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O desafio da Medicina high-tech: saúde na palma da mão?| Colunistas

Tecnologia. Derivada do grego, ao pé da letra significa o estudo da técnica, por meio do qual se desenvolvem as ferramentas que serão utilizadas para transformação e evolução dos processos, permitindo, assim, melhorias nos mais diversos segmentos da sociedade.

Trazendo para nossa realidade, fica fácil notarmos o quanto isso se torna factível quando observamos que nos anos 60 a expectativa de vida do brasileiro era de 48 anos, e hoje, quase 60 anos depois, alcançamos os 75 anos como patamar de longevidade, segundo dados do IBGE. Sorte? Não, meus caros. Tecnologia e Medicina em sinergia, eu diria.

O investimento em saúde, ao longo dos anos, tornou-se mandatório numa população cada vez mais ativa social e economicamente e em plena transição demográfica. Se no passado o advento das vacinas e a melhoria nas condições de assepsia e antissepsia promoveram queda expressiva da mortalidade e aumento da sobrevida, o novo desafio da medicina é garantir não apenas que a população viva mais, mas que viva melhor. Desse modo, todos os olhares estão voltados ao setor high-tech, que promete facilitar os cuidados na área de saúde e, por que não, a própria relação médico-paciente.

O uso eficiente da tecnologia pode ajudar tanto a reduzir custos no setor quanto a promover diagnósticos precoces e tratamentos mais eficientes. Estudos recentes apontam a existência de mais de 500 mil tecnologias médicas diferentes em uso na atualidade, variando desde exames de laboratório ao tratamento de diferentes tipos de câncer por meio da biologia molecular.

Um rápido exemplo pode ser dado ao falarmos do câncer de mama, que quando descoberto em seu estágio inicial pode chegar a taxa de 95% de cura, tendo esse valor invertido quando da descoberta no último estágio: taxa de mortalidade de até 95%. Nesse contexto notamos a importância da tecnologia aliada ao diagnóstico precoce de doenças e agravos, assim como na prevenção de diferentes patologias por meio do rastreio regular. Temos hoje a oportunidade de intervir sobre a doença ainda não manifestada ou prevenir sua aparição. Isso é fantástico, não?

Ao toque de um dedo, médicos têm à frente de seus smartphones aplicativos que facilitam a escolha da droga a ser usada, bem como a posologia necessária ao paciente e suas interações medicamentosas. A telemedicina permite laudos à distância e comunicação intersetorial entre diferentes instituições e profissionais.

Segundo o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic), 91% dos hospitais têm acesso à internet. Parte desses serviços a utiliza em prontuários eletrônicos e em gestão hospitalar, com a finalidade não só do resgate rápido de dados pregressos dos pacientes como do seguimento linear de seu acompanhamento, independente de este ser feito pelo mesmo profissional ou por outro colega. As informações necessárias devem estar sempre a um clique de distância.

Fica claro o quão longe chegamos. Evidente também é a necessidade da boa administração de tantos recursos dispostos em um tempo cada vez mais curto para associá-los. O desafio da medicina atual perpassa a necessidade de uma gestão que aumente o acesso da população a essa tecnologia transformadora e permita a globalização de tratamentos mais modernos, muitos dos quais ainda permanecem no nicho dos pacientes que tem maior poder aquisitivo e podem pagar para obtê-los.

Convém lembrar, ainda, que nada substitui a milenar anamnese e o exame físico apurados. Nenhuma tecnologia é capaz de interpor o diálogo entre o cuidador e o ser humano por trás da doença que o reveste. A tecnologia tem colocado a Medicina na palma da mão, embora o toque das mãos do médico em seu paciente ainda seja a mais apurada ferramenta na arte do cuidar.

Até breve!

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