Anatomia de órgãos e sistemas

Resumo sobre Neurônios

Resumo sobre Neurônios

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10 min há 53 dias

Tecido nervoso

O tecido nervoso é formado por dois componentes: os neurônios, que são células funcionais, e células da glia ou da neuróglia, cuja função é fornecer suporte aos neurônios e participar de funções importantes para a sua atividade. 

O tecido nervoso é distribuído pelo organismo, interligando-se e formando uma rede de comunicações, que constitui o sistema nervoso. Anatomicamente, esse sistema é dividido em:

  • Sistema nervoso central (SNC), formado pelo encéfalo e pela medula espinal.
  • Sistema nervoso periférico (SNP), formado pelos nervos e por pequenos agregados de células nervosas denominados gânglios nervosos.

Os nervos são constituídos basicamente por prolongamentos dos neurônios, cujos corpos celulares se situam no SNC ou nos gânglios nervosos. No SNC os corpos celulares dos neurônios e os seus prolongamentos concentram-se em locais diferentes, sendo reconhecidas no encéfalo e na medula espinal duas porções distintas, denominadas, respectivamente, substância cinzenta e substância branca. 

Os neurônios têm a propriedade de responder a estímulos nervosos, através da diferença de potencial elétrico que existe entre as superfícies externa e interna da sua membrana celular. Este estímulo pode propagar-se sob a forma de impulso nervoso, cuja função é transmitir sinalizações a outros neurônios, células musculares ou glandulares. 

Os neurônios formam circuitos por meio de seus numerosos prolongamentos. Tais circuitos ou redes neuronais são de diversos tamanhos e complexidades. Na maioria das vezes, dois ou mais circuitos interagem para executar uma função. 

Neurônios

Neurônios, ou também conhecidos como células nervosas, são responsáveis pela recepção e pelo processamento de informações. Esta ação culmina na transmissão de um sinal, através da liberação de neurotransmissores e de outras moléculas informacionais. Dessa maneira, podem atuar em diversas atividades do organismo. 

Os neurônios têm morfologia complexa, mas quase todos apresentam três componentes:

  • Corpo celular
  • Dendritos
  • Axônios

As dimensões e a forma dos neurônios e seus prolongamentos são muito variáveis. Em geral, as células nervosas são grandes, podendo o corpo celular medir até 150 μm de diâmetro. Uma célula com essa dimensão, quando isolada, é visível a olho nu. Todavia, os neurônios denominados células granulosas do cerebelo estão entre as menores células dos mamíferos, tendo seu corpo celular 4 a 5 μm de diâmetro.

De acordo com sua morfologia, os neurônios podem ser classificados em:

  • Neurônios bipolares, que têm um dendrito e um axônio 
  • Neurônios multipolares, que apresentam vários dendritos e um axônio 
  • Neurônios pseudounipolares, que apresentam junto ao corpo celular um prolongamento único que logo se divide em dois, dirigindo-se um ramo para a periferia e outro para o SNC. 
Tipos de neurônios
FONTE: Junqueira & Carneiro, 13a ed, 2018

A maioria dos neurônios é multipolar; os bipolares são encontrados nos gânglios coclear e vestibular, na retina e na mucosa olfatória. Já os neurônios pseudounipolares são vistos nos gânglios espinais, que são gânglios sensoriais situados nas raízes dorsais dos nervos espinais, e também nos gânglios cranianos. 

Os neurônios podem ainda ser classificados segundo a sua função:

  • Neurônios motores controlam órgãos efetores, tais como glândulas exócrinas e endócrinas e fibras musculares. 
  • Neurônios sensoriais recebem estímulos sensoriais do meio ambiente (tato, olfato, visão, audição e gustação) e do próprio organismo. 
  • Interneurônios estabelecem conexões entre neurônios, sendo, portanto, fundamentais para a formação de circuitos neuronais desde os mais simples até os mais complexos.

Durante a evolução dos mamíferos houve uma significativa ampliação do número e na complexidade de associações interneuronais. Desse modo, as funções mais complexas e de mais alto nível do sistema nervoso dependem das interações de redes diversas de prolongamentos de muitos neurônios. 

Corpo celular (ou pericário)

O corpo celular, ou pericário, é a porção do neurônio que contém o núcleo e o citoplasma que envolve o núcleo. Consiste em um centro trófico, mas também tem função receptora e integradora de estímulos, recebendo estímulos excitatórios ou inibitórios produzidos em outras células nervosas.

Na maioria dos neurônios o núcleo é esférico e aparece pouco corado, pois seus cromossomos são muito distendidos, indicando a alta atividade sintética dessas células.

Cada núcleo tem, em geral, apenas um nucléolo, grande e central. Trata-se de uma região da célula rica em retículo endoplasmático granuloso, que forma agregados de cisternas paralelas, entre as quais existem numerosos polirribossomos livres. Esta estrutura espalhada pelo citoplasma, chama-se corpúsculo de Nissl.

A quantidade de retículo endoplasmático granuloso varia com o tipo e o estado funcional dos neurônios, sendo mais abundante nos maiores, particularmente nos motores. ]

O complexo de Golgi localiza-se exclusivamente no pericário e é formado por vários grupos de cisternas localizadas em torno do núcleo. As mitocôndrias existem em quantidade moderada no pericário, mas são encontradas em grande número nas terminações axonais. 

No SNC os corpos celulares dos neurônios localizam-se somente na substância cinzenta. A substância branca não apresenta pericários, mas apenas prolongamentos deles. No SNP os pericários são encontrados em gânglios e em alguns órgãos sensoriais, como a mucosa olfatória.

Dendritos

A maioria das células nervosas tem numerosos dendritos, que aumentam consideravelmente a superfície celular, tornando possível receber impulsos trazidos por numerosas terminações axonais de outros neurônios. Os neurônios que têm um só dendrito (bipolares) são pouco frequentes e localizam-se somente em algumas regiões específicas.

Ao contrário dos axônios, que mantêm o diâmetro constante ao longo de seu comprimento, os dendritos tornam-se mais finos à medida que se ramificam, como os galhos de uma árvore. A composição do citoplasma da base dos dendritos, próximo ao pericário, é semelhante à do corpo celular; porém, não há complexo de Golgi. 

A maioria dos impulsos que chegam a um neurônio é recebida por pequenas projeções dos dendritos, os espinhos dendríticos. São formados por uma parte alongada presa ao dendrito e terminam com uma pequena dilatação.

Os espinhos medem de 1 a 3 μm de comprimento e menos de 1 μm de diâmetro. Os espinhos dendríticos são muito numerosos e um importante local de recepção de sinalização (impulsos nervosos) que chega à membrana dos dendritos.

Axônios

Cada neurônio emite um único axônio, de formato cilíndrico em comprimento e diâmetro que dependem do tipo de neurônio. Na maior parte de sua extensão, os axônios têm um diâmetro constante e não se ramificam abundantemente, ao contrário do que ocorre com os dendritos.

Alguns axônios são curtos, mas, na maioria dos casos, são mais longos do que os dendritos das mesmas células. 

Os axônios das células motoras da medula espinal que inervam os músculos do pé de um adulto, por exemplo, podem ter mais de 1 m de comprimento. Geralmente, o axônio se origina de uma pequena formação cônica que se projeta do corpo celular, denominada cone de implantação.

O trecho do axônio que parte do cone de implantação, denominado segmento inicial, não é recoberto por mielina. Consiste em um trecho pequeno, mas de significante importância para a geração do impulso nervoso, fato que se deve à existência de grande quantidade de canais iônicos para Na+ em sua membrana plasmática. O segmento inicial recebe muitos estímulos, tanto excitatórios como inibitórios, de cuja somatória pode originar-se um potencial de ação. 

A propagação do potencial de ação ao longo da membrana do axônio constitui o impulso nervoso. O citoplasma do axônio, ou axoplasma, é muito pobre em organelas. Tem poucas mitocôndrias, algumas cisternas do retículo endoplasmático liso e muitos microfilamentos e microtúbulos.

A ausência de retículo endoplasmático granuloso e de polirribossomos demonstra que o axônio é mantido pela atividade sintética do pericário. Muitos axônios originam ramificações em ângulo reto próximo a sua terminação, denominadas colaterais.

Existe um movimento muito ativo de moléculas e organelas ao longo dos axônios. Tais moléculas são sintetizadas no pericário e migram pelos axônios, movimento chamado fluxo anterógrado. Este fluxo tem diversas velocidades, mas há duas correntes principais: uma rápida (centenas de milímetros por dia) e outra lenta (poucos milímetros por dia). 

Além do fluxo anterógrado, existe também um transporte de substâncias em sentido contrário, o fluxo retrógrado, que leva moléculas diversas para serem reutilizadas no corpo celular. 

Abaixo, você pode avaliar os componentes de um neurônio motor: 

Anatomia dos neurônios
Seu corpo celular contém um núcleo grande, de cromatina frouxa e pouco corado, com um nucléolo bem visível. No pericário há corpúsculos de Nissl (ergastoplasma), encontrados também nos dendritos mais grossos. Um axônio de outro neurônio com três botões sinápticos está indicado. Observe os diversos segmentos do axônio, que termina em três placas motoras que transmitem o impulso nervoso para as fibras musculares esqueléticas.
FONTE: Junqueira & Carneiro, 13a ed, 2018

Conclusão sobre a anatomia dos Neurônios:

Os neurônios são as células do sistema nervoso responsáveis por receber, processar e transmitir o estímulo recebido. São formados por: 

  • Dendritos: prolongamentos cujo diâmetro diminui à medida que se afastam do pericário. São ramificados e numerosos e constituem o principal local para receber os estímulos do meio ambiente, de células epiteliais sensoriais ou de outros neurônios 
  • Corpo celular ou pericário: é o centro trófico da célula, onde se concentram organelas, e que também é capaz de receber estímulos
  • Axônio: prolongamento único, de diâmetro constante na maior parte de seu percurso e ramificado em sua terminação. É especializado na condução de impulsos que transmitem informações do neurônio para outras células (nervosas, musculares, glandulares). 

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Referências:

Junqueira, Luiz Carlos Uchoa, 1920-2006 – Histologia básica: texto e atlas / L. C . Junqueira, José Carneiro; autor-coordenador Paulo Abrahamsohn. – 13. ed. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.

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