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Princípios gerais da nutrição enteral

Princípios gerais da nutrição enteral

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A nutrição enteral consiste na administração de nutrientes pelo trato gastrointestinal, através de um tubo, sondas ou ostomias, localizadas no tubo digestivo.

É empregada quando o paciente não pode ou não deve se alimentar por via oral (via oral contra-indicada) ou quando a ingestão oral é insuficiente.

Procedimento para colocação da sonda nasoenteral

O procedimento para colocação de uma sonda de nutrição enteral varia dependendo do tipo de sonda utilizada, mas geralmente segue etapas padrão para garantir a segurança e a eficácia do processo.

Para a sonda nasogástrica (SNG) ou sonda nasoentérica, realiza-se o procedimento da seguinte forma:

  1. Preparação do Paciente: posiciona-se o paciente sentado ou com a cabeça elevada a 30-45 graus para reduzir o risco de aspiração. Assim, é importante explicar o procedimento ao paciente para aliviar a ansiedade e obter o consentimento informado
  2. Medida da Sonda: mede-se a sonda da ponta do nariz até o lóbulo da orelha e depois até o apêndice xifoide (extremidade inferior do esterno). Esta medida ajuda a determinar o comprimento adequado da sonda a ser inserida
  3. Lubrificação da sonda: lubrifica-se a extremidade da sonda com um gel solúvel em água para facilitar a inserção e reduzir o desconforto
  4. Inserção da sonda: insere-se a sonda suavemente através da narina. Instrui-se o paciente a inclinar a cabeça para frente e engolir durante a inserção para ajudar a passagem da sonda pelo esôfago até o estômago ou intestino delgado, dependendo do tipo de sonda
  5. Verificação da posição: a posição correta da sonda é verificada, geralmente aspirando o conteúdo gástrico e testando seu pH ou através de um raio-X. Verificar a posição é crucial para garantir que a sonda não esteja nos pulmões
  6. Fixação da sonda: uma vez confirmada a posição correta, fixa-se a sonda no nariz com fita adesiva para evitar deslocamento.

Indicações para nutrição enteral

Indica-se a nutrição enteral para uma variedade de condições médicas, incluindo:

  • Dificuldade de deglutição: pacientes com disfagia, muitas vezes devido a condições neurológicas como acidente vascular cerebral (AVC) bem como esclerose lateral amiotrófica (ELA)
  • Estado de coma: pacientes inconscientes ou em estado vegetativo
  • Câncer de cabeça e pescoço: pacientes que passam por tratamentos agressivos que comprometem a capacidade de alimentação oral
  • Distúrbios gastrointestinais: pacientes com doenças que dificultam a absorção ou digestão de alimentos, como doença de Crohn ou síndrome do intestino curto
  • Distúrbios neurológicos: pacientes com doenças como Parkinson ou esclerose múltipla que afetam a coordenação e a deglutição.

Tipos de sondas utilizadas

Existem vários tipos de sondas usadas na nutrição enteral, dependendo da duração do tratamento e da condição do paciente:

Sonda nasogástrica (SNG)

Introduzida pelo nariz até o estômago, usada principalmente para alimentação de curto prazo (até 4 semanas).

Sonda nasoentérica

Introduzida pelo nariz até o intestino delgado, indicada quando há risco de aspiração ou quando o estômago não está funcionando adequadamente.

Gastrostomia endoscópica percutânea (PEG)

Sonda inserida diretamente no estômago por meio de um procedimento endoscópico, assim, é indicada para alimentação de longo prazo.

Jejunostomia

Sonda inserida diretamente no jejuno (parte do intestino delgado), usada quando não se pode utilizar o estômago ou a primeira parte do intestino delgado.

Benefícios da nutrição enteral

A nutrição enteral oferece inúmeros benefícios em comparação com a nutrição parenteral, que é a administração de nutrientes diretamente na corrente sanguínea.

Em primeiro lugar, ela promove a manutenção da integridade intestinal, pois estimula o uso do trato gastrointestinal e previne a atrofia da mucosa intestinal. Além disso, a nutrição enteral reduz o risco de infecções, uma vez que a utilização do trato digestivo diminui a incidência de infecções associadas ao uso de cateteres venosos.

Outro benefício significativo é a sua custo-efetividade, sendo geralmente mais econômica do que a nutrição parenteral. Por fim, a nutrição enteral apresenta menor complexidade, tornando-se mais fácil de administrar e monitorar, o que facilita o manejo pelos profissionais de saúde.

Veja também:

Referências

  • AZEVEDO, Luciano César Pontes de; TANIGUCHI, Leandro Utino; LADEIRA, José Paulo; MARTINS, Herlon Saraiva; VELASCO, Irineu Tadeu. Medicina intensiva: abordagem prática. [S.l: s.n.], 2018.

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