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Neurologia: Alzheimer e Parkinsonismo | Colunistas

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Hey, acadêmico! É um prazer imenso ter você por aqui! Preparamos um resumo sobre a doença de Alzheimer e sobre o Parkinsonismo, abordaremos desde a definição até o tratamento de cada uma. Vem com a gente para saber mais.

Doença de Alzheimer

Introdução e Definição

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e sua manifestação possui a idade avançada como fator de risco (> 65 anos). Além da idade, a história familiar também é um fator que merece destaque na anamnese. Mas antes de entendermos a epidemiologia, precisamos entender de que forma nosso sistema nervoso é acometido na doença de Alzheimer. Basicamente, há degeneração neuronal decorrente do acúmulo de placas senis amiloides no interstício e de novelos neurofibrilares no citoplasma dos neurônios.

Logo, em um quadro de demência, temos a perda de funções cerebrais cognitivas, essenciais para o aprendizado e realização de tarefas diárias. Ao longo da progressão da doença, o paciente passa a perder a autonomia sobre sua vida, dependendo cada vez mais de ajuda de familiares e ou de profissionais que possam auxiliá-lo na sua rotina.

Quadro Clínico

A doença de Alzheimer possui evolução insidiosa, iniciando o quadro, geralmente, com amnésia anterógrada e perda do senso geográfico. O quadro pode evoluir com:

  • Apraxia ideomotora;
  • Afasia sensorial incompleta e anomia;
  • Acalculia;
  • Agnosia;
  • Agressividade;
  • Hiperssexualidade;
  • Apatia;
  • Déficit cognitivo grave;
  • Incapacidade de deambulação.

Diagnóstico

O diagnóstico da Doença de Alzheimer é feito por meio do quadro clínico. Para afastar outras causas, podemos solicitar exames complementares como:

  • TC de crânio;
  • RM de crânio;
  • Hemograma;
  • Vitamina B12;
  • VDRL.

Diagnóstico Diferencial

Como principal hipótese para o diagnóstico diferencial temos a Demência vascular. Alguns aspectos são importantes para diferenciarmos.

No quadro de Demência vascular a evolução é rápida, há a presença de Síndrome Piramidal e Extrapiramidal e afasia predominantemente motora.

Tratamento

O tratamento é feito por meio de medicamentos que possam amenizar os sintomas, mas vale ressaltar que se trata de uma doença degenerativa incurável.

As drogas mais utilizadas são os inibidores da colinesterase, como:

  • Donepezil;
  • Rivastigmina;
  • Galantamina;
  • Tacrina;
  • Vitamina E;
  • Sertralina;
  • Citalopram.

É importante destacarmos que o tratamento deve ser feito em associação com a atenção continuada da saúde mental do paciente, familiares e cuidadores.

Outras causas de Demências:

  1. 1)    DEMÊNCIA VASCULAR

A demência vascular é a segunda causa mais frequente de demências.

Pode ter sua apresentação na forma mista: Doença de Alzheimer mais doença vascular e suas manifestações clínicas se relacionam ao volume e localização das lesões. Este tipo de demência apresenta evolução “em degraus”.

  • 2)    DEMÊNCIA POR CORPOS DE LEWY

Neste tipo de demência temos o quadro em associação com o Parkinsonismo.

  • 3)    DEMÊNCIA FRONTOTEMPORAL

Se caracteriza por ser o tipo de demência que começa com comportamento ou afasia progressiva primária (linguagem); pode estar associada com:

  • ●     Doença do neurônio motor;
  • ●     Parkinsonismo;
  • ●     Afasia motora e sensitiva.

A principal característica deste tipo de demência é que se trata de uma doença degenerativa, que não abre o quadro com alteração de memória.

  • 4)    DEMÊNCIAS RAPIDAMENTE PROGRESSIVAS – DRP

São as demências com ritmo evolutivo rápido – condições que evoluem em 1 a 2 anos, a maioria ocorrendo em semanas a meses. As doenças Priônicas são o protótipo das DRP. Vale ressaltar, que o diagnóstico rápido e preciso pode evitar sequelas irreversíveis.

Parkinsonismo

Síndrome caracterizada por 2 ou mais dos sinais cardinais:

●     Bradicinesia;

●     Aumento do tônus: Resistência – em roda denteada, ou rigidez em cano de chumbo;

●     Tremor de repouso, do tipo “em contar moedas”.

A principal causa de Parkinsonismo é a DOENÇA DE PARKINSON, mas também podemos ter causas atípicas, como provocadas por medicamentos; Secundárias e Heredo-degenerativa. É importante destacarmos que nem todo paciente com Parkinsonismo vai apresentar Doença de Parkinson. Atenção para essa pegadinha clássica nas questões de residência!

Doença de Parkinson

Definição e Quadro Clínico

A doença de Parkinson também possui como fator de risco a idade avançada, sendo de apresentação mais comum, após os 55 anos. Há degeneração progressiva da substância negra mesencefálica (sistema extrapiramidal).

Geralmente, o quadro se apresenta com:

  • Tremor de Repouso;
  • Bradicinesia;
  • Rigidez em “roda denteada”;
  • Instabilidade Postural.

A marcha Parkinsoniana é muito característica e merece atenção. Se trata de uma marcha em passos curtos, com ausência de movimentos dos braços e troncos para frente, presença de propulsão, retropulsão e lateropulsão.

Fonte: https://www.rafaeloliveiraneuro.com/doenca-de-parkinson
Figura .1: Representação da Marcha Parkinsoniana

Diagnóstico e Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico é feito por meio do quadro clínico e para fecharmos o diagnóstico de Doença de Parkinson, o paciente, obrigatóriamente, precisa apresentar Parkinsonismo com Bradicinesia. Além do quadro clínico, a pesquisa do uso de fármacos que possam levar ao parkinsonismo também deve ser feita.

Os principais fármacos que devem chamar atenção são: Haloperidol, Metoclopramida, Cinarizina e Flunarizina.

O diagnóstico diferencial principal é o tremor essencial.

Entretanto, também podemos nos atentar aos quadros de Parkinsonismo atípico, como:

  • Paralisia do olhar vertical – PSP;
  • Membro alienígena;
  • Demência preccoce;
  • Demência por corpúsculo de Lewi;
  • Parkinsonismo secundário a intoxicação por medicamentos – simétrico, súbito;
  • Carência de B12;
  • Meningioma;
  • Parkinsonismo Heredodegenerativo – Tremor postural, em bater de asas – Doença de Wilson.

Tratamento

Os fármacos de escolha são: Levadopa (padrão ouro) – agonistas dopaminérgicos, os inibidores da MAO-B, anticolinérgicos, bloqueadores de Serotonina e Inibidores da COMT, além de tratamento cirúrgico estereotáxico para quadros refratários.

Autor(a): Bianca Teodoro – teodoro.bianca_

Referências

Goldman, Lee Schafer, Andrew I. Goldman-Cecil Medicina. 25 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.

Kasper, DL et al. Medicina interna de Harrison. 19ed. Porto Alegre: AMGH, 2017.

Papadakis MA, et al. Current Medical Diagnosis and Treatment, 56th ed. New York: McGraw-Hill, 2017.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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