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Raciocínio neurológico não é coisa de especialista

Raciocínio neurológico não é coisa de especialista

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Não são poucas as pessoas que sentem um arrepio quando ouvem “raciocínio neurológico“. O grande estigma ao redor da neuroanatomia e da neurologia em geral acabam fazendo com que o sufixo “neuro” seja causa de pânico. A neurofobia existe e deve ser trabalhada! Afinal de contas, o sistema neurológico do paciente pode não esperar a opinião do neurologista. O raciocínio neurológico tem que ser familiar para todo médico generalista.

Então, como trabalhar os conhecimentos da semiologia neurológica para que o “neurorraciocínio” clínico fique menos assustador?

Primeiro passo

O primeiro passo, naturalmente, é ter os conhecimentos básicos da Semiologia. – Como fazer uma boa anamnese? – Como realizar (e descrever) um bom exame clínico? – Como abordar o paciente e traduzir as queixas no prontuário? Até o momento, nenhum desses conhecimentos dependem de envolvimento direto com a neuro. E, como comentado nesse post, há formas e formas de estudar bem a Semiologia. Os livros-textos de referência são ótimas fontes de conteúdo, mas podem – e devem! – ser complementados. Dê uma conferida nele para ficar mais por dentro dos estudos dessa matéria!

Segundo passo

O segundo passo consiste em formar uma boa noção da neuroanatomia. Não, essa não é uma tarefa fácil. Mas, sim, extremamente necessária. O raciocínio em cima de sintomas neurológicos depende de conhecimentos básicos anatômicos, da mesma forma que o raciocínio sobre sintomas respiratórios ou cardiovasculares. A melhor forma de desvendar a anatomia do sistema nervoso é usar um livro de referência cuja leitura seja agradável para correlacionar a fisiologia com a anatomia. Isso e muitas imagens! A visualização é fundamental. Uma referência renomada em neuroanatomia é o Neuroanatomia funcional, do renomado neuroanatomista brasileiro, Ângelo Machado.

Terceiro passo

O terceiro passo, por fim, chega ao epicentro do “problema”: construir o raciocínio neurológico em si, o qual tem sua própria estrutura básica. Ela consiste na determinação de 4 tipos de diagnósticos, frente a um caso clínico.

A lógica funciona como um funil – você começa por pensamentos mais abrangentes e segue até o diagnóstico etiológico final. De forma mais explícita: primeiro determina-se o diagnóstico sindrômico. Ou seja, que síndrome neurológica aqueles sinais e sintomas sugerem (síndrome do neurônio motor superior, do inferior e afins). Em seguida, determina-se o diagnóstico topográfico – em que local se localiza a lesão? O diagnóstico nosológico, então, determina o grupo de causas que leva àquela apresentação. Por fim, o diagnóstico etiológico determina “A” causa mais provável daquele caso.

Pensando em te ajudar a construir esse raciocínio, a Sanar preparou um super livro cujo título é bem direto ao ponto: O Raciocínio Neurológico. Ele delineia esses 4 tipos de diagnósticos com base em vários casos clínicos comentados. Confira-o aqui!

Um quarto passo que pode ter uma menção honrosa é bem simples: exercitar! Usar todos os materiais ao seu dispor para consolidar os conhecimentos e habilidades do raciocínio neurológico.

Bons estudos!