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O que são primeiros socorros? | Colunistas

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Imagem de perfil de Fillipe Leonardo de Souza

Os primeiros socorros são os cuidados imediatos prestados a uma vítima de um acidente em que seu estado atual coloca sua saúde e/ou vida em risco. A fim de manter as funções vitais do acidentado, as técnicas de primeiros socorros objetivam prevenir o agravamento da vítima até que profissionais especializados cheguem ao local.

Os acidentes são eventos presentes na rotina de todas as pessoas e em muitos casos, a presença da assistência especializada é crucial para evitar fatalidades, porém acidentes de menores intensidades, podem ser resolvidos rapidamente de maneira correta sem que haja a necessidade do serviço de emergência. Nesse sentindo, a caixa de primeiros socorros é um item necessário que irá auxiliar nos procedimentos de primeiros socorros, para isso é indispensável que a caixa esteja completa, contendo materiais de proteção individual (EPI), material antisséptico como álcool etílico ou água oxigenada, materiais para curativo como bandagens, algodão, gaze e esparadrapo; tesoura, termômetro, dentre outros equipamentos.Quanto mais instrumentos, melhor.

Exame primário

Ao se deparar com um acidente, a primeira etapa indicada na prestação dos primeiros socorros é garantir a segurança do local para que não haja outro acidente. É importante, também, obter o máximo de informações possíveis para que a aptidão do atendimento seja maior.Caso haja mais pessoas por perto, oriente-as,  seja claro e direto e busque o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e caso a multidão atrapalhe o atendimento, peça-os para se afastarem. Em seguida, para evitar uma possível contaminação, utilize os equipamentos de proteção individual – máscara e luvas – da caixa de primeiros socorros ao entrar em contato físico com o acidentado. Tranquilizar o paciente é fundamental na prestação do socorro, passar confiança através de palavras claras e manter o contato visual é necessário para que ele saiba que você está realmente disposto a ajudá-lo. Adicionalmente, de acordo com o Ministério da saúde, a observação atenta pode dar informações cruciais para os cuidados com a vítima, para isso, foram desenvolvidas ações em ordem de fatalidade, que são chamadas de ABCD da vida. A letra “A”, em inglês, quer dizer Airways (vias aéreas), há um grande número de óbitos por asfixia, então certifique-se que essas vias não estejam obstruídas, observando a conversa, a presença de secreções ou ruídos na fala, tosse ou chiado. Também, nessa etapa é imprescindível avaliar possíveis lesões na região cervical, peça para a vítima não se mexer e manualmente firme a cabeça do acidentado enquanto se comunica. A letra “B” significa breathing (ventilação), os movimentos torácicos são promovidos pela inspiração e expiração do ar, observe se há resistência ao se expandir o tórax ou se há ruídos estranhos para se identificar um provável pneumotórax. A letra “C” significa circulation (circulação), avalie se há presença de hemorragia e a contenha, é indicado que, enquanto uma pessoa realiza os exames primários (ABCD), a outra faça a contenção do sangramento, portantoaponte para alguém e a oriente a fazer o procedimento. Além disso, nessa etapa é avaliada a cor da pele, a temperatura e o enchimento capilar. A letra “D” quer dizer desability (disfunção neurológica), para essa etapa foi desenvolvida por profissionais da saúde, uma escala chamada Glasgow para medir a consciência da vítima. Dessa forma, o estado de consciência pode ser observado avaliando como a vítima se expressa, se suas frases são formadas adequadamente e se obedece a comandos de forma normal. As decisões serão tomadas a partir da classificação em que a vítima se encaixa.

Após a avaliação primária epara uma análise mais completa é feito um apanhado de informações pessoais para repassar para equipe de emergência, lembre-se de perguntar quais os sinais e sintomas, se tem hipersensibilidade imunológica (alergias), se está tomando algum medicamento habitual, se tem um passado médico, alguma cirurgia recente, avaliar se o acidentado fez alguma ingestão de alimentos e líquidos antes do quadro.

Exame secundário

O exame primário é feito para evitar possíveis fatalidades, no exame secundário é feito um exame físico que vai checar potenciais lesões em cada região no corpo do acidentando. Deixe bem claro suas ações para que não assuste a vítima. Concomitantemente, coletar os sinais vitais como respiração, pulso, temperatura e até mesmo a pressão arterial são essenciais para complementar as informações. A frequência da respiração é a quantidade que uma pessoa inspira e expira em um minuto e ao observar  a elevação do tórax é possível fazer a contagem da respiração, também pode ser feita aproximando o dorso da mão às narinas para sentir o ar quente saindo. A frequência respiratória padrão é de 14 a 20 incursões por minuto (icm), variações nesse valor vai classificar a vítima como apneico ou dispneico, interrupção completa do fluxo do ar ou desconforto respiratório, respectivamente. O pulso é uma distensão das artérias após cada batimento do coração e pode ser caracterizado quanto à frequência cardíaca, que tem como média nos adultos, entre 60 e 100 batimentos por minuto (bpm), a regularidade, tensão e volume. A consciência da vítima vai definir se você irá avaliar o pulso central, carotídeo ou ipsilateral, ou o pulso periférico, radial. O aumento da temperatura indica um sinal de defesa do organismo e que significam infecções, traumatismos ou acidentes vasculares; a aferição da temperatura é feita na axila e a normalidade é entre 35,9 e 37,2 ºC. A pressão arterial pode ser aferida com um esfigmomanômetro e a pressão normal é de 100 a 140 (sistólica) e 60 a 90 (diastólica), porém essa etapa é feita por pessoas treinadas, não é indicado que pessoas leigas induzam valores errados. Os sinais vitais determinam a saúde do organismo, eles devem ser avaliados pelo menos de 5 em 5 minutos para se evitar um potencial agravo no estado do paciente.

Suporte básico de vida (SBV)

São manobras realizadas sequencialmente por uma pessoa leiga ou um profissional da saúde que objetiva manter o fluxo sanguíneo para o coração e a oxigenação cerebral até que o atendimento especializado chegue ao local.

Nesse contexto, a manobra é conhecida como ressuscitação cardiopulmonar (RCP), ela deve ser feita imediatamente ao se perceber que houve uma interferência ou suspensão da respiração do paciente, para evitar possíveis danos cerebrais ou até mesmo morte cerebral. Ao identificar uma parada cardiorrespiratória (PCR), se aproxime da vítima e chame-a, caso esteja inconsciente, cheque a respiração e o pulso por até 10 segundos. É importante também que você ordene alguém a entrar em contato com o serviço local de emergência, explique o estado geral do paciente e solicite um equipamento chamado de “desfibrilador externo automático (DEA)”  para monitorar e auxiliar a vítima durante a PCR. A ausência da respiração determina o início imediato das compressões e ventilações, se o pulso estiver presente, abra as vias aéreas para observar sé há algo obstruindo a passagem do ar, caso identifique uma obstrução, remova e verifique o pulso a cada 2 minutos. A RCP deve ser feita de forma eficiente, isso é determinante para que o paciente recupere a circulação, por isso, se posicione de joelhos ao lado da vítima, coloque a parte hipotênar da mão no corpo do esterno, entrelace na outra mão e use o peso do corpo para fazer a ressuscitação. A frequência de compressão torácica é de 100 a 120 por minuto, reveze com outras pessoas o ciclo das compressões a cada 2 minutos, a qualidade do exercício se dá, também, pela profundidade do tórax de pelo menos 5cm e evite ventilações excessivas. A eficácia da reanimação em casos de PCR está no tempo em que foram iniciadas as manobras, lembrando que a ressuscitação deve ser realizada até que o quadro da vítima se estabilize ou que venha a óbito.

Obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE)

Consiste na interrupção completa ou parcial das vias aéreas, em que o oxigênio é impedido de entrar no sistema pulmonar da pessoa. É um evento muito comum entre a população que pode haver um desfecho fatal caso não seja feita uma conduta efetiva. Caso identifique uma possível OVACE, acalme a vítima e estimule- a para que tussa até expelir o objeto, se o quadro evoluir para grave, realize a manobra de Heimlich. Após explicar rapidamente suas pretensões para a vítima, se posicione atrás da mesma, apoie-a em sua perna dominante, coloque seu punho entre o umbigo e a base do osso esterno e faça compressões rápidas fazendo um “U” até que o paciente expila o objeto. Se a vítima evoluir e ficar inconsciente, inicie as compressões torácicas e peça ajuda da emergência. Em crianças o processo é parecido com o adulto, porém a medição da força é essencial para evitar lesões à vítima. Em bebês e em casos leves, faça com que ele tussa até que o objeto seja expelido, caso evolua para estado grave, apoie-o no colo com o dorso para cima, com uma das mãos mantenha a boca do bebê aberta e com a outra mão dê golpes no dorso, logo após,  vire-a e faça compressões torácicas. Observe as vias aéreas para checar se há a visualização do objeto, caso veja, retire imediatamente, se não, retorne ao ciclo. O indicado são 5 golpes e 5 compressões.

Hemorragias

É uma perda de sangue resultante de um ferimento ou, em alguns casos, pelas cavidades naturais – boca, nariz, ouvido e etc. – pode ser classificada como interna ou externa, arteriais e/ou venosas. A hemorragia interna é muito grave devido à dificuldade na identificação, acontece quando o sangue atravessa cavidades especificas no organismo eem alguns casos, causa hematomas. A melhor conduta é procurar imediatamente atendimento especializado. Em casos de hemorragia externa, busque interromper os sangramentos, pressione com uma gaze estéril para evita contaminação, utilize material antisséptico e bandagens, quando encharcada a gaze, coloque outra por cima sem retirar a anterior. Em último caso, faça um torniquete caso a hemorragia não cesse. De acordo com o Advanced Trauma Life Support, a hemorragia é classificada a partir da perda de sangue que vai da classe 1, com perda de até 15% de sangue, até classe 4 com perda de mais de 40% do volume de sangue, o nível de gravidade aumenta em cada classe.

Conclusão

Os primeiros socorros devemser estudados de forma mais aprofundada para que o número de óbitos por falta desse atendimento primário seja evitado. Existem diversas situações e técnicas específicas com o objetivo de prolongar a vida das vítimas de acidentes e a noção básica de cada situação é crucial para ajudar o próximo. Antes de qualquer ação ao encontrar um acidente, certifique-se que você saiba fazer os exames primários e secundários, depois avalie o local. Sua segurança é prioridade, se paramente e logo em seguida, mantenha um diálogo claro com a vítima a fim de mantê-la ativa até a chegada do resgate.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

KARREN, Keith J. et al. Primeiros Socorros para Estudantes, 2012.

Protocolo SAMU 192 Suporte Básico de Vida. Ministério da Saúde 2014.

Manual de Primeiros Socorros. Ministério de Sáude. 2003. Fundação Oswaldo Cruz- FIOCRUZ;ATLS – Advanced Trauma Life Support for Doctors. American College of Surgeons. 10a. Ed 2018.

Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos de Intervenção para o SAMU

192 – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

https://www.dicionarioinformal.com.br/diferenca-entre/apneia/dispneia/

http://www.santacasademaceio.com.br/2018/05/como-saber-e-o-que-fazer-se-uma-crianca-aspirou-um-objeto-estranho/http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_suporte_basico_vida.pdf

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