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Resfriado, síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (srag): classificação de risco e manejo do paciente | Colunistas

Resfriado, síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (srag): classificação de risco e manejo do paciente | Colunistas

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Imagem de perfil de Júlia Mendonça

Conceito e sintomatologia

Você sabe diferenciar um simples resfriado de uma gripe? E gripe de SRAG? Parece simples, mas muitos estudantes de medicina ficam em dúvida na hora de fazer sua hipótese diagnóstica, ainda mais em crianças. Então, antes de falar sobre manejo de paciente, veja a tabela abaixo com os agentes etiológicos e quadro clínico das respectivas doenças:

 Local de infecçãoAgente etiológicoQuadro ClínicoTransmissão
ResfriadoTrato respiratório superior (nariz e garganta)    Quase que exclusivamente causada por vírus, sendo os mais frequentes os rinovírus, coronavírus, vírus respiratório sincicial (VRS), parainfluenza, influenza, coxsackie e adenovírusQuadro respiratório alto, sintomas sistêmicos leves. Rinorreia e obstrução nasal, irritação na garganta.Por meio de gotículas produzidas pela tosse ou espirro, ou pelo contato de mãos contaminadas
GripeTrato respiratório superiorVírus InfluenzaFebre alta, calafrios, dor de garganta, cefaleia, coriza nasal, tosse e/ou espirros, fraqueza, mialgia, e por vezes, diarreiaDe pessoa para pessoa através de gotículas (tosse/espirro) ou contato direto com objetos contaminados recentemente por secreções nasofaríngeas
Fonte: tabela de propria autoria  

Podemos observar que a diferença entre as três doenças se faz por meio dos sintomas apresentados pelo paciente.

Em caso de resfriado, vimos que são de pouca ou nenhuma gravidade, e também o mais frequente, de alta sazonalidade (maior ocorrência no inverno) e autolimitado (não existe um tratamento específico, apenas sintomático). Seus primeiros sinais costumam ser prurido nasal ou irritação na garganta, os quais são seguidos após algumas horas por espirros e secreções nasais. A congestão nasal também é comum nos resfriados, porém, ao contrário da gripe, a maioria dos adultos e crianças não apresenta febre ou apenas febre baixa.

Na gripe, porém, a doença pode se apresentar desde uma forma subclínica até uma doença complicada em crianças, afetando múltiplos órgãos – além de manifestações respiratórias. Infecções por vírus influenza são mais graves em crianças menores de 2 anos de idade, em decorrência da falta de imunidade e provavelmente do pequeno calibre das vias aéreas.  Sintomas gastrointestinais podem ocorrer, incluindo vômitos, dor abdominal, diarreia. Crianças maiores e adultos jovens apresentam mais frequentemente um quadro com início abrupto, com febre alta, calafrios, cefaléia, dor de garganta, mialgia, fadiga, anorexia e tosse seca.  Em geral, os sintomas da gripe (exceto a tosse, a fadiga e o mal-estar) desaparecem em uma semana, mas podem surgir complicações, como sinusite, otite, piora de comorbidades crônicas (p. ex., asma, insuficiência cardíaca, diabetes) e pneumonia bacteriana ou por outros vírus.

 

Síndrome Gripal x SRAG

Classificamos, na ausência de outro diagnóstico específico, como síndrome gripal o paciente com febre de início súbito, mesmo que referida, acompanhada de tosse ou dor de garganta, e pelo menos um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia.

OBS: em crianças menores de 2 anos de idade consideramos, na ausência de outro diagnóstico específico, febre de início súbito, mesmo que referida, e sintomas respiratórios: tosse, coriza e obstrução nasal.

Após a coleta dos sintomas na anamnese, é preciso observar: o paciente tem sinais de gravidade? São eles: dispneia, desconforto respiratório, saturação de O2 menor que 95% ou exacerbação de doença preexistente. Se não, o diagnóstico é síndrome gripal. O tratamento dependerá se o paciente possui fator de risco ou piora em seu estado clínico.

   •Grávidas em qualquer idade gestacional, puérperas até duas semanas após o parto (incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal);

•Indivíduos que apresentem:

– Pneumopatias (incluindo asma);

– Cardiovasculopatias (excluindo hipertensão arterial sistêmica);

– Nefropatias;

– Hepatopatias;

– Doenças hematológicas (incluindo anemia falciforme);

•Distúrbios metabólicos (incluindo diabetes mellitus descompensado);

– Transtornos neurológicos que podem comprometer a função respiratória ou aumentar o risco de aspiração (disfunção cognitiva, lesões medulares, epilepsia, paralisia cerebral, síndrome de Down, atraso de desenvolvimento, acidente vascular cerebral (AVC) ou doenças neuromusculares);

– Imunossupressão (incluindo medicamentosa ou pelo vírus da imunodeficiência humana);

  • Obesidade.

•Indivíduos menores de 19 anos de idade em uso prolongado de ácido acetilsalicílico (risco de síndrome de Reye);

•Adultos ≥ 60 anos;

•Crianças < 2 anos;

• População indígena.

•Persistência ou aumento da febre por mais de três dias (pode indicar pneumonite primária pelo vírus influenza ou secundária a uma infecção bacteriana);

• Exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica;

• Exacerbação de doença cardíaca preexistente;

• Miosite comprovada por exames laboratoriais;

• Alteração do sensório;

• Exacerbação dos sintomas gastrointestinais em crianças;

• Desidratação;

• Alterações na radiografia de tórax e na tomografia:

– Infiltrado intersticial localizado ou

– Infiltrado difuso ou

– presença de área de condensação;

  • Alterações no hemograma: leucocitose ou leucopenia ou neutrofilia.

Em caso negativo: tratamento sintomático e aumento de ingestão de líquidos.

No entanto, se o paciente mostrar sinais de gravidade, classifica-se como síndrome respiratória aguda grave.

Paciente com indicação para internação em UTI

Em casos do paciente com SRAG apresentar alteração do nível de consciência, choque, disfunção de órgãos vitais, insuficiência respiratória ou instabilidade hemodinâmica, elevação significativa de desidrogenase láctica (DHL); elevação significativa de creatinofosfoquinase (CPK) o acompanhamento deve ser feito no leito de terapia intensiva, com tratamento com oseltamivir, antibioticoterapia, hidratação venosa e exames complementares, incluindo exames de imagem (mesmo em gestantes).

Fonte: Sanar Yellowbook  

Vacinação

A principal intervenção preventiva em saúde pública para a influenza é a vacinação.

A campanha anual de vacinação, realizada entre os meses de abril e maio, contribui para a prevenção da gripe nos grupos imunizados, além de apresentar impacto na redução das internações hospitalares, de mortalidade evitável e de gastos com medicamentos para tratamento de infecções secundárias.

Segundo determinações do Ministério da Saúde e do Programa Nacional de Imunização, os grupos prioritários para vacinação são:

1) Crianças na faixa etária de 6 meses a 6 anos.

2) Gestantes, independentemente da idade gestacional.

3) Puérperas até 45 dias após o parto (incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal). Deverão apresentar qualquer documento durante o período de vacinação (certidão de nascimento da criança, cartão da gestante, documento do hospital onde ocorreu o parto, etc.).

4) Indivíduos com 60 anos e mais de idade.

5) Indígenas.

6) Trabalhadores das unidades que fazem atendimento para influenza, independentemente da categoria profissional.

7) Pessoas portadoras de doenças crônicas conforme listagem definida pelo Ministério da Saúde em conjunto com sociedade científica, mediante prescrição médica.

8)População privada de liberdade.

Fonte: Governo de Minas, Orientações sobre casos de síndrome gripal e SRAG com ênfase em Influenza

Todos os casos de SRAG e surtos de SG devem ser notificados imediatamente à Secretaria Municipal de Saúde ou à Secretaria de Estado de Saúde.

Autora: Júlia Mendonça

Instagram: @Med.facilitada

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências utilizadas:

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/cartazes/sindrome_gripal_classificacao_risco_manejo.pdf

https://www.hc.ufu.br/sites/default/files/tmp//ptrotocoloinfluenzaresumido_0.pdf

http://189.28.128.100/sivep-gripe/Ficha_SIVEP_GRIPE_SRAG_Hospital_31_03_2020.pdf