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Resumo de Obesidade: Tratamento Clínico (Perda Ponderal), epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento | Colunistas

Resumo de Obesidade: Tratamento Clínico (Perda Ponderal), epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento | Colunistas

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Isadora Campos

6 min há 135 dias

A obesidade é algo preocupante na sociedade atual e que pode trazer grandes malefícios ao indivíduo e à saúde pública. 

Definição

A obesidade é definida com um acúmulo de gordura corporal em extensão, sendo assim algo prejudicial à saúde da pessoa. Esse acúmulo de gordura causa danos à saúde, associados a dificuldades respiratórias, complicações dermatológicas e distúrbios no aparelho locomotor, em situações mais graves podem acarretar enfermidades como dislipidemias, doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, certos tipos de câncer, colelitíase, fígado gorduroso, cirrose, osteoartrite, distúrbios reprodutivos em ambos os sexos e distúrbios psicológicos. No entanto, consequências graves podem variar de acordo com o grau de obesidade do indivíduo.

A obesidade compõe o grupo de Doenças Crônicas Não transmissíveis (DCNT), na qual podem ser caracterizadas, por ter início gradual, ter um prognóstico incerto, apresentam também curso clínico indefinido, e podem gerar incapacidades. Diante disso, para que se identifique a obesidade é necessário saber o Índice de Massa Corpórea (IMC), que em adultos independentemente do sexo, podem ser classificados como obesos os que possuem IMC igual ou superior a 30kg/m². 

Epidemiologia da obesidade 

A obesidade é um grave problema de saúde pública para se enfrentar na atualidade. Levando em consideração a evolução da sociedade, fatores genéticos e ambientais, os seres humanos estão cada dia mais não se preocupando com a saúde.  Diante disso, sabe-se que no Brasil houve taxa de crescimento entre os adultos de 25 a 34 anos (84,2%) e de 35 a 44 anos (81,1%). Ademais, tem-se atualmente no país, 20,7% de mulheres com sobrepeso e 18,7% de homens.

Fisiopatologia

A fisiopatologia da obesidade se refere ao papel endócrino do tecido adiposo, onde é armazenada a energia. Quando um indivíduo ingere as calorias diárias, e excede o gasto, o excedente é transformado em triglicérides e armazenado nos adipócitos. Diante disso, no adulto, o número de adipócitos é constante, com isso o ganho de peso é através do aumento de volume das células adiposas. Desse modo, quanto maior o volume de tecido adiposo, maiores os níveis plasmáticos de leptina. Essa leptina liga-se aos receptores no hipotálamo, induzindo à saciedade e fazendo aumentar os gastos de calorias. Já nos obesos, os níveis de leptina são altos, formando uma resistência hipotalâmica.  Em consequência disso, tem-se o acúmulo de gordura nos órgãos intra-abdominais, que também estão relacionados à resistência insulínica e a dislipidemia, causando assim a obesidade. 

Infelizmente, há diversos fatores que predispõem um indivíduo a ter obesidade, no qual variam em desreguladores endócrinos, microbioma intestinal, ciclos de sono/vigília, fatores genéticos e fatores ambientais. 

Diagnóstico da obesidade

Para se obter o diagnóstico inicial de obesidade, faz-se uso da medição do índice de massa corpórea (IMC), medida da circunferência abdominal e uma análise da composição corporal.

A circunferência da cintura pode variar de acordo com o sexo e grupo étnico, mas elas podem ser grandes indicadores de complicações metabólicas. 

Homens brancos: > 93 cm (> 36.6 in), particularmente > 101 cm (> 39.8 in)

Mulheres brancas: > 79 cm (> 31.1 in), particularmente > 87 cm (> 34.2 in)

Homens asiáticos: > 78 cm (> 30.7 in), particularmente > 90 cm (> 35.4 in)

Mulheres asiáticas: > 72 cm (> 28.3 in), particularmente > 80 cm (> 31.5 in)

O índice de massa corpórea segue a seguinte referência abaixo:

Figura 1: Tabela usada como guia de referência de IMC. 
Fonte : https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-nutricionais/obesidade-e-s%C3%ADndrome-metab%C3%B3lica/obesidade

Ademais, para obtenção do diagnóstico de obesidade, a análise da composição corporal é um fator importante. A composição corporal se caracteriza pela porcentagem de gordura corporal e muscular, ela pode ser estimada pela medida da espessura da prega cutânea e pela determinação da circunferência da parte média do membro superior. 

Deve-se atentar que se a obesidade não for diagnosticada e tratada, o prognóstico será muito ruim. Fazendo a obesidade progredir e gerar quantidade absoluta de gordura, massa muscular absoluta e distribuição da gordura. 

Tratamento da obesidade 

O tratamento da obesidade se baseia na perda de peso, que pode ser alcançada a partir de tratamento dietético, atividade física, intervenções comportamentais, fármacos, cirurgia bariátrica. O tratamento com fármacos tem como exemplos os fentermina, orlistate, lorcaserina, fentermina/topiramato naltrexona/bupropiona de liberação prolongada, liraglutida. Esses agentes farmacológicos vão ajudar o paciente a ter mudanças comportamentais e nutricionais, e consequentemente a perda de peso. Mas para que se tenha resultados saudáveis é necessário que o medicamento seja ideal para o paciente e não tenha efeitos colaterais negativos.

A perda ponderal melhora a saúde geral de até 5 a 10%, e consequentemente diminui os riscos de hipertensão, dislipidemia, resistência à insulina, e outras complicações cardiovasculares. Ademais, tem outros efeitos positivos, como a diminuição de gordura no fígado, a infertilidade, depressão e a apneia obstrutiva do sono.

Para que haja realmente um efeito positivo na vida do paciente, é necessário um suporte, dieta balanceada, uma rotina de exercícios físicos, monitoramento do estresse, e mais importante é o autocontrole.

Autor(a) : Isadora Campos de Oliveira – @isacampos6

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

RIZZOLO, A. O. P. Uma abordagem epidemiológica da obesidade: Rev. Nutr., Campinas, 17(4):523-533, out./dez., 2004. acesso em 02 jun. 2021. https://www.scielo.br/j/rn/a/yb5FgzvgCVPZVsxtsNp384t/?lang=pt

YOUDIM, A. Obesidade. Manual MSD, 2018. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-nutricionais/obesidade-e-s%C3%ADndrome-metab%C3%B3lica/obesidade. Acesso em: 02, jun de 2021

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