Doença causada pelo Mycobacterium tuberculosis (também chamado de bacilo de Koch), a tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível que afeta principalmente os pulmões, mas podendo também acometer outros órgãos ou sistemas.
Epidemiologia
A tuberculose é um sério problema de saúde global. Estima-se que em 2019 cerca de dez milhões de pessoas no mundo desenvolveram tuberculose e 1,2 milhão morreram devido à doença.
No Brasil, em 2021 foram registrados 66.819 casos novos de tuberculose, com um coeficiente de incidência de 31,6 casos por 100 mil habitantes. Em 2019, foram notificados cerca de 4,5 mil óbitos pela doença, com um coeficiente de mortalidade de 2,2 óbitos por 100 mil habitantes.
Além disso, dados da OMS mostram que o Brasil continua na lista dos 30 países de alta carga para a tuberculose e para coinfecção Tuberculose-HIV, sendo, portanto, considerado prioritário para o controle da doença.
Dados epidemiológicos da Secretaria de Vigilância em Saúde demonstram que pessoas do sexo masculino pretas ou pardas são o estrato da população mais atingida pela tuberculose. Entre 2011 e 2020, dos casos novos da doença, 46.130 (69,0%) ocorreram em pessoas do sexo masculino e a raça/cor preta/parda, é a que apresentou a maior prevalência, variando de 60,2% a 66,8% dos casos novos.
Etiologia e transmissão
A tuberculose é causada pelo Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch), um bacilo imóvel, não capsulado, não esporulado, e não formador de colônias, que é contraído pela inalação de aerossóis oriundos das vias aéreas, durante a fala, espirro ou tosse das pessoas com tuberculose pulmonar ou laríngea ativa.
Fisiopatologia
A infecção primária ocorre no primeiro contato do indivíduo com o bacilo de Koch e raramente resulta em uma infecção aguda, sendo que 95% dos casos permanece assintomática e então evolui para a fase latente.
A micobactéria ao superar as barreiras físicas do trato respiratório alto e entrar no ambiente
pulmonar alveolar é fagocitado por macrófagos (gerando o fagossomo que produz quimiocinas e citocinas, provocando a migração de neutrófilos, monócitos e linfócitos para o local da infecção) e é apresentado aos linfócitos T auxiliadores, através do complexo principal de histocompatibilidade de classe II.
Os macrófagos que primeiro entraram em contato não conseguem conter os bacilos, que proliferam e destroem os macrófagos, caindo nos espaços alveolares. Estes são novamente fagocitados, formando um ciclo vicioso até que de 15 a 20 dias depois é desenvolvida a resposta imunológica específica que controla o foco infeccioso resultando em um granuloma caseoso.
A infecção secundária geralmente surge da reativação de uma infecção latente, mas também pode derivar de uma reinfecção exógena. Ela classicamente, mas não obrigatoriamente, acomete o ápice do lobo superior do pulmão direito.
Sinais e sintomas
O quadro clínico de tuberculose pulmonar é emagrecimento acentuado, tosse por mais de três semanas (podendo ser secretiva ou não), febre vespertina, sudorese noturna, cansaço excessivo, falta de apetite, palidez e rouquidão.
Diagnóstico
Radiológico: Deve ser feito em todo indivíduo com suspeita de tuberculose para excluir outras doenças pulmonares associadas e avaliar extensão do acometimento pulmonar. Os achados característicos são opacidade, cavitações, fibroses, nódulos, retrações, linfonodomegalia, aspecto miliar e calcificações.
Baciloscopia direta do escarro: Deve ser colhida duas amostras (uma no momento da consulta, em área bem ventilada, e outra pela manhã do dia seguinte) que serão analisadas a procura de bacilos álcool- ácido resistentes com auxílio da coloração de Ziehl-Neelsen.
Cultura para micobactéria: Pode fechar o diagnóstico de tuberculose por conta de ser um teste de alta sensibilidade e especificidade. A cultura também é usada para realizar o teste de sensibilidade à rifampicina, importante para guiar o tratamento.
Teste rápido molecular para tuberculose: consegue detectar o DNA bacteriano para confirmar o diagnóstico de tuberculose, além de identificar se as cepas da amostra são resistentes à rifampicina.
Dosagem de ADA (adenosina deaminase): ADA é uma enzima que em níveis elevados nos líquidos pleural, pericárdico, sinovial, ascítico e no líquor é critério diagnóstico para tuberculose. Deve-se tomar cuidado com o resultado dos níveis de ADA, pois não é apenas a tuberculose que pode causar aumento dessa enzima.
Histopatológico: presença de granuloma com necrose caseosa é compatível com tuberculose.
Prova tuberculínica (PPD): É usado para identificar infecção latente em indivíduos assintomáticos que tiveram contato com paciente com diagnóstico confirmado de tuberculose. Apresenta reação cruzada com a vacina da BCG.
IGRA ( ensaios de detecção de interferon gama em amostras de sangue): diagnostica tuberculose latente por meio da medida nos níveis in vitro de interferon gama produzidos por células T estimuladas com antígenos purificados. É mais confiável que o PPD na identificação de infecção latente de tuberculose, porém não está disponível no SUS.
Tratamento
No Brasil o tratamento para tuberculose é diretamente observado, ou seja, observado por profissional de saúde por pelo menos 3 dias na semana. Todos os medicamentos devem ser tomados ao mesmo tempo, uma vez ao dia.
O Esquema Básico consiste em duas fases: Intensiva (ou de ataque) e manutenção. A Fase Intensiva dura no mínimo 2 meses e é composto por quatro fármacos, Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol em dose fixa combinada, e a Fase de Manutenção dura no mínimo 4 meses e é composto por Rifampicina e Isoniazida, também em doses fixas combinadas.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
http://www.aids.gov.br/pt-br/o-que-e-tuberculose
https://portal.fiocruz.br/taxonomia-geral-doencas-relacionadas/tubercuolse]
https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/Tuberculose
http://www.acm.org.br/acm/seer/index.php/arquivos/article/view/46/42