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Produção da série vermelha e o metabolismo do ferro | Colunistas

Produção da série vermelha e o metabolismo do ferro | Colunistas

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Imagem de perfil de Allison Diego Bezerra

O tecido sanguíneo é um líquido essencial tanto para a vida humana quanto para a vida animal. Esse tecido pode ser dividido em duas partes principais, os elementos celulares e uma matriz fluida, chamada de plasma.

Um indivíduo adulto normal possui aproximadamente 5 litros de sangue circulando pelo seu corpo, dos quais 2 litros são compostos pelas células sanguíneas e os 3 litros restantes pelo plasma.

Dessa forma, percebe-se a importância do funcionamento normal das células sanguíneas, uma vez que elas compõem 40% do conteúdo sanguíneo.

Qual o papel do ferro?

Nesse contexto, o ferro possui um papel primordial, pois possui como uma de suas principais funções atuar no metabolismo das hemoglobinas ou eritrócitos, também conhecidas como série vermelha sanguínea ou glóbulos vermelhos.

As células vermelhas possuem como principal função realizar o transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos e para os órgãos, e de dióxido de carbono dos tecidos para os pulmões. 

Produção da série vermelha

As células sanguíneas possuem uma origem em comum. Elas são todas originadas de um único tipo celular, as células troco hematopoiéticas pluripotentes.

Essas células podem ser encontradas principalmente na medula óssea, que está presente na região interior do tecido ósseo. Essa classe de células tronco é capaz de originar variados tipos de células. À medida que essas células tronco vão se especializando, novas células vão surgindo.

Primeiramente, surgem as células tronco não comprometidas, que por sua vez originam as células tronco progenitoras. São essas células progenitoras que irão originar os eritrócitos sanguíneos. 

Todo esse processo de produção de células sanguíneas recebe o nome de hematopoiese. A hematopoiese possui o seu início ainda no período embrionário, e permanece ao longo de toda a vida de um ser humano. Para que a hematopoiese permaneça com o funcionamento normal, é necessário que esse processo seja controlado. Essa tarefa de controle da hematopoiese é realizado pelas citocinas.

Basicamente, as citocinas são proteínas que influenciam no crescimento ou na atividade de outra célula. A citocina responsável por controlar a hematopoiese dos eritrócitos, também conhecida como eritropoiese, é a eritropoetina, que é produzida principalmente pelas células dos rins.

A maior estímulo para a liberação da eritropoetina é a hipóxia, ou seja, a diminuição da oxigenação dos tecidos. A hipóxia ativa o fator induzível por hipóxia 1, um fator de transcrição que é responsável por estimular o gene que produz a eritropoietina. Dessa forma, a eritropoietina estimula a produção de eritrócitos como forma de garantir a homeostasia, restabelecendo a oxigenação normal dos tecidos. 

O metabolismo do ferro na produção de eritrócitos 

A hemoglobina, um dos principais componentes dos eritrócitos, possui em sua estrutura quatro cadeias de proteínas globulares, no qual cada uma dessas cadeias possui um grupo heme contendo ferro.

A grande maioria do ferro presente no corpo humano, aproximadamente 70%, está presente nos grupos heme da hemoglobina.

Dessa maneira, para que a síntese de hemoglobina ocorra da maneira correta, é necessário que uma quantidade de ferro adequada seja ingerida na alimentação.

Onde o ferro pode ser encontrado?

O ferro pode ser encontrado principalmente nas carnes vermelha, feijões e vegetais variados.

Após ser ingerido pela dieta, o ferro é absorvido no epitélio duodenal superior do intestino, pois apresenta uma boa quantidade de vilosidades que ajudam a aumentar a superfície de absorção. Outra forma de aquisição do ferro pelo organismo humano é através da reciclagem de hemácias senescentes.

Aquisição de ferro e as hemácias

As hemácias possuem aproximadamente 120 dias de vida. Após isso, elas são chamadas de hemácias senescentes e são destruídas, principalmente no fígado e no baço. Esse processo é conhecido como hemocaterese.

Durante a hemocaterese, as moléculas de hemoglobina são quebradas, liberando as moléculas de ferro na circulação, os quais podem ser reutilizados na síntese de novas moléculas de hemoglobina. 

Uma vez livre no organismo, seja pela ingestão por meio da dieta, seja pela reabsorção após a hemocaterese, o ferro transportado pelo corpo por meio da proteína transferrina.

Uma vez que se encontra ligado à transferrina, ocorre o aumento de sua solubilidade e diminuição de sua reatividade, proporcionando um transporte seguro para as células. Quando não está sendo utilizado, o ferro permanece estocado nas células reticuloendoteliais do fígado, baço e medula óssea na forma de ferritina e hemosiderina.

Para ser utilizado na eritropoiese, o ferro é transportado pela transferrina até os eritroblastos, onde será metabolizado pelas mitocôndrias para a síntese do grupo heme das hemoglobinas. A mioferrina 1 é uma proteína transportadora que possui a função de realizar o transporte do ferro por meio da membrana mitocondrial.

O que a deficiência da proteína pode causar?

A deficiência dessa proteína dificulta a incorporação das moléculas de ferro pelas mitocôndrias, consequentemente, diminui a síntese de hemoglobinas, que em alguns casos pode resultar em anemia. 

Dessa forma, percebe-se a importância da homeostase do ferro no metabolismo humano por meio da síntese das hemoglobinas. Uma vez que a principal função desse metal é atuar na formação da série vermelha sanguínea.

Quaisquer distúrbios relacionados a concentração do ferro, seja seu excesso ou sua falta, pode ser patológico para o ser humano, pois atrapalharia diretamente a função da série vermelha sanguínea. 

Autor: Allison Diego

Instagram: @allison_diego

Referências

Grotto, H. Z. W. Metabolismo do ferro : uma revisão sobre os principais mecanismos envolvidos em sua homeostase Iron metabolism : an overview on the main mechanisms involved in its 9 homeostasis. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia 30, 2008.

SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017.

GUYTON, A.C. e Hall J.E.– Tratado de Fisiologia Médica. Editora Elsevier. 13ª ed., 2017.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto