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Reflexão sobre a saúde do estudante e do profissional de medicina| Colunistas

SAÚDE DO ESTUDANTE DE MEDICINA E DO PROFISSIONAL MÉDICO

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Estudantes de medicina
e médicos são conhecidos e exaltados por sua vital contribuição para a saúde da
população. No entanto, a trajetória desgastante e a rotina estressante causam
transtornos à saúde física e mental, contribuindo para uma problemática que
chegou a ceifar a vida tanto de estudantes quanto de profissionais, quando os
papéis se invertem.

Desde o período do
vestibular, a concorrência absurda e a “pressa” de passar na faculdade já
servem de gatilho para o desenvolvimento de doenças como ansiedade, síndrome do
pânico e depressão. “‘Fulano de tal’ passou de primeira numa das melhores
faculdade do país; Tá estudando muito né? É só estudar que passa; Você quer
medicina? Elimina sua vida social que aí você passa.” Em paralelo, a mídia
vangloria alunos que foram aprovados e relatam que “fora do horário que eu
comia e dormia, eu estava estudando”. Sim, essas são algumas situações que
atormentam e podem destruir o estado físico-emocional de alguém que tem em ser
médico, um dos seus maiores sonhos.

Ao passar no
vestibular, o início da vida acadêmica, com um novo método de aprendizagem,
novas matérias, colegas e professores novos, a carga horária longa, o grande
volume de conteúdo em um espaço de tempo curto e provas de diferentes modelos
são fatores estressantes.

Estudar cerca de 10
horas por dia, não pode ter nenhuma dificuldade, tem que ter nota alta. Quando
sai de casa, o assunto é aquele no qual você quer menos ouvir falar, de tão
cansada que está sua mente.

– Tá amando a faculdade? Depois de tanta luta
pra passar tem que amar né?

– Tô amando!

– E tá feliz?

– Tô feliz! (?)

A imersão na faculdade
de medicina muitas vezes faz esta parecer ser a única fonte de felicidade e
realização da vida do estudante, quando, na verdade, é apenas um aspecto dentre
tantas dimensões sociais, físicas, psicológicas e profissionais da vida.

Na formatura, há quem
acredite que o diploma é a solução para todos os seus problemas. ALERTA DE
SPOILER: não é. As incertezas sobre o futuro, escolha sobre fazer uma
residência e qual gostaria de fazer, a maior autonomia de ter um carimbo e se
responsabilizar pela vida de outro indivíduo, a rotina de trabalho e plantões,
a competição no meio médico e a falta de infraestrutura de alguns locais de
trabalho são questões que exaurem o bem estar físico e mental dos
profissionais.

Essa trajetória é comum
e a ameaça à integridade física, psicológica e social se tornam um problema de
saúde. Afinal, como pessoas que precisam tanto de cuidado conseguem transcender
essa necessidade, em prol de assistir outro ser humano com toda sensibilidade e
cuidado?

É pertinente refletir
acerca dessa problemática que desrespeita não somente o conceito de saúde da
OMS de “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente
ausência de afecções e enfermidades”, como também o de qualidade de vida sendo
“a percepção do indivíduo de sua inserção na vida, no contexto da cultura e
sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos,
expectativas, padrões e preocupações”.

Esse impacto leva o indivíduo a tomar medidas
drásticas numa tentativa desesperada de tornar menos exaustivo o cotidiano. O
aumento alarmante da utilização de anestésicos, da ritalina e do fenômeno do suicídio
faz necessária a reflexão: a opressão midiática e social sobre o estudante e o
médico, os desumanizam.

O médico e o estudante não podem se ver, nem serem
vistos, como máquinas. Assim como qualquer outra profissão, existe um indivíduo
por trás do jaleco que precisa dormir, comer, ter momentos de lazer, estar com
a família, sair com os amigos, namorar, e, o mais importante: ser feliz. E se,
ao ler isso, for difícil identificar pessoas desse meio que conseguem ter essa
qualidade de vida, qualquer semelhança não é mera coincidência.

No fim das contas, são apenas pessoas, que cuidam
de outras, mas que também precisam ser cuidadas. Pessoas que também têm
sentimentos, frustrações, sonhos, que choram, sofrem, brigam, que têm filhos para
cuidar, que têm questões pessoais para processar, que necessitam de carinho,
afeto, compaixão e empatia.

Por isso, vá à academia, à terapia, ao cinema,
ao shopping, àquele encontro de família que você sempre falta por causa dos
estudos ou do desgaste do trabalho. Vá praticar sua religião. Vá tomar um café
com seus avós, vá passar um tempo com seus pais, saia com seus amigos. E não se
culpe por nada disso. Você não está fazendo nada de errado. Está apenas
cuidando da sua própria saúde. Você merece.

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