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O que você deve saber sobre o Alzheimer! | Colunistas

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Imagem de perfil de Ana Rodrigues

O Alzheimer é uma doença degenerativa do cérebro que acomete pessoas com mais idade. Funções cerebrais como memória, linguagem, cálculo e comportamento são comprometidas de forma gradual e progressiva, levando o paciente a dependência para executar tarefas diárias. É um processo diferente do envelhecimento cerebral, pois nesta doença ocorrem alterações patológicas no tecido cerebral, como veremos a seguir.

Fisiopatologia

A fisiopatologia do Alzheimer consiste no acúmulo de beta amiloide no espaço extracelular, formando placas amiloides, juntamente com o acúmulo de proteína tau no espaço intracelular formando emaranhados neurofibrilares. Esses acontecimentos geralmente têm início cerca de 20 anos antes das manifestações clínicas. A formação dessas estruturas leva à perda da ligação sináptica e atrofia cerebral.

Fatores de risco

Como fatores de risco para o desenvolvimento da doença em pacientes com comprometimento cognitivo leve podemos citar: sedentarismo, baixo nível de escolaridade, idade avançada, hipertensão arterial, AVC prévio, atividade intelectual empobrecida, pouco contato social, morar sozinho e tabagismo.

Quadro clínico

O quadro clínico característico consiste no declínio da memória junto com outra função cognitiva de forma persistente e progressiva. Porém, outros sintomas podem estar associados, como: apatia, delírios, agitação, discurso empobrecido, perda de funcionalidade e dificuldade para reconhecer ambientes.

Além dos sintomas cognitivos, o paciente também pode vir a ter sintomas não cognitivos, como: apatia, depressão, sun dowing, agitação e sintomas psicóticos. O sun dowing é caracterizado por uma agitação durante o período de fim de tarde, o que costuma ser observado em estágios mais avançados da doença.

Diagnóstico

A avaliação neuropsicológica é padrão-ouro para avaliação da cognição e é feita através de um questionário de atividades de vida diária (Lawton e Brody – Figura 1), para avaliar a execução de atividades instrumentais pelo paciente. Com relação ao estado de dependência, utiliza-se a escala de independência em atividades diárias de Katz (Figura 2), para avaliar a execução de atividades básicas sem supervisão.

O rastreio cognitivo é definido como um conjunto de testes aplicados em consultório para auxiliar na quantificação da perda cognitiva do paciente. Os principais testes utilizados são: o Mini Exame do Estado Mental (MEEM), fluência verbal e o teste do desenho do relógio.

O MEEM (Figura 3) é um teste básico, porém, bem estruturado, de fácil aplicabilidade que avalia a atenção, orientação espaço-temporal, memória, escrita, função executiva, linguagem, cálculo e habilidade viso-construtiva. Esse teste é baseado em um escore que varia entre 0 e 30 pontos, com notas maiores para melhor desempenho. A nota de corte no teste depende do nível de escolaridade do paciente, sendo: 20 pontos para analfabetos, 25 pontos para idosos com 1-4 anos de estudo, 26,5 pontos para idosos com 5-8 anos de estudo, 28 pontos para aqueles com 9-11 anos de estudo e 29 pontos para aqueles com mais de 11 anos de estudo.

Testes mais simples ainda como a fluência verbal que contabiliza o número de animais falados em um minuto e o teste do desenho do relógio, ocupam pouco tempo durante a consulta e permitem aumentar a eficiência do diagnóstico de demência e complementar a avaliação com o teste MEEM.

Figura 1. Lawton e Brody.
Fonte: https://www.exemplo.com.br
Figura 3. MEEM.
Fonte: https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1341144719mini_exame_do_estado_mental.pdf

Exames complementares

Exames como a tomografia computadorizada cerebral e ressonância magnética são solicitados para excluir possíveis causas reversíveis de demências, como por exemplo tumor cerebral ou uma hemorragia. Pode-se solicitar também exames laboratoriais de função da tireoide, vitamina b12, ácido fólico, sífilis e HIV para detectar causar reversíveis de demências.

Tratamento

Nos pacientes que já evoluíram com Alzheimer, está indicado o uso de drogas que inibem a enzima acetilcolinesterase, responsável pela degradação da acetilcolina na fenda sináptica. Pacientes com essa doença apresentam redução da concentração de acetilcolina em núcleos subcorticais, sendo este déficit responsável por parte das alterações cognitivas encontradas nos pacientes.

As opções nessa classe de medicamentos são: galantamina 16-24mg/dia em 2 doses, rivastigmina 6-12mg/dia em 2 doses e donepezila 5-10mg/dia em dose única. São indicadas em casos leves e moderados e não são capazes de reestabelecer a função cognitiva já degradada, mas sim retardar a evolução da doença.

Em casos mais avançados, pode-se utilizar a memantina na dosagem de 10-20mg/dia, que é um agonista do receptor n-metílico do D-aspartato, que retarda a progressão da doença e melhora os sintomas comportamentais.

Conclusão

O Alzheimer continua sendo a causa mais comum de demência em idosos. Embora o tratamento ainda seja insuficiente mesmo com todos os avanços recentes, a detecção precoce da doença e o tratamento em estágio inicial têm demonstrado cada vez mais maior benefício clínico e retardo na progressão rápida no paciente.

Autora: Ana Beatriz Rodrigues de Souza

Instagram: @annarodrigues96

Referências:

MINI EXAME DO ESTADO MENTAL – https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1341144719mini_exame_do_estado_mental.pdf

UMA NOVA ABORDAGEM DIAGNÓSTICA NA DOENÇA DE ALZHEIMER – https://www.scielo.br/j/dn/a/SDPk9YZqJDhqgmc7tv7XyDD/abstract/?lang=pt

MEDICATION RECONCILIATION ROLE AND VALUE IN ALZHEIMER’S DISEASE TREATMENT – https://doi.org/10.1590/0004-282x-anp-2021-0147

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.