Autor: Enzo Studart de
Lucena Feitosa;
Co-autor: Thiago
Praça Brasil;
Revisor:
João Pedro Andrade Augusto;
Orientador: José Antônio Carlos Otaviano David Morano;
Liga: Grupo de Estudo de Anatomia Aplicada à Saúde (GEAAS)
Definição
A paralisia de Bell é a paralisia
completa ou parcial do VII nervo craniano, o nervo facial, é a causa mais
frequente da paralisia facial, representando 75% das paralisias nos adultos e
42% das paralisias faciais nas crianças. O nome da doença deve-se ao cientista
que a descobriu, Sir Charles Bell.
Epidemiologia
A incidência é de 20 a 40 em 100.000
habitantes anualmente, ambos os sexos são afetados de maneira equivalente, e a
idade média do indivíduo afetado é 40 anos. A ocorrência da doença é mais comum
em pacientes com diabetes mellitus e hipertensão, no entanto ainda não se sabe
a razão disso. A gestação é um ponto de
incoerência na literatura, algumas literaturas classificam como fator de risco,
principalmente durante o 3º trimestre, e outras acreditam que há não qualquer
conexão.
Fisiopatologia
A fisiopatologia da doença não é
completamente explicada, caracterizando-se como um edema do VII nervo craniano,
no entanto não se sabe a etiologia da doença, classificando a causa da doença
como idiopática. Todavia, sabe-se que há alguma relação com algumas viroses,
como a Herpes Simples, a qual poderia se alojar no nervo facial e causar esse
inchaço, comprimindo-o no local de saída pelo canal do osso temporal. Em geral,
essa compressão ocorre quando há a reativação do vírus causador no gânglio
geniculado do nervo facial, causando inchaço e compressão ao passar pelo local
mais estreito ao sair do crânio para suas regiões-alvo.
Quadro clínico
O quadro clínico da doença é diretamente ligado às funções do VII nervo craniano, o qual é responsável pela mímica facial, pela inervação das glândulas sublingual, lacrimal e submandibular, pelo músculo estapédio e pela sensibilidade geral dos 2/3 anteriores da língua. Dessa forma, as manifestações da doença são decorrentes da perda dessas funções. Em relação à história clínica, a evolução da paralisia normalmente é rápida, durando algumas horas, e chegando à paralisia total em 2 ou 3 dias.
A paralisia ocorre em toda a hemiface em 66% dos doentes, no restante a paralisia pode ser parcial, no entanto, o terço superior sempre é afetado, um dos fatores fundamentais para a diferenciação da paralisia de origem central, a qual não acomete essa região, da paralisia periférica. Além disso, é comum que acompanhado da paralisia, ocorra otalgia. A hiperacusia, devido ao acometimento do músculo estapédio, também é muito relatada entre os pacientes, além da sensação de parestesia ao redor do ouvido ipsilateral, a redução do paladar e a xeroftalmia, em decorrência das deficiências das glândulas.
Ainda, outro achado ocular característico da paralisia do nervo facial é a dificuldade de fechar os olhos. Essa dificuldade, pode acarretar em redução da lubrificação ocular e abrasão de córnea. Essa última é causada pela redução do reflexo da piscada, podendo entrar corpo estranho no olho que causa a abrasão e, com a evolução desse quadro, uma úlcera de córnea que pode causar cegueira nesse paciente. Já no exame físico, os achados mais comuns são a paralisia de todos os ramos do nervo facial e o fenômeno de Bell, no qual o paciente, ao tentar fechar a pálpebra afetada, move o globo ocular contralateral para cima e para fora.
Diagnóstico
O diagnóstico é completamente clínico, baseia-se na procura
pelos sintomas mais comuns e pela exclusão de outros fatores que indiquem
causas não relacionadas ao acometimento do nervo facial, como um início lento e
gradual, envolvimento bilateral, perda auditiva, otorreia crônica, otalgia,
hemotímpano e paralisia facial sem acometimento do terço superior. Quando há
suspeita de formação neoplásica, podem ser feitos exames de imagem para
descartar a paralisia por compressão nervosa consequente à tumoração.
Tratamento
O tratamento na grande maioria das vezes
é não farmacológico, apenas com a tranquilização do paciente, pois o
prognóstico é bom, além da lubrificação do olho, por meio do uso de colírio
lubrificante, essa medida protetiva do olho é realizada apenas em pacientes que
têm dificuldade de piscar os olhos. Apesar de haver pouca evidência em relação
aos seus benefícios, a fisioterapia também é indicada para pacientes com a
paralisia cronificada. Em casos mais graves, é recomendado o uso de corticoides,
o mais utilizado é a prednisona. Além do uso de corticoides em pacientes
graves, estudos demonstram que a combinação com antivirais, uma vez que a
maioria das causas são de origem viral, pode ser benéfica ao paciente com essa
paralisia.