Definição
Bloqueadores dos canais de cálcio ou antagonistas do cálcio são um grupo de fármacos utilizados para o tratamento de alguns tipos de doenças de condição cardiovascular.
Categorias
São divididos em duas categorias principais com base em seus efeitos fisiológicos predominantes: as diidropiridinas, que são predominantemente vasodilatadores e geralmente têm efeitos cronotrópicos e inotrópicos limitados, e os não dihidropiridinas, que são vasodilatadores menos potentes e também retardam a contratilidade e a condução cardíaca.[3]
| Diidropiridinas | Não- Diidropiridinas |
| São vasodilatadores potentes que têm pouco ou nenhum efeito clínico negativo sobre a contratilidade ou condução cardíaca; Normalmente usados para tratar hipertensão ou angina estável crônica; Esses agentes de ação mais longa são geralmente mais seguros e cada vez mais preferidos. Exemplos: nifedipina , isradipina , felodipina , nicardipina , nisoldipina , lacidipina, amlodipina e levamlodipina |
São vasodilatadores menos potentes em comparação com as diidropiridinas, mas têm um maior efeito depressivo na condução e contratilidade cardíaca;
Normalmente usados no tratamento da hipertensão, angina estável crônica, arritmias cardíacas ou para redução da proteinúria; Exemplos: verapamil e diltiazem |
Fisiopatologia
A concentração intracelular de cálcio tem um papel importante na manutenção do tônus da musculatura lisa e na contração do miocárdio. O cálcio entra nas células musculares através de canais de cálcio voltagem-sensíveis e isso dispara a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático e da mitocôndria, aumentando adicionalmente o nível de cálcio citosólico. [5,6]
Os BCC agem bloqueando a entrada de cálcio por se ligarem aos canais de cálcio do tipo L no coração e nos músculos lisos dos vasos coronarianos e arteriais periféricos. Isso causa o relaxamento do músculo liso vascular, dilatando principalmente as arteríolas. Sendo importante ressaltar que os BCCs não dilatam as veias.[5,6]

Na Figura 1 é possível observar as principais localizações dos canais de cálcio tipos L e T. Além de notar que no coração há predominância do canal L no miocárdio, enquanto o canal T está presente quase que exclusivamente no sistema de condução. Quanto aos vasos sanguíneos, há a presença dos canais L e T no lado arterial e preponderância do canal T no lado venoso.[4]
Farmacocinética
A maioria dos BCC apresenta meia-vida curta após uma dose oral. Preparações de liberação sustentada estão disponíveis e permitem dosificação única por dia. O Anlodipino possui uma meia-vida muito longa e não requer formulação de liberação estendida.[4,5,6]

Efeitos adversos
Bloqueio atrioventricular de primeiro grau e constipação são efeitos adversos dose-dependentes do verapamil. Verapamil e diltiazem devem ser evitados em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva ou com bloqueio atrioventricular, devido aos efeitos inotrópicos (força de contração do músculo cardíaco) e dromotrópicos (velocidade de condução) negativos. Ambos os fármacos podem aumentar a concentração de digoxina sérica, embora a magnitude desse efeito seja variável; em pacientes com fibrilação atrial pode haver uma excessiva lentificação da resposta ventricular. [3]
Tontura, cefaléia e sensação de fadiga causada pela redução da pressão arterial e edema periférico ocorrem mais frequentemente com di-hidropiridinas.[3]

Mecanismo de ação
Os principais efeitos eletrofisiológicos resultantes do bloqueio do canal de cálcio cardíaco, ocorrem em tecidos nodais. As di-hidropiridinas, como o nifedipino, comumente usadas na angina e na hipertensão, bloqueiam preferencialmente os canais de cálcio do músculo liso vascular. Seus efeitos eletrofisiológicos cardíacos, como a aceleração da frequência cardíaca, resultam principalmente da ativação do reflexo simpático, secundária à vasodilatação periférica. [1,2,10]
Nas doses utilizadas clinicamente, apenas o verapamil, o diltiazem e o bepridil bloqueiam os canais de cálcio das células cardíacas. Esses fármacos em geral reduzem a frequência cardíaca, embora a hipotensão, quando notável, possa causar ativação simpática reflexa e taquicardia. A velocidade da condução nodal AV diminui, de modo que o intervalo PR aumenta. O bloqueio do nodo AV ocorre em consequência da condução decrescente, bem como da maior refratariedade do nodo AV. Os últimos efeitos formam a base das ações antiarrítmicas dos bloqueadores de canal de cálcio nas arritmias reentrantes, cujo circuito envolve o nodo AV.[10]
Outra indicação importante para o tratamento antiarrítmico é a redução da frequência ventricular no flutter ou na fibrilação atrial. Formas raras de taquicardia ventricular parecem ser mediadas por PDT e respondem ao verapamil. O uso parenteral de verapamil e diltiazem é aprovado para a conversão rápida da TSVP (taquicardia supraventricular paroxística) ao ritmo sinusal e para o controle temporário da frequência ventricular rápida no flutter ou na fibrilação atrial. O verapamil oral pode ser usado em conjunto com a digoxina para controlar a frequência ventricular nas formas crônicas de flutter ou fibrilação atrial, e na profilaxia da TSVP recorrente. Diferentemente dos antagonistas do receptor β-adrenérgico, os bloqueadores do canal de cálcio não se mostraram capazes de reduzir a mortalidade após infarto do miocárdio.[1,2,10]

Além disso, os bloqueadores dos canais de cálcio também têm as vantagens teóricas de se opor à contração muscular no músculo liso traqueobrônquico, inibindo a degranulação dos mastócitos e, possivelmente, reforçando o efeito broncodilatador dos beta-agonistas. A nifedipina, por exemplo, pode antagonizar os efeitos broncoconstritores do antígeno, histamina ou desafio de ar frio. Embora alguns estudos tenham mostrado uma leve melhora na função das vias aéreas, a maioria dos estudos não demonstrou efeito dos antagonistas do cálcio na asma.[7,8,9]
Autora: Gisele Nizolli
Instagram: @ginizolli
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Referências:
- Whelton PK, Carey RM, Aronow WS, et al. 2017 ACC / AHA / AAPA / ABC / ACPM / AGS / APhA / ASH / ASPC / NMA / PCNA Diretriz para a prevenção, detecção, avaliação e controle da hipertensão em adultos: um relatório do American College of Cardiology / American Força-Tarefa da Associação Cardíaca sobre Diretrizes de Prática Clínica. Hipertensão 2018; 71: e13.
- Furberg CD, Psaty BM, Meyer JV. Nifedipina. Aumento da mortalidade relacionado à dose em pacientes com doença coronariana. Circulation 1995; 92: 1326.
- Michael J Bloch, MD et al. Principais efeitos colaterais e segurança dos bloqueadores dos canais de cálcio. UpToDate,2021. https://www.uptodate.com/contents/image/print?imageKey=NEPH%2F52312&topicKey=NEPH%2F3832&search=Bloqueadores%20dos%20Canais%20de%20C%C3%A1lcio%20&rank=2~144&source=see_link
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- Hilal-Dandan, R., & Brunton, L. (2015). Manual de Farmacologia e Terapêutica de Goodman & Gilman (2ª edição). Grupo A.
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- Christopher Madias, MD. Bloqueadores dos canais de cálcio no tratamento de arritmias cardíacas. UpToDate,2021.