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O clitóris e a prevenção da disfunção sexual | Colunistas

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O clitóris é um órgão erétil pertencente ao aparelho genital e é responsável pelas sensações sexuais. É homólogo ao pênis. Está localizado na parte mais superior do vestíbulo vulvar e é circundado pela parte anterior dos pequenos lábios.

Possui dois pontos de fixação (ramos do clitóris) e consiste em dois corpos cavernosos que se unem anteriormente para gerar o corpo, que termina na glande.

A palavra clitóris advém do grego kleitorís. A exata tradução ainda é um mistério, podendo estar relacionada a Kleieia (para fechar), Klitós (inclinado, devido à posição desse órgão), Klytós (famoso, louvado, glorioso) ou Kleíein (calar-se).

Embriologia

Até a sétima semana do desenvolvimento embriológico o sistema genital precoce é similar independente do cromossomo (X ou Y), consistindo em um estágio indiferenciado do desenvolvimento sexual.

As gônadas indiferenciadas (órgãos primordiais antes da diferenciação) consistem de um córtex externo e uma medula interna.

No início da na quarta semana, o mesênquima em proliferação produz um tubérculo genital (primórdio do pênis ou do clitóris). O ectoderma cloacal é considerado a fonte do sinal de iniciação genital que envolve a expressão de Fgf8.

As saliências labioescrotais e as pregas urogenitais se desenvolvem. O tubérculo genital se alonga formando um falo primordial (que propiciará a formação de um pênis ou clitóris).

Figura 1 – Estágio indiferenciado do desenvolvimento genital – Fonte: MOORE, K.L. & Persaud, V. Embriologia Básica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. SADLER, T.W.

O fator de transcrição Dax-1 (presente somente em indivíduos XX) faz com que, a partir da nona semana, se expressem os genes HoxD-10 a HoxD-13 e HoxA-9 a HoxA-12; as ações ordenadas desses estímulos e inibições promove o desenvolvimento genital interno e externo. Logo, em embriões com um complexo cromossômico sexual XX, o córtex da gônada primitiva (antes, indiferenciada) se desenvolve em ovário e há regressão da medula. Estrogênios produzidos pelos ovários maternos e pela placenta estimulam o desenvolvimento das tubas uterinas, do útero e da parte superior da vagina.

O falo primordial no feto feminino gradualmente se torna o clitóris, que é relativamente grande com 18 semanas. As pregas uretrais se fusionam para formar o frênulo dos pequenos lábios e as partes não fusionadas das pregas urogenitais formam os pequenos lábios.

As pregas labioescrotais se fundem para formar a comissura labial posterior e anteriormente para formar a comissura labial anterior e o monte do púbis. A maior parte das pregas labioescrotais permanecem não fusionadas e se desenvolvem em duas grandes pregas de pele, os grandes lábios.

Figura 2 – Estágios no desenvolvimento da genitália externa; a esquerda resultando na formação do pênis e a direita, formação da vagina – Fonte: MOORE, K.L. & Persaud, V. Embriologia Básica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. SADLER, T.W.

Anatomia

É de suma importância conhecer a anatomia da vulva (genitália externa), através desse entendimento que se realiza uma boa inspeção, parte do exame físico ginecológico externo. Nela estão contidos os órgãos do sistema reprodutor feminino localizados fora da pelve.

Figura 3 – Anatomia ginecológica externa – Fonte: https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/orgaos-reprodutores-femininos

Com esse conhecimento moldado, é importante que se conheça a anatomia do clitóris, que só foi descrita completamente em 2005 pela urologista australiana Helen O’Connell, que também analisou a relação com as estruturas adjacentes (uretra, vagina e glândulas vestibulares).

O estudo implicou na dissecção de cadáveres e uso de exames de ressonância magnética.

A parte exposta na vulva é a glande do clitóris, que fica recoberta pelo prepúcio. O restante do órgão é interno. O clitóris se estende sob a pele. O tronco tem forma cilíndrica, composta por duas colunas de tecido erétil (corpos cavernosos), que se estendem em direção à cavidade púbica.

Em sua extremidade estão as raízes (crura ou crus clitóris), que são feixes em tecido erétil que percorrem ao longo dos ossos pubianos e envolvem a uretra e a vagina.

Ao lado de cada uma das raízes está outra região de tecido erétil, o bulbo do clitóris (atrás das paredes vaginais). Os corpos cavernosos estão separados por um septo incompleto.

Figura 5 – Órgãos homólogos – Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-58496415

A comparação do clitóris com o pênis é muito útil para entender sua forma.

As diferenças entre esses órgãos se concentram no tamanho e posição, além do clitóris não ter função urinária, sendo um órgão cuja função é proporcionar prazer (e para isso, conta com cerca de oito mil terminações nervosas, sendo a área com maior densidade de terminações).

A principal inervação vem do pudendo interno, que tem suas fibras originadas no terceiro e quarto nervo sacral. Já o principal suprimento arterial vem de ramos clitoridianos comuns da artéria pudenda interna.

A ignorância sobre anatomia e função do clitóris tem impacto direto na prática médica e na vida sexual das pessoas, sendo assim, um assunto relevante também ao público em geral.

Mecanismo da sensibilidade sexual em pessoas com clitóris

A sexualidade é um aspecto vital na vida humana, independente das condições práticas serem exercidas ou não, é um fator que permeia o estado de saúde do indivíduo. São fatores de atenção a alteração hormonal, doenças crônicas e variações de resposta ao ciclo e frequência sexual.

As fibras simpáticas e parassimpáticas do clitóris partem do plexo pélvico. As fibras nervosas somáticas se originam na coluna anterior da medula espinhal.

Função do clitóris na resposta sexual

Durante a excitação sexual ocorre turgência clitoridiana em vez de ereção (a túnica albugínea é unilaminar, não fornecendo resistência venosa). As glândulas vestibulares (homólogas as glândulas bulbouretrais do sistema reprodutor XY) são comprimidas durante o ato sexual e secretam muco que lubrifica a parede inferior da vagina.

O clitóris é um importante componente para a resposta sexual, possui densa inervação de corpúsculos de Pacini, que serve como receptor e transformador de estímulos sexuais, iniciando e/ou elevando os níveis de tensão sexual.

A imagem abaixo demonstra os padrões sexuais esperados.

Figura 6 – Modelo linear da sexualidade proposto por Masters e Johnson, contendo respostas com um único orgasmo e multiorgásticas – Fonte: https://eg.uc.pt/bitstream/10316/47948/2/TESE_MESTRADO.pdf

O clitóris e a prevenção de disfunções sexuais

As disfunções sexuais relatadas podem ser causadas por desordens no assoalho pélvico, deficiência hormonal, vascular ou neurológica (componente físico) e ainda psicológicas.

O ciclo sexual é complexo e integrado por vários componentes que diferem entre os indivíduos por seus valores, sexualidade, cultura, situações. Logo, os componentes de disfunções e descontentamentos se relacionam com aspectos físicos, culturais, sociais, traumas, ansiedades, medos em relação o/a companheiro/a, inibição, componentes emocionais (atritos e conflitos em outros aspectos da vida), confusão sobre a própria identidade sexual ou relacionais de experiências prévias.

A estimulação do clitóris aumenta o interesse sexual e, mesmo que não ocorra um orgasmo, amplia a satisfação sexual e aumenta a lubrificação da vagina, tornando a relação mais prazerosa. Uma vez que o contato físico seja satisfatório, mesmo que não haja um interesse inicial, as atividades se tornam possíveis, obviamente que respeitando o consentimento do ato.

Figura 7 – Ciclo sexual segundo Basson – Fonte: DOI: 10.11606/T.5.2006.tde-10102006-144125

As disfunções orgásticas estão elucidadas no quadro a seguir:

Figura 8 – Causas das disfunções orgásticas – Fonte: DOI: 10.11606/T.5.2006.tde-10102006-144125

Outro problema frequente é a dispaurenia, que é a dor recorrente ou persistente relacionada a atividade sexual, que pode ser superficial ou profunda; que interfere no relaxamento (impedindo excitação e lubrificação). Este agravo deve ser trabalhado em consultas, frisando a importância da estimulação do clitóris, resolução de conflitos psicológicos e tratamento de causas orgânicas.

Apesar de todo o progresso sobre as disfunções sexuais, neurotransmissores vasculares e não-vasculares, existe uma carência nos estudos das disfunções sexuais ligadas ao sistema reprodutor XX. Estudos com o citrato de sildenafila tem se mostrado promissores na resposta do ciclo sexual, elevando a sensibilidade clitoridiana, lubrificação vaginal e tolerabilidade em relação a medicação.

Conclusão

Por séculos, foi negada a legitimidade de sentir prazer durante a relação sexual, isso ocorreu por motivos religiosos e morais, nos quais a sexualidade foi pautada somente como meio reprodutivo. A sexualidade também foi marginalizada no plano da ciência. Conforme as sociedades iam se moldando, aumentando o interesse sobre os direitos sexuais e saúde reprodutiva, passou-se a aceitar o prazer como parte integrante das relações sexuais.

Pode-se dizer que essa transformação ocorreu graças a introdução de novos conceitos relacionados à sociedade, sexualidade, prazer sexual impulsionado por mudanças sociais, demográficas e epidemiológicas.

A sexualidade passou a ser abordada através de aspectos subjetivos e de identidade, social, com emblemas genéticos e fatores antropológicos e psicanalíticos. Associando campos do saber, cultura, política e história.

Na área médica se enfatiza os aspectos clínicos, patológicos, reprodutivos, focando no contexto biopsicossocial da sexualidade (identidade, comportamento, vínculos sociais; respeitando-se um contexto cultural vigente).

É importante conduzir o/a paciente a conduzir a atividade sexual com segurança e buscar em suas práticas que lhe agradem, com boa comunicação com o/a parceiro/a, desenvoltura que contemple os ideais de ambos e com respeito mútuo.

Autora: Gabrielle Schneid

Instagram: @gabi_schneid

Referências:

Alarcón Nivia MA. La historia de las palabras relacionadas con la anatomía del aparato genital femenino. Rev. Colomb. Obstet. Ginecol. [Internet]. 30 de septiembre de 1997 Disponible en: https://revista.fecolsog.org/index.php/rcog/article/view/118

https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-44829340

MOORE, K.L. & Persaud, V. Embriologia Básica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. SADLER, T.W.

https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/orgaos-reprodutores-femininos

DOI: 10.11606/T.5.2006.tde-10102006-144125

KAPLAN, H.I; SADOCK, B.J. (Eds). Compêndio de Psiquiatria Clínica – Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica. 9ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2007


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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