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O ciclo sexual da mulher | Colunistas

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Hoje vamos discutir sobre a fisiologia reprodutiva da mulher, ou seja, sobre o período, durante a idade fértil da mulher, em que há sequência no desenvolvimento de um folículo ovariano e o útero é preparado para uma possível gestação, além do que ocorre caso não haja fertilização do óvulo pelo espermatozoide. Também será abordado sobre as funções dos hormônios sexuais femininos.

Ciclos sexuais

Os ciclos sexuais da mulher iniciam na puberdade e perduram pelos anos férteis, durando até a menopausa. Ocorrem principalmente por causa de órgãos como hipotálamo, hipófise-anterior, ovários e útero, mas também envolve outros órgãos sexuais femininos. Os ciclos se caracterizam por variações rítmicas mensais da secreção de hormônios femininos e correspondem a alterações nos ovários e útero. Duram, em média, 28 dias. Podem variar entre 20 a 45 dias, estando mais associados com infertilidade esses ciclos anormais. Os desfechos mais importantes são ovulação e preparação do endométrio para possível gestação.

Hormônios envolvidos no ciclo sexual feminino

O hipotálamo libera GnRH (hormônio liberador de gonadotropina), que atua nos gonadotropos da hipófise anterior, estimulando liberação de FSH e LH, os quais causam liberação de estrogênio e progesteronapelos ovários. O FSH e LH atuam por mecanismo de proteína G, ou seja, ligam-se em receptor que ativa proteína G, a qual ativa adenilato-ciclase, que converte ATP em AMPc, que ativa proteína kinase A (PkA), que causa fosforilação de enzimas e proteínas, fazendo como resultado final a proliferação e secreção das células-alvo. A quantidade secretada de todos esses hormônios citados varia conforme a fase do ciclo menstrual, exceto a de GnRH, que é secretado em pulsos curtos (uma vez a cada 90 minutos).

Vale dizer que [Pacheco1] o ovário apenas produz estrógeno e progesterona com a presença de FSH e LH, os quais não são liberados durante a infância. Entre 9 e 12 anos, começam a ser liberados, levando ao início de ciclos menstruais normais a partir dos 11 aos 15 anos. Tal período é chamado de puberdade.

Ciclo ovariano

Os ciclos ovarianos correspondem a alterações cíclicas nos ovários envolvendo as gonadotropinas e as etapas desse ciclo são 3: desenvolvimento dos folículos, ovulação e formação do corpo lúteo. A seguir será falado sobre cada uma dessas etapas.

Desenvolvimento folicular

O FSH causa crescimento acelerado de 6 a 12 folículos primários por mês, fazendo proliferação leve de células da granulosa, fazendo aparecer várias camadas. Além disso, as células fusiformes do interstício do ovário formam massa de células chamada teca, as quais se dividem em 2. A teca externa forma cápsula de tecido conjuntivo muito vascularizado; a teca interna secreta hormônios sexuais esteroides (estrógenos e progesteronas).

Após essa fase proliferativa, a massa de células secreta o líquido folicular que contém elevada concentração de estrogênio. Há formação do antro. Com os hormônios FSH, LH e estrógenos, o crescimento do folículo dá-se de modo acelerado. Após 1 semana de crescimento, mas antes da ovulação, um dos folículos cresce mais que os outros 5 ou 11, os quais involuem, tornando-se atrésicos. A causa da atresia pode ser porque o folículo mais crescido possui grandes quantidades de estrogênio, o qual age na hipófise anterior bloqueando a liberação de FSH, que bloqueia o crescimento dos folículos menos desenvolvidos, mas não o do mais crescido por causa dos efeitos de feedback positivo (aumento dos receptores de FSH, LH e estrógeno). Atresia é importanteporque evita que mais de uma criança se desenvolva.

Ovulação

O folículo maduro libera o ovócito secundário com massa de milhares de células da granulosa (coroa radiada) junto com líquido viscoso. Para que haja a ovulação, é necessário pico de LH. Esse também é importante para crescimento folicular final. Dois dias antes da ovulação, a hipófise aumenta secreção de LH e FSH também. Ambos causam dilatação do folículo. O LH converte células da granulosa e tecais em secretoras de progesterona. Daí a produção de estrógeno começa a cair 1 dia antes da ovulação.

Fase lútea

Após ovulação, o folículo remanescente se transforma em corpo lúteo, o qual, nos próximos 7 a 8 dias, cresce. Depois, começa a involuir e a perder suas funções secretórias, cerca de 12 dias depois da ovulação. Além de perder sua característica lipídica amarela, daí torna-se corpo albicans, que é substituído por TC e absorvido ao longo de meses. Enfim, o corpo lúteo tem como funções produzir progesterona e estrógeno. Isso ocorre graças ao pico de LH, que age nas células granulosas e tecais causando luteinização, proliferação, aumento de secreção e, por fim, degeneração. Tudo isso ocorre em 12 dias. O hormônio hCG secretado pela placenta, age no corpo lúteo e prolonga sua vida a, pelo menos, 2 a 4 meses de gestação. Os hormônios produzidos pelo corpo lúteo causam feedback negativo na hipófise anterior, reduzindo concentrações de FSH e LH. Além disso, secreta inibina, que inibe FSH. Esse feedback causa involução do corpo lúteo, já que necessita de LH. O corpo lúteo costuma viver 12 dias, portanto morre ao 26º dia do ciclo menstrual. Daí perde produção de estrógeno e progesterona, que permite produção de FSH e LH, dando início ao novo ciclo quando ocorrer a menstruação.

Ciclo menstrual ou uterino

Durante o ciclo uterino ou menstrual, as camadas do endométrio são alteradas. Antes, vale dizer, portanto, quais são as 3 camadas endometriais:

  1. Camada basal: camada fina que não apresenta edema ou hipertrofia e nem contém as porções distais das glândulas.
  2. Camada compacta: camada final, superficial, formada por células do estroma densamente arranjadas em torno das porções adjacentes às glândulas endometriais.
  3. Camada esponjosa: camada espessa, edemaciada e que possui glândulas dilatadas e tortuosas.

A camada basal possui sua própria vascularização e, portanto, não se descama na menstruação. As camadas compacta e esponjosa descamam durante menstruação ou parto e são chamadas de camada funcional.

Podemos dividir o ciclo menstrual em 4 fases:

  1. Fase menstrual: normalmente ocorre a cada 28 dias durando em média de 3 a 5 dias.
  2. Fase proliferativa, folicular ou estrogênica: após descamação, os estrógenos causam reepitelização do endométrio. A espessura do endométrio aumenta devido ao crescente número de células estromais e glândulas endometriais.
  3. Fase secretora ou progestacional: a progesterona causa inchaço e desenvolvimento secretor aumentado do endométrio. Acumulam substâncias, aumenta o suprimento sanguíneo, vasos ficam tortuosos. Enfim, serve para tornar o endométrio bem nutrido para suprir o embrião. Nessa fase ocorre o edema do estroma.
  4. Fase isquêmica ou pré-menstrual: caso óvulo não seja fertilizado, 2 dias antes da menstruação, o corpo lúteo involui e secreção ovariana diminui. Com isso, as células endometriais perdem estimulação e involuem, liberando molécula vasoconstritora, que faz os vasos tortuosos terem espasmo, há diminuição dos nutrientes ao endométrio e isso causa necrose. Com isso, ocorrem hemorragias, separando as camadas endometriais e as fazem descamar. Daí, há liberação de prostaglandinas, que com a massa de tecido descamado e sangue, ocorrem contrações que expulsam o conteúdo do útero. Em geral, são expelidos 40mL de sangue e 35mL de líquido seroso. Não há coagulação desse sangue por causa da presença de fibrinolisinas, que são liberadas com material necrótico. Entre 4 a 7 dias após início da menstruação, ela cessa porque o epitélio já reepitalizou. Além disso, ocorre eliminação de leucócitos (leucorreia), que gera efeito protetor às infecções.
Figura 1: Observe na imagem acima os ciclos ovarianos e menstrual. Referência: Barbosa, Montenegro, Carlos Antonio, e REZENDE FILHO, Jorge de Rezende Obstetrícia Fundamental, 14ª edição. Grupo GEN, 2017.
Figura 2: a imagem mostra a localização do endométrio com as 3 camadas dele. Referência: Barbosa, Montenegro, Carlos Antonio, e REZENDE FILHO, Jorge de Rezende Obstetrícia Fundamental, 14ª edição. Grupo GEN, 2017.

Menopausa

Entre 40 e 50 anos, os ciclos menstruais se tornam irregulares e a ovulação pode não acontecer. Após meses a anos, o ciclo cessa totalmente. Esse período é chamado menopausa. A causa da menopausa é o esgotamento dos ovários. Durante a idade fértil, 400 folículos primordiais se tornam maduros e o restante torna-se atrésico. Aos 45 anos, restam poucos, e a produção de estrógenos e progesterona cai abaixo do nível crítico, o que impede feedback negativo na hipófise anterior, justificando o porquê dos níveis de FSH e LH elevarem-se de modo contínuo. A perda dos estrógenos causam manifestações como rubor excessivo da pele, sensações psíquicas de dispneia, irritabilidade, fadiga, ansiedade, diminuição da resistência e da calcificação dos ossos do corpo. Esses sintomas são significativos em apenas 15% das mulheres, que necessitam de tratamento com estrógenos.

Funções dos hormônios sexuais femininos

Agora que já foi discutido à respeito do ciclo sexual feminino e entendemos que há liberação de hormônios sexuais em cada ciclo, será falado sobre a função desses hormônios.

Funções dos estrógenos

Causa proliferação celular e crescimento dos tecidos dos órgãos sexuais e reprodutores (ovários, trombas uterinas, útero, vagina, vulva).

Altera o epitélio vaginal do tipo cuboide para estratificado, o qual é mais resistente a traumas e infecções. Por isso, infecções vaginais em meninas podem ser tratadas com administração de estrogênio, simplesmente por causa da maior resistência do epitélio vaginal resultante.

Causa proliferação do estroma endometrial e desenvolvimento das glândulas endometriais.

Aumenta os cílios nas tubas uterinas e suas atividades.

Nas mamas, causa desenvolvimento dos tecidos, crescimento de sistema de ductos, depósito de gordura nas mamas. Também é inibidor da secreção de leite junto com a progesterona. A lactação ocorre por causa da prolactina.

No esqueleto, inibe osteoclastogênese, o que permite crescimento ósseo. O crescimento da mulher é mais rápido nos primeiros anos da puberdade por esse motivo. Porém, causa união dos ossos com epífises, o que faz com que o crescimento das mulheres cesse antes do dos homens.

Causam leve depósito de proteínas, o que pode gerar leve aumento de massa muscular.

Aumenta metabolismo corporal e depósito de gorduras, especialmente nos glúteos e coxas.

Não possui efeitos grandes na distribuição de pelos, quem faz isso são os andrógenos.

Faz a pele desenvolver textura macia, lisa e vascularizada.

Causa leve retenção de líquidos, o que pode ser um dos mecanismos de hipertensão induzida pela gravidez.

Funções da progesterona

Promove aumento das secreções uterinas, preparando para implantação do óvulo fertilizado.

Diminui frequência e intensidade das contrações uterinas, o que impede expulsão do óvulo implantado.

Causa secreção pelas tubas uterinas, o que nutre o zigoto durante os primeiros dias após a fertilização.

Promove desenvolvimento das mamas para adquirir caráter secretor, porém o leite só é secretado com prolactina, como explicado.

Conclusão

Vimos que os ciclos sexuais da mulher iniciam-se na puberdade e vão até a menopausa. Durante esse período, chamado idade fértil, acontecem os ciclos ovarianos e menstruais. Simultaneamente, nesses ciclos, acontecem desenvolvimento de folículos ovarianos para posterior ovulação e formação do corpo lúteo, que produzirá hormônios sexuais até sua involução, que permite o início de outro ciclo por liberar o hipotálamo e hipófise anterior do feedback negativo e também a preparação do endométrio para uma possível gravidez, isso é importante para fornecer nutrição para o desenvolvimento embrionário. Porém, caso não haja gravidez, o endométrio descama, porque o corpo lúteo involui e deixa de produzir os esteroides sexuais, ocorrendo necrose da camada funcional, fenômeno chamado de menstruação.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Barbosa, Montenegro, Carlos Antonio, e REZENDE FILHO, Jorge de Rezende Obstetrícia Fundamental, 14ª edição. Grupo GEN, 2017.

GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

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