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Pré-operatória, entenda sua importância para a cirurgia | Colunistas

Pré-operatória, entenda sua importância para a cirurgia | Colunistas

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Imagem de perfil de Allison Diego Bezerra

Introdução

O pré-operatório constitui um conjunto de ações que antecede a realização do procedimento cirúrgico de suma importância que, se bem executado, pode garantir o bom andamento da cirurgia e da recuperação do paciente após o procedimento. O pré-operatório possui como objetivos principais otimizar o estado geral do paciente, identificar e classificar os possíveis riscos cirúrgicos de modo que seja possível estabelecer medidas profiláticas para que esses riscos sejam minimizados o máximo possível. 

Ainda antes da cirurgia, é de extrema importância a conversa entre a equipe médica e o paciente. Durante esse momento, é dever dos profissionais da saúde orientarem o paciente sobre todo o procedimento, o que será realizado e a maneira que será executada. Uma vez que o paciente compreende o seu processo saúde-doença, entendendo a necessidade e os benefícios que a cirurgia irá trazer para a sua vida, a relação entre equipe de saúde com o paciente e seus familiares fica mais fluída, e os resultados possuem a tendência de serem mais positivos.  

Avaliação pré-operatória

O objetivo da avaliação pré-operatória é identificar comorbidades que possam interferir de maneira negativa na realização do procedimento cirúrgico. Essa avaliação é orientada de maneira individualizada para cada paciente. A partir dos achados na história clínica, exame físico e dados epidemiológicos, pode ser realizada a investigação equivalente as necessidades do paciente. Existem diferentes questionários e classificações que podem ser aplicados com o intuito de identificar e estratificar possíveis riscos para a cirurgia.

O METS é uma sigla em inglês equivalente a avaliação metabólica tolerada pelo paciente, ou seja, é capaz de avaliar a capacidade funcional e a performance. O questionário é composto por algumas perguntas no qual para cada resposta positiva, é atribuído uma nota na escala de METS na ausência de fatores que possam atrapalhar a execução dessas atividades. Para que uma cirurgia seja realizada por meio da utilização de anestesia geral, o paciente deve ter, no mínimo, 4 METS. O questionário adaptado pode ser visto abaixo com a respectiva pontuação para cada pergunta. 

“Consegue fazer trabalhos leves em casas, como lavar louça ou jogar o lixo fora?” – 2.5 METS.

“Consegue caminha uma quadra ou duas no plano?” – 2.5 METS.

“Consegue fazer atividades moderadas em casa, como varrer o chão?” – 3.5 METS.

“Consegue fazer trabalhos no jardim ou quintal, como juntar folhas ou usar máquina de cortar grama”? – 4.5 METS.

“Consegue subir um lance de escadas ou caminhar em uma rua com subida?” – 5.5 METS.

“Consegue praticar esportes, como natação ou futebol?” – 7.5 METS.

“Consegue realizar atividades pesadas em casa, como esfregar o chão ou mover móveis pesados?” – 8 METS.

“Consegue correr uma distância curta?” – 8 METS. 

A classificação ASA foi estabelecida pela Sociedade Americana de Anestesiologia e estratifica o paciente de acordo com o estado físico e comorbidades. Quanto maior a classificação ASA, pior é o prognóstico e maiores as chances de mortalidade para o paciente. A classificação ASA pode ser dividida da seguinte forma: ASA I, paciente hígido, não possui nenhuma comorbidade, não faz uso de bebida alcoólica e de cigarro; ASA II, presença de doença sistêmica leve, que não implica em alguma limitação funcional. Por exemplo, hipertensão arterial sistêmica e diabetes controlados; ASA III, paciente possui uma doença sistêmica grave com limitação funcional. Por exemplo, hipertensão arterial sistêmica e diabetes não controlados, doença renal crônica não dialítica e obesidade grave. ASA IV, doença sistêmica grave com risco de vida, como pode acontecer em pacientes com angina instável e disfunção valvar grave; ASA V, doente está moribundo, no qual não irá sobreviver sem a cirurgia. Pode acontecer no aneurisma de aorta roto e politraumatizados; ASA VI é o paciente com morte encefálica que será submetido à cirurgia para captação de órgãos. Por fim, deve-se acrescentar a letra “E” nas cirurgias de urgência ou emergência. 

Exames complementares e alimentação 

Atualmente, não existe uma lista de exames que seja considerada obrigatória para todos os pacientes que serão submetidos a um procedimento cirúrgico. Os exames complementares vão ser solicitados de acordo com a individualidade de cada paciente, como idade, sexo e comorbidades e também de acordo com a cirurgia que será realizada. Contudo, existem alguns exames que são realizados com maior frequência, que são capazes de fornecer informações “gerais” sobre o paciente, a saber: hemograma completo, ureia, creatinina, sódio, potássio, glicemia em jejum, coagulograma, radiografia de tórax e eletrocardiograma. 

A alimentação do paciente no pré-operatório é um ponto que merece atenção. O jejum pré-operatório possui como objetivo oferecer segurança para a via aérea do paciente. É esperado o mínimo de conteúdo gástrico durante a cirurgia, com o intuito de diminuir as chances de broncoaspiração. Para isso, durante muito tempo, acreditou-se que o ideal seria manter dieta oral zero, por 8 a 12 horas antes da cirurgia, evitando o consumo de qualquer alimento. Contudo, atualmente, já é bem sedimentado o fato de que alguns alimentos podem ser consumidos pouco antes da cirurgia, o que melhora a recuperação do paciente no pós operatório. Por exemplo, alimentos sólidos, como carnes e massas podem ser ingeridos em até 8 horas antes da cirurgia, líquidos opacos com resíduos, como sucos e leite podem ser consumidos de 4 a 6 horas antes da cirurgia, por fim, líquidos claros, como água e chá estão liberados em até 2 horas antes do procedimento.  

Autor: Allison Diego

Instagram: @allison_diego

Referências

SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica moderna. 19.ed. Saunders. Elsevier.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto