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Nervo trigêmeo: anatomia e aspectos clínicos | Colunistas

Nervo trigêmeo: anatomia e aspectos clínicos | Colunistas

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Lorhainne Bastos

6 min há 280 dias

Sabe aquele momento que você morde uma maçã? Ou aquela sensação boa de toque carinhoso no rosto ou de dor ao espremer um cravo? Tudo isso é possível graças ao nervo trigêmeo, um par de nervos cranianos muito importante para nossas funções cotidianas.

1.     Anatomia

O nervo trigêmeo é o quinto (V) par craniano, composto por fibras sensitivas e motoras, sendo assim, classificado como nervo misto. É um dos maiores nervos cranianos. Sua origem aparente no encéfalo se localiza entre a região lateral da ponte e o pedúnculo cerebelar médio, com uma grande raiz sensitiva e uma pequena raiz motora. Ele possui uma grande função sensitiva da cabeça e motora na mastigação.

Figura 1. Origem do nervo trigêmeo.

Fonte: Moore et al., 2014.

1.1 Raiz sensitiva

É a principal fonte sensitiva somática geral na cabeça, visto que recebe fibras de neurônios sensitivos vindos da face, boca, cavidade nasal, dos dentes, além da dura-máter craniana. São conduzidos impulsos proprioceptivos originados na articulação temporomandibular e nos músculos mastigadores e, também, impulsos exteroceptivos, como o tato, dor, pressão e temperatura.

Os corpos dos neurônios desta raiz se localizam no gânglio trigeminal, que repousa sobre a impressão do gânglio na região petrosa do osso temporal. Mais distalmente, os prolongamentos dos neurônios formam três ramos principais: o nervo oftálmico (V1), nervo maxilar (V2) e o nervo mandibular (V3).

Figura 2. Esquema da distribuição sensorial dos ramos do nervo trigêmeo (V).

Fonte: Porto, 2014.

1.2 Raiz motora

Constitui uma porção menor do nervo trigêmeo que inerva os músculos da mastigação: masseter, pterigoideo medial e lateral, temporal e parte ventral do músculo digástrico. Na embriologia, a raiz é derivada do primeiro arco faríngeo. Suas fibras acompanham e se fundem ao nervo mandibular logo após ultrapassar o forame oval da base do crânio.

2.     Como avaliar o nervo trigêmeo no exame físico neurológico?

2.1 Função motora

É observado por meio da palpação o tônus e trofia dos músculos mastigadores. Além disso, é pedido ao paciente para que abra e feche a boca, movimente a mandíbula lateralmente e cerre os dentes.

2.2 Sensibilidade geral

No exame de sensibilidade superficial tátil é utilizado um pedaço de algodão ou o pequeno pincel macio para tocar levemente a pele em várias áreas. Se houver uma diminuição do tato, o quadro é chamado de hipoestesia; quando ausente, é anestesia; e, com aumento tátil, hiperestesia. Também é testada a sensibilidade da esclera e a córnea do olho usando uma mecha de algodão. O resultado esperado é o reflexo córneo-palpebral, ou seja, fechamento das pálpebras.

A sensibilidade térmica é reconhecida em vários locais da face utilizando alternadamente dois tubos de ensaio, um com água gelada e outro com quente. Para a avaliação da dor superficial, utiliza-se um estilete rombo, que provoca dor sem ferir. E a sensação de dor profunda é investigada por meio da compressão moderada os músculos da mastigação como o temporal e masseter, que normalmente não devem doer.

3.     Alterações clínicas no nervo trigêmeo

3.1 Principais causas de lesão

  • Hérpes-zóster – o vírus tem capacidade de permanecer de forma latente no gânglio trigeminal e se tornar ativo, periodicamente causando lesão na pele, neuralgia do tipo queimação, complicar para cegueira e até surdez.
  • Neoplasias – schwanomas, os quais são tumores incomuns e benignos, mas que causam dor por compressão do nervo.
  • Traumatismo – em casos de acidentes ou pós-cirurgias.

3.2 Sinais e sintomas durante o exame físico

Durante o exame de função motora é possível observar sinais de lesão da raiz nos casos de atrofia dos músculos, dificuldade na movimentação e quando ocorre a lateralização da mandíbula durante a abertura da boca. A assimetria funcional é mais facilmente observada por conta da paralisia muscular do lado lesado.

A dor é o principal tipo de alteração sensitiva, uma vez que é comum a condução irregular de impulsos dolorosos quando o nervo está lesado. Nesses casos, o paciente refere uma dor limitada na área correspondente ao ramo afetado. Alguns consideram como a pior dor que o corpo humano possa sentir. Esse quadro é conhecido como neuralgia do trigêmeo, a qual pode ser classificada como essencial, quando os sintomas são inespecíficos e periódicos, com intervalos de acalmia; ou secundária, quando é contínua e associada a alterações táteis e até motoras. Nesses casos, geralmente o tratamento é cirúrgico.

4.     Conclusão

Em suma, pode-se observar que o conhecimento sobre o nervo trigêmeo, desde suas características anatômicas, funções e até possíveis alterações são de grande importância para a prática clínica, pois qualquer sinal alterado pode influenciar na conduta e resolução do quadro do paciente que atendemos.

Autora: Lorhainne Bastos Instagram: @lorhainnebastos

Referências:

  1. MACHADO, A.B.M. Neuroanatomia Funcional. Rio de Janeiro. Ed. Atheneu. 3a ed., 2014.
  2. MOORE, Keith L.; DALLEY, Arthur F.; AGUR, Anne MR. Anatomia Orientada Para a Clínica. 7ª Edição. Rio de Janeiro, 2014.
  3. PORTO, Celmo Celeno. Semiologia médica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
  4. ROCHA, Paola Elizama Caurio. Pacientes com neuralgia do trigêmeo e sua relação com a dor. UFMS, 2019.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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