Ginecologia

Resumo de gonorreia | Ligas

Resumo de gonorreia | Ligas

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Definição

 A gonorreia ou uretrite gonocócica é uma doença infecciosa do trato genital que tem como agente etiológico a bactéria Neisseria gonorrhoeae, um diplococo Gram-negativo, que infecta especialmente a uretra, canal que liga a bexiga ao meio externo.¹

É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), a partir do sexo vaginal, anal e oral, e afeta as membranas mucosas do trato genital inferior e, com menos frequência, as do reto, orofaringe e conjuntiva. Nas mulheres, a infecção gonocócica pode levar a Moléstia Inflamatória Pélvica (MIPA), que tem como consequências a infertilidade de causa tubária, gestação ectópica e dor pélvica crônica. É uma das causas mais comuns de infertilidade feminina.²

Epidemiologia

gonorreia é uma das IST’s mais comuns no mundo, estimando-se cerca de 25 milhões de novas infecções por ano, segundo dados da OMS.

A faixa etária mais afetada dispõe-se entre 15 e 30 anos, sendo a maioria homens entre 20 e 24 anos. Algumas literaturas embasam esses dados na provável facilidade diagnóstica desse gênero, já que cerca de 70% das mulheres infectadas são assintomáticas.

Alguns estudos epidemiológicos evidenciam que a infecção pela Neisseria gonorrhoeae facilita a transmissão do HIV.¹

Fisiopatologia

A bactéria tem a capacidade de infectar o epitélio colunar ou de transição (uretra, reto, endocérvice, faringe, conjuntiva), podendo se propagar pela via hematogênica, por contiguidade ou carregada pelo espermatozoide. O período de incubação é de 4 a 7 dias no homem e variével na mulher. Pode ser transmitida por via vertical, através do parto, trazendo como consequências ao recém nascido o comprometimento oftalmológico (oftalmia neonatal).²

Quadro clínico     

É distinto entre homens e mulheres. Normalmente nos homens apresenta-se como corrimento de origem uretral, inicialmente mucoide, evoluindo para mais abundante e purulento. Pode existir associação com disúria, prurido que se estende da fossa navicular por toda a uretra, febre e sinais de infecções sistêmicas. Quando não tratada, se propaga por toda a uretra, levando ao surgimento de sintomas como polaciúria, sensação de peso no períneo ou hematúria no final da micção.

As mulheres, em sua maioria, são assintomáticas e, na presença do corrimento, esse se origina na endocérvice. A infecção aparente manifesta-se a partir da cervicite associada ao corrimento vaginal, dispareunia e disúria, ou progredir para às trompas e ao endométrio, causando a MIPA.4  

Os sintomas relacionados ao reto incluem obstrução do canal anal, prurido, sangramento e secreção mucoide. Os sintomas referentes a faringite gonocócica incluem dor e alterações da fala. A bactéria pode, ainda, originar a infecção gonocócica disseminada, que leva a sua disseminação na corrente sanguínea. Nesse caso, causa a artrite séptica gonocócica, caracterizada por dor e inchaço em grandes articulações, como pulsos, cotovelos, joelhos e tornozelos. Esses casos acontecem com menos frequência.

É importante salientar que pessoas assintomáticas estão vulneráveis a complicações e transmissão inconsciente ao parceiro.

Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clinico, podendo contar com a complementação laboratorial com a cultura e pesquisa da bactéria na secreção purulenta. A investigação do histórico do paciente e da sua atividade sexual são informações importantes para a confirmação do diagnóstico.

Tratamento

O tratamento da gonorreia é simples e disponibilizado pela rede pública. Por tratar-se de uma IST o tratamento do parceiro é imprescindível. É importante orientar a suspensão da atividade sexual até o término do tratamento e erradicação dos sintomas.²,3

 A combinação de antibióticos é a melhor escolha terapêutica. Devido a dificuldade prática da confirmação diagnóstica, recomenda-se o tratamento concomitante para a infecção pela clamídia  com ciprofloxacino 500 mg, via oral, dose única, associado a azitromicina 1g, via oral, dose única. Outro esquema terapêutico recomendado é a ceftriaxona 500 mg, intramuscular, dose única, associado a azitromicina 1g, via oral, dose única. O critério de cura estabelecido é o resultado de cultura negativo 7 a 10 dias após a realização do tratamento.

Para a oftalmia neonatal, os neonatos recebem tratamento tópico com colírio logo após o nascimento. Na presença de sinais infecciosos o RN deve ser hospitalizado para antibiótico terapia a fim de evitar lesão da córnea e cegueira.1,4

 

Prevenção

A relação sexual protegida com preservativos é a principal forma de prevenção, sejam elas com ou sem penetração (inclusive para a prática de sexo oral).  A educação sexual é importante na promoção do sexo seguro, na melhorar da capacidade das pessoas de reconhecerem os sintomas e aumenta a probabilidade de procurar atendimento.³

Autores, revisores e orientadores:

Autor(a) : Lara Stefany Dantas Couto – @_coutolara

Revisor(a): Carolina Brabec Barreto Matos – @carolbrabec

Orientador(a): Talitha Alves  – @dratalithaalves

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