 

A título de exemplo de experiências anteriores similares, a Dinamarca removeu todas as restrições do COVID no ano passado, enquanto a Holanda retirou todos os requisitos de uso de máscara. Ambos os países têm atualmente algumas das maiores taxas de casos da Europa e, no fim das contas, reimplantaram restrições. 

Mas, à medida que os governos trabalham para manter as escolas abertas e as economias funcionando da maneira mais normal possível, hospitalizações mais baixas podem levar a uma revisão das estratégias.

Conclusão

Mudanças podem causar medo, mas é importante lembrar que não estamos passando por isso sozinhos. Há muita gente séria e competente analisando prós e contras para as tomadas de decisão em relação ao enfrentamento da pandemia. Muitos debates ainda serão travados entre especialistas e as estatísticas serão soberanas para escolher o melhor caminho a se galgar – seja ele mais conservador ou progressista – dentro da realidade de cada nação. 

Compete a nós nos mantermos informados, críticos, porém priorizando sempre a saúde mental e segurança individual. Para além da pauta política, a ciência segue avançando em imunizantes seguros e medicamentos promissores no tratamento da COVID. Mais que informação, este artigo pretende ser fonte de otimismo e leveza para o seu 2022.

Autora: Cássia Bassetto Lorenzoni

Instagram: @cassialorenzoni

Referências

A National Strategy for the “New Normal” of Life With COVID – https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2787944

Europe Slowly Starts to Consider Treating Covid Like the Flu – https://www.bloombergquint.com/amp/politics/omicron-has-spain-looking-past-pandemic-as-europe-surge-persists?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_id=thenews

Vai passar ou piorar? Os cenários para a pandemia em 2022 – https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59832726

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto