Autor(a): Breno Vinícius Dias de Souza e Eric Cymon do Vale
Beserra – @_brenodias_
Revisor(a): Ana Olívia Dantas – @ana.oliivia
Orientador(a): Diego Henrique Brilhante de Medeiros
Liga: Liga Acadêmica de Clínica Médica do Seridó (LACLIMS)
Definição e Epidemiologia
A dermatite seborreica constitui uma
entidade clínica do grupo dos eczemas, que reúne as dermatoses inflamatórias e
pruriginosas. Trata-se de uma das dermatites mais comuns, com curso crônico,
acometendo predominantemente adolescentes e adultos jovens, mas com
possibilidade de apresentação até mesmo ao nascimento.
Ainda, tem
alta incidência em portadores de infecção por HIV, e se relaciona com outras
doenças (como Parkinson, epilepsia e obesidade) e uso de medicamentos (como
cimetidina, metildopa e neurolépticos).
Fisiopatologia
O quadro inflamatório se associa à hiperproliferação
epidérmica e conta com a participação do fungo Malassezia spp., seja propriamente na etiopatogenia, seja como
consequência da distribuição de lipídios nas escamas, que gera um ambiente propício
para colonização fúngica. No processo fisiopatológico, envolve ainda aumento de
atividade e número de glândulas sebáceas, havendo notória relação da
apresentação da doença em fases da vida com maior maturação dessas glândulas,
no período neonatal e após a puberdade. Estudos recentes têm também feito
associações com estresse e quadros de ansiedade na gênese das agudizações.
Quadro clínico
Apresenta lesões maculopapulosas, simétricas, com base eritematosa ou amarelada, bem como escamas oleosas distribuídas nas áreas seborreicas – couro cabeludo, face, região retroauricular, pré-esternal, flexuras axilares, anogenitais e inframamárias.
No couro cabeludo, é comum progredir além da orla delimitada pelo cabelo, formando a coroa seborreica, com eritema na pele adjacente. Nos neonatos, as escamas aderentes constituem a crosta láctea, ou “capuz de leite”. É possível haver manifestações mais intensas, com escamas mais numerosas e espessas, o que pode gerar alopecia. Na face, pode ocasionar descamação ciliar, e envolve região paranasal, de supercílios e glabela. No tronco, pápulas eritemato-descamativas, com bordas eritematosas e elevadas (lesões petaloides) acometem comumente as regiões pré-esternal e interescapular. Nas flexuras, além da descamação, é comum ocorrer fissuras e infecção secundária.
Diagnóstico
O
diagnóstico é clínico, sendo solicitada a sorologia anti-HIV em quadros muito
abruptos, exuberantes ou refratários ao tratamento, quando mais se associa à
AIDS.
Tratamento
No couro cabeludo, a terapêutica se dá com shampoos de
LCD (liquor carbonis detergens), que
podem ser usados em associação com ácido salicílico, coaltar, cetoconazol ou
enxofre, por exemplo. No tronco, além dessas possibilidades, pode-se lançar mão
de loção ou gel de Kummerfeld e cremes com cetoconazol. Corticosteroides de
baixa potência, como betametasona, podem ser associados ao antifúngico.
Na face, o
uso de imunomoduladores, como tacrolimo e pimecrolimo, mostra bastante
efetividade. Em qualquer área, o estabelecimento de infecção secundária
autoriza a antibioticoterapia, sistêmica ou tópica. Em casos mais extensos,
cetoconazol e/ou prednisona por via oral são opções robustas.


