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Resumo de Resfriados e Infecções de Vias Aéreas Superiores (IVAS) mais comuns em Medicina da Família e Comunidade | Colunistas

Resumo de Resfriados e Infecções de Vias Aéreas Superiores (IVAS) mais comuns em Medicina da Família e Comunidade | Colunistas

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RINITE ALÉRGICA

Definição

Inflamação da mucosa nasal, mediada por IgE que ocorre após a exposição à alérgenos, como poeira, ácaro, fungos, epitélio, pólen, barata).

Epidemiologia

Acomete de 10 a 30% da população em geral.

Fisiopatologia

Inflamação crônica de vias aéreas e pele, aumento de IgE, ativação de mastócitos.

Quadro clínico

Obstrução nasal, coriza, espirros, prurido nasal, que podem estar associados à prurido ocular e tosse. A mucosa fica congesta e pálida, as conhas nasais hiperplásicas e com secreção hialina. A movimentação de fricção do nariz para cima e para baixo dá origem à prega nasal.

Diagnóstico

É clínico: sintomas característicos, história familiar positiva, sazonalidade, associação com dermatite ou eczema atópico. Os testes alérgicos só devem ser realizados quando o paciente não responde ao tratamento empírico.

Tratamento

Medidas de controle ambiental, uso de medicamentos antihistamínicos oral, tópico ou corticoide tópico dependendo da gravidade e frequência dos sintomas.

RESFRIADO COMUM (RINOFARINGITE AGUDA)

Definição

Infecção da via aérea superior causada por vírus (+de 200 tipos), sendo os mais prevalentes Rinovírus, Parainfluenza e Vírus Sincicial Respiratório. A complicação pode levar a instalação de infecção bacteriana secundária, sinusite, otite média aguda e pneumonia. Transmissão: por meio de gotículas produzidas pela tosse e espirros; pelo contato de mãos contaminadas com a via aérea e cavidade oral. Período de incubação: varia de dois a cinco dias. O resfriado comum dura em média sete dias.

Epidemiologia

As crianças apresentam em média seis a oito resfriados por ano, durante os primeiros cinco anos de vida. A incidência da doença diminui com a idade.

Fisiopatologia

Inflamação aguda de vias aéreas.

Quadro clínico

Rinorreia serosa, dor de garganta, obstrução nasal, espirros e tosse. Algumas manifestações mais acentuadas: febre alta, cefaleia, mal-estar e inapetência. O aspecto da secreção nasal pode se modificar até tornar-se purulento. A persistência da rinorreia mucopurulenta por mais de 10 a 14 dias sugere infecção bacteriana secundária, rinite bacteriana ou rinossinusite aguda e, nesses casos, a antibioticoterapia está indicada. A faringe apresenta-se difusamente hiperemiada e os tímpanos podem estar congestos nos primeiros dois a três dias.

Diagnóstico

É essencialmente clínico. Diagnóstico diferencial: Gripe causada pelo vírus Influenza, caracterizada por início súbito dos sintomas como febre alta, fadiga e mialgia. Doenças que apresentam rinorreia como manifestação importante, como por exemplo, o sarampo, que na fase inicial pode ser indistinguível de um resfriado comum.

Tratamento

Tratamento sintomático: Febre: uso de antitérmico. Obstrução nasal: Soro fisiológico 0,9% nas narinas (principalmente antes das mamadas e de dormir). Vasoconstritores tópicos (agentes adrenérgicos): devem ser usados com cautela em crianças maiores de dois anos de idade e no máximo por cinco dias; em lactentes estão contraindicados devido ao risco de efeitos colaterais (bradicardia, hipotensão, coma). Tosse: em caso de broncoespasmo associado, a prescrição de broncodilatadores está autorizada.

RINOSSINUSITE AGUDA

Definição

Nomeia doenças em continuidade e indica um processo inflamatório da mucosa de

revestimento do nariz e seios paranasais.

Epidemiologia

Em 80% dos casos, a rinossinusite ocorre após IVAS de etiologia viral ou em consequência de anomalias anatômicas ou alergias. Há decréscimo na prevalência da rinossinusite após seis a oito anos de idade devido à maturação do sistema imune da criança.

Fisiopatologia

A sinusite bacteriana aguda geralmente acompanha uma infecção viral do trato respiratório superior. As bactérias da nasofaringe que, de modo normal, penetram nos seios são prontamente eliminadas, mas, durante uma rinossinusite viral, a inflamação e o edema podem bloquear a drenagem do seio e prejudicar a eliminação das bactérias pelo mecanismo mucociliar. As condições de crescimento são favoráveis e altas concentrações de bactérias são produzidas.

Quadro clínico

Podem estar presentes: rinorreia, tosse, febre, obstrução nasal. Podem ocorrer: halitose, cefaleia e dor facial – estas últimas são mais frequentes em maiores de cinco a seis anos de idade. Se os sintomas pioram em cinco dias ou persistem por mais de 10 dias, aumenta a chance de se tratar de rinossinusite bacteriana. À rinoscopia é provável identificar mucosa hiperemiada com rinorreia amarelada até francamente purulenta e com viscosidade variável. Também podem ocorrer: drenagem pós-nasal, pus no meato médio e edema da mucosa dos cornetos. Linfonodos cervicais podem apresentar-se hipertrofiados e dolorosos. Febre e secreção purulenta nas fossas nasais podem acontecer nas RSAs virais – isso não indica prescrição de antibióticos. Apresentações clínicas que remetem à suspeita de RSA bacteriana: 1. Sinais e sintomas de resfriado que persistem por mais de 10 dias com qualquer tipo de rinorreia e tosse que piora à noite. 2. Resfriado mais grave que o usual, com febre alta, rinorreia purulenta copiosa, edema periorbitário e dor. 3. Resfriado que após cinco dias piora, com ou sem febre.

Diagnóstico

É clínico. – Sintomas persistentes de infecção do trato respiratório superior, incluindo secreções nasais e tosse por mais de 10-14 dias sem melhora ou graves sintomas respiratórios, com temperatura de pelo menos 39 graus e secreção nasal purulenta por 3-4 dias consecutivos, são sugestivos de sinusite bacteriana aguda. – Crianças com sinusite crônica apresentam uma história de sintomas respiratórios persistentes, incluindo tosse, secreções nasais ou congestões nasais, durando mais de 90 dias.

Tratamento

– Higiene nasal com solução salina: favorece eliminação das secreções, elimina mediadores inflamatórios, favorece os batimentos ciliares e o clearance mucociliar. – Analgésicos e antitérmicos devem ser usados de acordo com a necessidade. – Se a infecção for bacteriana, a antibioticoterapia é indicada. A etiologia prevalente deve orientar a escolha do antibiótico. – Se houver associação com asma ou otite média aguda, a amoxicilina é apropriada. – No tratamento de crianças toxemiadas com complicações supurativas comprovadas ou não, está indicado o uso de antibiótico intravenoso contra S. pneumoniae, H. influenzae, M. catarrhalis e produtores de beta-lactamase.

Autor(a) : Kathleen Emerick Paiva Faria – @kathemerick

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Referências:

LEÃO, E. et al. Pediatria Ambulatorial. 5a ed. Cap. 6 – Avaliação inicial do recém-

nascido, p.90-100. COOPMED Editora Médica. Belo Horizonte, 2013.

NELSON, W.E. Tratado de Pediatria. 18a ed., Cap. 102 – Distúrbios do sistema

digestório, p.756-761. Rio de Janeiro, 2009.