Ciclo Clínico

Qual a diferença entre Cefaleia tensional e Migrânea? | Ligas

Qual a diferença entre Cefaleia tensional e Migrânea? | Ligas

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O que é Cefaleia Tensional?

A cefaleia tensional é a cefaleia primária mais frequente. No entanto, na menor parte dos casos os pacientes procuram atendimento médico já que a dor não é incapacitante. A cefaleia pode ser dividida de acordo com a frequência de ocorrência das crises:

1. Episódica pouco frequente: < 12 dias/ano

2. Episódica frequente: ≥12 – <180 dias/ano

3. Crônica: 15 dias por mês em média por ≥ 3 meses (≥180 dias por ano)

O que é Migrânea?

É uma cefaleia primária, geralmente incapacitante, que representa a segunda principal causa de acometimento desse grupo. A migrânea pode ser dividida em 2 subtipos principais, a migrânea com aura e a migrânea sem aura. Acomete cerca de 12% da população anualmente sendo mais frequente em mulheres do que em homens.

A cefaleia pode ser iniciada ou amplificada por vários fatores, incluindo luzes brilhantes, sons, odores ou outros estímulos, fome, estresse, esforço físico, condições meteorológicas de tempestade, altitude, flutuações hormonais durante a menstruação; falta ou excesso de sono; e álcool ou outras substâncias químicas, como nitratos.

Diferenciando os sintomas

A cefaleia tensional apesar de geralmente apresentar crises de maior duração e com mais frequência não é considerada incapacitante para realização das atividades diárias pois a dor não é severa. A dor na cefaleia tensional tende a ser bilateral e de característica opressiva, o que diferencia da forma pulsátil e unilateral da migrânea.

Sintomas da Cefaleia Tensional

Cefaleias que preencham ou seguintes critérios:

A. Com duração de 30 minutos a 7 dias

B. Pelo menos duas das quatro características a seguir:

1. localização bilateral

2. qualidade de pressão ou aperto (não pulsante)

3. intensidade leve ou moderada

4. não agravado pela atividade física de rotina, como caminhar ou subir escadas

C. Ambos os seguintes:

1. sem náusea ou vômito

2. fotofobia ou fonofobia, não mais do que um

D. Não é melhor explicado por outro diagnóstico do ICHD-3

Sintomas da Migrânea

A – Pelo menos cinco episódios cumprindo os critérios B-D

B- Ataques de cefaleia com duração de 4-72 horas (não tratados ou tratados sem sucesso)

C- Cefaleia tem pelo menos duas das seguintes quatro características:

1- Localização unilateral

2- Pulsátil

3- Dor de moderada a grave intensidade

4- Agravamento com o movimento (por exemplo, caminhar ou subir escadas)

D- Durante a cefaleia, pelo menos um dos seguintes:

1- Náusea e / ou vômito

2- Fotofobia e fonofobia

E- Não é mais bem explicado por outro diagnóstico do ICHD-3

Tratamentos

Cefaleia Tensional

A dor na cefaleia tensional apresenta boa resposta a analgésico simples, como paracetamol, ibuprofeno, AAS ou outros anti-inflamatórios não esteroidais. As abordagens comportamentais, incluindo relaxamento, também podem ser efetivas. Para a Cefaleia tensional crônica, a amitriptilina (10 a 100 mg/dia) constitui o único tratamento comprovado; outros agentes tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação de serotonina e benzodiazepínicos não demonstraram ser efetivos.

 Migrânea

Os medicamentos comumente usados para a migrânea aguda e que são Nível 1 de recomendação são: Analgésicos, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), agonistas dos receptores 5-HT (Triptanos) e antagonistas dos receptores dopaminérgicos, como a Metoclopramida.

É importante ressaltar que o esquema ideal para cada paciente vai depender de diversos fatores, cujo principal é a gravidade da crise. O tratamento deve ser individualizado, não existindo um padrão para todo os pacientes. Se a resposta não for suficiente, pode-se optar por aumentar a dose do fármaco ou associá-lo a outra classe medicamentoso Nivel 1 de recomendação. Os antagonistas dopaminérgicos não devem ser utilizados em monoterapia.

O tratamento preventivo de escolha das crises de migrânea, em indivíduos com quatro ou mais crises por mês, são os Betabloqueadores; entretanto, outras classes farmacológicas apresentam boa resposta como alguns antidepressivos, anticonvulsivantes, toxina onabotulínica tipo A e algumas muito menos usadas na prática clínica. A identificação da suscetibilidade do paciente aos fatores deflagradores pode ser útil para orientar mudanças do estilo de vida como parte do plano de tratamento.

Produzido por:

Liga: Liga Acadêmica de Neurologia e Neurociências da UFJF-GV

Autores: Pedro Henrique Oliveira Lima, Heloiza Castilhoni Belique, André Inácio Nunes

Revisor: Luana Ribeiro Silveira

Orientador: Yanes Brum Bello