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Resumo de vitiligo: definição, epidemiologia, etiologia e mais | Colunistas

Resumo de vitiligo: definição, epidemiologia, etiologia e mais | Colunistas

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Laryssa Cardoso

7 min há 7 dias

Definição

Doença progressiva representada por manchas acrômicas, isto é, despigmentação da pele devido a diminuição ou ausência total de melanócitos epidérmicos (células responsáveis pelo desenvolvimento da melanina, a qual é um pigmento que dá coloração à pele, aos cabelos e aos olhos) nas partes afetadas, possuindo bordas que são bem delimitadas, com tamanhos e formas diversas. Acometendo especialmente nas áreas periorificiais (ao redor dos olhos, nariz, lábios e genitália), nas mãos, nos pés, nas faces flexoras dos punhos, tornozelos, cotovelos, joelhos e nas grandes dobras cutâneas.

Outrossim, é válido ressaltar que o vitiligo não é contagioso e não é prejudicial à saúde física. Entretanto, as manchas da doença podem afetar a qualidade de vida do paciente e na sua autoestima. Por isso, é importante recomendar o acompanhamento psicológico. 

Epidemiologia

As lesões do vitiligo pode estar presente em todas as idades, porém geralmente ocorre mais em indivíduos entre 10 a 30 anos de idade e acometendo 1% da população.

Etiologia

            As causas da patologia não estão determinadas de forma explícita, porém pode estar relacionada as manifestações autoimunes e fatores como mudanças ou traumas emocionais, podem estar entre os motivos que estimulam ou intensificam a doença. Somente 20% das pessoas afetadas possuem histórico familiar

Sintomas

A sintomatologia presente no vitiligo são as lesões acrômicas. No entanto, algumas pessoas informam sentir sensibilidade e dor na área afetada. Ademais, os pelos podem ser ocasionalmente atingidos, ocorrendo assim, a leucotriquia (clareamento dos cabelos ou pelos), que significa o clareamento dos pelos, abrangendo sobrancelhas, cílios e pelos pubianos. O prurido ou inflamação dificilmente está presente. 

Fisiopatologia

Há diversas teorias que foram sugeridas e ainda há sugestão para explicar a perda de pigmentos de cor que resultam nas manchas claras. Essas hipóteses envolvem a presença de autoanticorpos; a ação de células T citotóxicas; a “autodestruição” dos melanócitos por produtos intermediários da melanogênese; defeitos intrínsecos e extrínsecos dos próprios melanócitos ou da unidade epidermo-melânica, além de prováveis alterações nas terminações nervosas.

Classificação

O vitiligo pode ser classificado segundo com suas propriedades físicas:

I – Vulgar: quando atinge mais que 10% do todo, ou seja, grandes áreas; localizada ou não; é assimétrica.

II – Segmentar: é quando há manchas acrômicas apenas unilateralmente.

III – Universal: quase toda a pele é acometida, incluindo pelos e mucosas.

IV – Focal: quando há apenas uma macha em um único local da pele ou mucosa; mesmo sendo estável, pode ou não evoluir para os outros tipos.

Diagnóstico

Para diagnosticar tal doença é essencial a clínica da doença, pois as manchas hipopigmentadas têm, geralmente, localização e distribuição características. A biópsia cutânea revela a ausência completa de melanócitos nas zonas afetadas, exceto nos bordos da lesão, e o exame com lâmpada de Wood (aparelho diagnóstico para verificar a presença de lesões na pele) pode ajudar na detecção da doença em pacientes de pele branca.

Análises sanguíneas deverão incluir um estudo imunológico que poderá revelar a presença de outras patologias autoimunes como hepatite autoimune e doença de Addison ou doenças da tireoide. O histórico familiar do Vitiligo também é indicado.

Salienta-se que o diagnóstico deve ser feito por um dermatologista. Ele irá determinar o tipo de vitiligo do paciente, verificar se há alguma doença autoimune associada e indicar a terapêutica mais adequada.

Diagnóstico Diferencial

As patologias consideradas que fazem diagnóstico diferencial do vitiligo é primeiramente a leucodermia química, devido a compostos citotóxicos aos melanócitos (p. ex., catecóis, fenóis), leucodermia do melanoma (um sinal de bom prognóstico se visto em associação com a imunoterapia, mas uma indicação para excluir metástases se ocorre espontaneamente) e leucodermia da esclerodermia com retenção da pigmentação perifolicular.

Tratamento

O objetivo do tratamento é parar o aumento das lesões (estabilização do quadro) e também a repigmentação da pele. Existem medicamentos que induzem à repigmentação das regiões afetadas como tacrolimus derivados de vitamina D e corticosteroides.

A fototerapia com radiação ultravioleta B banda estreita (UVB-nb) é indicada para quase todas as formas de vitiligo, com resultados excelentes, principalmente para lesões da face e tronco. Pode ser usada também a fototerapia com ultravioleta A (PUVA). Também se pode empregar tecnologias como o laser, bem como técnicas cirúrgicas ou de transplante de melanócitos.

Tratamentos mais comuns:

  • Fototerapia: quando realizadas com raios UVA e UVB, ajudam na migração e proliferação de melanócitos e ajudam também na melanogênese.
  • Excimer laser: auxilia na eliminação de grande parte das células in-flamatórias e estimula a produção de melanócitos.  
  • Inibidores de calcineurina: são imunomoduladores.
  • Análogos de vitamina D: ativos parecidos com vitamina D estimulam a melanogênese.
  • Antioxidantes: quando combinados com outros fatores e tratamentos, ajudam significativamente na fabricação de melanina.
  • Cirurgias: o médico remove pequenas partes da pele com a pigmentação original e coloca sobre as partes do corpo que já perderam a cor.
  • Autobronzeadores: servem como coadjuvantes e ajudam a fazer uma maquiagem corretiva.
  • Micropigmentação: a técnica introduz pigmento na pele com agulhas específicas, que permite disfarçar a diferença de coloração da pele.

Prevenção

Pacientes precisam impedir fatores que possam precipitar o aparecimento de novas lesões ou acentuar as já existentes, como usar roupas apertadas, ou que provoquem atrito ou pressão sobre a pele, e diminuir a exposição solar. Conter o estresse é outra forma de prevenir.

Autor(a): Laryssa Ribeiro Cardoso – @laryssaribeirocardoso

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis. Cecil medicina interna. 24. ed. Rio de Janeiro: Saunders Elsevier, 2012. Acesso em: 29 out. 2021. Disponível em: https://docero.com.br/doc/cx8x50

Disfunções dermatológicas aplicadas à estética [recurso eletrônico] / Daniela Fassheber … [et al.]; [revisão técnica : Mônica Kuplich, Lucimar Filot da Silva Brum]. – Porto

Alegre: SAGAH, 2018. Acesso em: 30 out. 2021. Disponível em: https://loja.grupoa.com.br/eb-ead-disfuncoes-dermatologicas-aplicadas-a-e9788595023420-p1009986

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA (Brasil). Vitiligo. 2017. Disponível em: https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/vitiligo/21/. Acesso em: 4 nov. 2021.

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MORAES, Mirella Brito; VILLAS, Ricardo Tadeu. Denise Steiner Professora Adjunta do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí-SP. Valcinir Bedin Médico pós-graduando da UNICAMP-SP. 2004. Acesso em: 6 nov. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abd/a/VWZFwJY5MmcBmGCxpFcKMzG/?lang=pt#

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